Walker’s Haute Route - Dia 8 - Cabane de Prafleuri até a Cabane du Mont Fort

Walker’s Haute Route – Dia 8 – Cabane de Prafleuri até a Cabane du Mont Fort

Oitavo dia da Walker’s Haute Route e um dos mais difíceis de todo o trekking. Nosso objetivo seria a Cabane du Mont Fort. Mas pra chegar lá, seriam três passes em um só dia, algo inédito até então. No dia anterior a responsável da Cabane de Prafleuri (leia mais aqui) havia dito que o dia seguinte seria de mau tempo e chuva. Ela nos aconselhou a sair bem cedo pra evitar maiores imprevistos. Foi isso que fizemos. Mesmo sendo um dia de trekking mais puxado, foi o dia com as melhores fotos. Já aviso que o post vai ter mais fotos do que o normal (hehehe)…

Cabane de Prafleuri até o Col de Prafleuri (110.65 de 135 km)

Acordamos às cinco e vinte e tomamos café às seis. O café foi como o de sempre, vários tipos de pão, geleia, salada de frutas em conserva, iogurte e panquecas. Saímos da cabana em torno das seis e trinta da manhã rumo ao Col de Prafleuri, o maior até então com 2980 metros. O céu ainda estava escuro. Mal dava pra ver a trilha, mas era o suficiente pra continuar caminhando. O silêncio era absoluto. Como a gente ia na direção oposta, estávamos sozinhos na imensidão dos alpes, ninguém na nossa frente, ninguém atrás. Era uma sensação de liberdade plena!

Cabane de Prafleuri, vista da trilha que leva ao Col de Prafleuri.
Cabane de Prafleuri, vista da trilha que leva ao Col de Prafleuri.
Nascer do sol no alto das montanhas!
Nascer do sol no alto das montanhas!
Curtindo o nascer do sol no Val de Prafleuri pra tirar algumas fotos!
Curtindo o nascer do sol no Val de Prafleuri pra tirar algumas fotos!

Saindo da cabana, a trilha começou com uma descida bem tranquila que logo se transformou em uma subida gradual até uma área mais plana e ainda com algum gelo. Pra mim essa parte foi uma das mais lindas do trekking. O sol aparecia tímido pelas montanhas a leste, mas já era o suficiente pra iluminar o vale que a gente tava e o Glaciar de Prafleuri. Cena de filme, você precisava ver! O Glaciar de Prafleuri, imenso à nossa esquerda, recebia a maior parte da luz. O passe, nosso primeiro objetivo do dia, ficava algumas centenas de quilômetros mais a frente, é claro, depois de vencer uma subidinha sem vergonha (hehehe).

Glaciar de Prafleuri recebendo os primeiros raios de sol.
Glaciar de Prafleuri recebendo os primeiros raios de sol.
Col de Prafleuri. Outra lição que a gente aprendeu no trekking Walker's Haute Rout... Nunca acredite no tempo informado nas placas... Nunca estava correto!
Col de Prafleuri. Outra lição que a gente aprendeu no trekking Walker’s Haute Rout… Nunca acredite no tempo informado nas placas… Nunca estava correto!
Nossa vista de boas-vindas do Val du Grand Désert. Foi uma das partes mais complicadas do trekking, exigindo da gente muita atenção e técnica com a trilha.
Nossa vista de boas-vindas do Val du Grand Désert. Foi uma das partes mais complicadas do trekking, exigindo da gente muita atenção e técnica com a trilha.

Durante a subida, o sol já tinha nascido por completo. A manhã estava linda, sem nuvens, perfeita, totalmente diferente do que estávamos esperando e do que foi avisado na noite anterior na cabana. Estaria a previsão do tempo incorreta? Bom, descobriríamos mais pra frente que não. Depois de alguns minutos de subida intensa, finalmente alcançamos o passe de Prafleuri. De lá, deixamos pra trás o Glaciar de Prafleuri e o seu vale mágico. Demos boas-vindas ao Val du Grand Désert.

Col de Prafleuri até o Col de Louvie (114.1 de 135 km)

Não é um deserto, mas olhando, quase não dá pra dizer que ali tem alguma vida. Tirando algumas plantinhas pelo caminho, tudo era composto de rochas e mais rochas. As montanhas do Val du Grand Désert estavam literalmente morrendo...
Não é um deserto, mas olhando, quase não dá pra dizer que ali tem alguma vida. Tirando algumas plantinhas pelo caminho, tudo era composto de rochas e mais rochas. As montanhas do Val du Grand Désert estavam literalmente morrendo…

A paisagem mudou completamente! A trilha que era em um terreno rochoso, com pedras pequenas, meio barrenta e com alguma vegetação, agora era somente rochas, rochas e mais rochas. Não existia mais trilha. As marcações quando existentes, eram difíceis de ver e quando não havia marcação, bastões vermelhos fincados entre as rochas mostravam por onde deveríamos ir.

O jeito era improvisar e ir tentando achar o próximo bastão, se equilibrando de pedra em pedra. Nesse estágio, recolhemos os trekking poles e começamos a avançar usando as mãos para dar apoio. Foi uma descida complicada, porque por muitas vezes a gente não tinha a mínima ideia se a trilha era por onde estávamos indo ou não.

Chegando na parte mais abaixo, pensando que o pior já tinha passado (ingênuos…), mas não, um paredão imenso de pedra apareceu. Lembro de ter olhado pra Gabriela e ter falado – “Não é possível que a gente vai ter que subir esse paredão…” – E não é que tinha?! Olhei novamente, confirmei no mapa e era sim, era a trilha que deveríamos seguir. A gente até encontrou algumas marcações que indicavam que o caminho era aquele mesmo. Começamos a subir, sem olhar pra baixo, pedra por pedra. Cada passo era calculado e graças as nossas técnicas avançadas (#sqn) de alpinismo, logo chegamos ao topo.

Glaciar du Grande Désert.

Esse paredão deu acesso a um planalto imenso. Lá em cima, a trilha continuou por alguns quilômetros, quase plana. A paisagem também não mudava muito. Depois de passar por esse planalto, fizemos uma pequena descida, passamos por um rio formado pelo degelo do Glaciar du Grand Désert que abastecia o Lac du Grand Désert. Passando o lago, era hora de subir rumo ao nosso segundo passe do dia.

Estávamos prestes a alcançar o Col de Louvie, mas antes, paramos para lanchar. Até ali, nenhuma alma viva havia passado por nós no sentido contrário ou mesmo no mesmo sentido. Ficamos mais da metade do dia sozinhos, a gente e a paisagem, a gente e os glaciares, nós e mais ninguém. Muitos momentos pra conversar, refletir e curtir o silêncio. 

Lac du Grand Désert. Aqui era o início da trilha que leva ao Col de Louvie.
Lac du Grand Désert. Aqui era o início da trilha que leva ao Col de Louvie.

A subida até o Col de Louvie não foi muito complicada. Mantemos o ritmo e logo tínhamos alcançado os incríveis 2921 metros de altura. Lá de cima, a paisagem novamente mudou. De um deserto de gelo e pedras enormes e monocromáticas, agora tínhamos novamente o verde que estávamos habituados nos outros dias. A novidade? Agora dava pra ver lá longe, o Mont Blanc. Mais perto, era possível ver o Massivo Combin, não menos imponente. Ambos estavam parcialmente encobertos pelas nuvens que avançavam. Sim, iria chover e a previsão do tempo estava certa.

Eu sabia que existiam duas rotas até a Cabane du Mont Fort e uma delas era específica pra dias de mau tempo. A rota mais longa, atravessaria o Col de Termin, podendo proporcionar as melhores vistas e paisagens de toda a Walker’s Haute Route. Já a rota mais curta, deveria ser usada em dias de tempo ruim, passando pelo Col de la Chaux e proporcionando paisagens ordinárias, melhor dizendo, sem graça. Na minha cabeça, por ser uma rota aconselhada em tempo ruim, deveria ser mais segura, menos desgastante, ou coisa do tipo (ingênuos parte 2…). Mesmo na Cabane de Prafleuri, algumas pessoas disseram que a rota pelo Col de Termin era estreita e com vários precipícios, portanto mais perigosa.

Col de Louvie. Dá pra ver em azul as placas com indicação de trilha alpina. Abaixo delas, o aviso de perigo que nos assustou um pouco.
Col de Louvie. Dá pra ver em azul as placas com indicação de trilha alpina. Abaixo delas, o aviso de perigo que nos assustou um pouco.
À esquerda, o Massivo Combin, e mais ao fundo à direita, o Massivo du Mont Blanc. Estávamos chegando ao nosso destino. Faltavam alguns dias de caminhada!
À esquerda, o Massivo Combin, e mais ao fundo à direita, o Massivo du Mont Blanc. Estávamos chegando ao nosso destino. Faltavam alguns dias de caminhada!

Enfim, quando chegamos ao Col de Louvie, as placas para o Col de la Chaux diziam que a trilha era alpina e a outra séria uma rota normal. Como assim? As duas opções de trilha trocaram de nível de dificuldade? Logo abaixo a placa, um aviso dizia que rotas alpinas poderiam necessitar equipamentos especiais, podendo conter neve e que a gente estaria por nossa própria conta e risco. Ficamos preocupados. Perguntei para umas das pessoas que estavam no passe com a gente se ela sabia das condições da trilha que ia pelo Col de la Chaux, mas ela não soube dizer. Aparentemente, ninguém ali em cima havia passado por essa trilha.

Col de Louvie até Col de la Chaux (111.1 de 135 km)

Depois de algumas fotos, começamos a descida e deixamos a decisão de pegar a rota mais curta para depois, mais precisamente para o momento que a gente chegasse na bifurcação entre as duas rotas, alguns quilômetros a frente. Antes da bifurcação, passamos por várias pessoas e sempre que dava, a gente perguntava se alguém sabia alguma coisa da rota mais curta. As respostas eram sempre bem vagas, do tipo – “não sei”, “desculpa, mais não tenho como te dizer” ou “vocês conseguem sem nenhum problema”.

Um pouco mais pra frente, já perto da bifurcação, encontramos um senhor que tentou pegar a rota mais curta no sentido contrário e teve que voltar, pois, viu avisos que avalanches poderiam acontecer. Aquilo nos assustou ainda mais.

Foi quando vimos uma alma perdida descendo da rota mais curta e entrando na rota principal, vindo em nossa direção. Era um francês/suíço (nunca vamos saber), vestido com uma calça jeans, camisa branca de algodão, casaco de couro e um foulard, roupas nada convencionais para um trekking daquele nível. Perguntamos pra ele como estava a rota e ele nos disse que a trilha estava bem sinalizada, que a subida foi tranquila e que a descida havia sido bem complicada, mas nada impossível. Disse também que ainda havia neve depois do passe, mas que não foi necessário usar crampões. Gabriela disse que foi um anjo que apareceu. Eu hoje acredito, pois, foi algo muito aleatório. Aquilo nos deu coragem pra continuar pela rota mais curta e evitar o mau tempo na rota principal. No mesmo momento, começou a chover e não tivemos duvidas. Entramos na rota mais curta e seguimos viagem.

Grand Combin (4314 m) e o famoso Lac de Louvie vistos da trilha que leva ao Col de la Chaux. Tenho certeza que ir pela rota mais longa nos daria vistas mais incríveis do Massivo Combin, mas a amostra que tivemos na trilha mais curta, já valeu a pena.

Os sinais ao invés de brancos e vermelhos (rota normal), agora eram todos brancos e azuis, informando que estávamos de fato em uma rota alpina. O começo foi uma grande subida, em uma trilha que misturava terra e rochas. A sinalização era boa. Estava por toda a parte. Dava pra saber certinho pra onde ir e quais eram os próximos passos. Aproveitamos para parar na beira do Lac du Petit Mont Fort e almoçar. A água era azul-turquesa, bem cristalina. Lá no alto, dava pra ver o topo do Mont Fort e uma estação de teleférico.

Terminado o almoço, continuamos a trilha e depois de uma pequena descida, entramos definitivamente no vale do Mont Fort. A trilha ficou mais complicada, muitas pedras, mas ainda com sinalização constante. De onde estávamos já dava pra ver o Col de la Chaux. Também avistei uma pessoa que vinha na nossa direção. Era um rapaz, com cara de poucos amigos. Descia rapidamente. Interrompi sua descida pra perguntar o estado da trilha e a resposta foi a mesma de anteriormente, nada muito complicado, mas exigia um pouco de atenção.

Continuamos a trilha e já perto do passe, a subida foi aumentando e em alguns trechos, a trilha era somente de pedras enormes, soltas umas sobre as outras. O jeito era escalar (literalmente). Na parte final, a trilha não existia mais. Quando digo não existia, é que não tinha nem sinalização, nem marcas no chão ou algo que desse uma dica pra onde deveríamos ir. Nos metros finais não havia mais nenhum ponto de apoio confiável para os pés, quiçá para as mãos. Tivemos que subir correndo, colocando toda a força nas pontas dos pés e segurando nas pequenas rochas que escorregavam com a força que aplicávamos. Parar poderia significar uma queda. Felizmente, conseguimos chegar ao topo e de lá, dava pra ver nitidamente a Cabane du Mont Fort, ainda pequena. Já era um ânimo a mais pra continuar depois de uma subida complicada que tivemos no nosso último passe do dia. 

Col de la Chaux até a Cabane du Mont Fort (123.3 de 135 km)

Começamos a descida, pensando que as coisas melhorariam, mas só pioraram. A gente estava exausto da subida e pra completar, a trilha continuava por rochas e pedras soltas sem quase nenhuma sinalização. De vez em nunca a gente via um sinal branco e azul. Mas entre eles, um quebra-cabeça que a gente tinha que montar pra chegar até o bendito sinal. Isso significava que não havia caminho correto ou pré-definido.

Vista do Val de la Chaux do Col de la Chaux. A gente não tinha trilha pra percorrer nesse ponto. Era descer as rochas e chegar mais abaixo, perto daquele lago azul. De onde a gente estava, já dava pra ver a Cabane du Mont Fort bem pequenininha lá embaixo no vale.
Vista do Val de la Chaux do Col de la Chaux. A gente não tinha trilha pra percorrer nesse ponto. Era descer as rochas e chegar mais abaixo, perto daquele lago azul. De onde a gente estava, já dava pra ver a Cabane du Mont Fort bem pequenininha lá embaixo no vale.

Lá de cima, dava pra ver uma trilha que se encontrava com a outra que levava ao Mont Fort. Aquele passou a ser o nosso objetivo. A gente começou a ir na direção da trilha mais abaixo sem se importar muito se aquele seria o caminho correto. Entretanto, havia um grande empecilho no caminho, o Glaciar de la Chaux. Pra falar a verdade, havia somente uma pequena parte de gelo, mas cumprida o suficiente pra fazer a gente passar por ela durante alguns minutos. Vimos que por cima do glaciar havia uma pequena trilha, usada anteriormente por outras pessoas. Seguimos por essa pequena rota, mas tivemos um pouco de dificuldade pra descer. Como a gente não levou crampões, o pé escorregava a cada passo e existia o perigo de encontrar algum buraco no gelo. Cheguei a escorregar e cair perto de alcançar o fim do glaciar.

Final da parte mais difícil da trilha que veio do Col de la Chaux.
Final da parte mais difícil da trilha que veio do Col de la Chaux.
O sorriso era de alívio por ter conseguido descer do Col de la Chaux até a trilha principal sem nenhum problema.
O sorriso era de alívio por ter conseguido descer do Col de la Chaux até a trilha principal sem nenhum problema.

Passado o glaciar, ainda tinha uma pequena parte rochosa para atravessar. Passamos mais rápido do que esperado e lá estávamos na trilha principal, na intersecção com a outra que mencionei antes. Dali, era um zigue-zague bem tranquilo até a cabana.

O grupo de Íbex estava se alimentando no meio da trilha.
O grupo de Íbex estava se alimentando no meio da trilha.
Os Íbex maiores estava somente descansando bem perto dali. Estavam observando tudo que acontecia nas redondezas.
Os Íbex maiores estava somente descansando bem perto dali. Estavam observando tudo que acontecia nas redondezas.
Aviso de perigo de avalanche perto da Cabane du Mont Fort. O senhor que tinha tentado vir por essa rota realmente não continuou por causa dos avisos. Sinceramente, não penso que poderia haver avalanches (pouco gelo/neve), mas a trilha mesmo assim não deixava de ser perigosa.
Aviso de perigo de avalanche perto da Cabane du Mont Fort. O senhor que tinha tentado vir por essa rota realmente não continuou por causa dos avisos. Sinceramente, não penso que poderia haver avalanches (pouco gelo/neve), mas a trilha mesmo assim não deixava de ser perigosa.
Cabane du Mont Fort.
Cabane du Mont Fort.
Parte final da trilha até a Cabane du Mont Fort. Daqui, dava pra ver tudo que a gente desceu do Col de la Chaux.
Parte final da trilha até a Cabane du Mont Fort. Daqui, dava pra ver tudo que a gente desceu do Col de la Chaux.

Começamos a última parte da trilha e logo tivemos que adaptar a rota porque encontramos um fato (coletivo de caprinos, essa nem você sabia né?!) de Íbex (aquela cabra das montanhas). Durante toda a viagem, só avistei um, muito longe da gente perto da Cabane de Prafleuri, mas ali, encontramos um grupo inteiro, inclusive com filhotes. Nem se incomodavam com a gente, mas são animais selvagens, todo o cuidado é pouco, afinal nós é que somos os intrusos. Começamos a cortar caminho pra evitar um encontro muito próximo. Mesmo assim, eles sabiam que a gente estava lá. Parei para tirar algumas fotos e os Íbex maiores estavam me olhando curiosos pra saber o que a gente estava fazendo.

Cabane du Mont Fort

Cabane du Mont Fort (2457 m).
Cabane du Mont Fort (2457 m).

Depois dessa aventura incrível, havíamos chegado a Cabane du Mont Fort. Sãos e salvos, cansados, mas aliviados de ter chegado. De lá, dava pra ver as nuvens de chuva avançando sobre o vale e cobrindo lentamente as montanhas. Deixamos nossas mochilas, tiramos as botas, entramos no quarto e nos preparamos para o jantar.

O jantar foi uma sopa de tomates e salada com queijo local de entrada, macarronada à bolonhesa de prato principal e uma sobremesa simples no final. Devo dizer que a estrutura da cabana foi uma das melhores que vimos pelo caminho, mas o cardápio incluso na diária não era tão bom assim. Mas quer saber? Isso não foi um grande problema.

Voltamos para o quarto e tivemos um momento de reflexão para o próximo dia. Seria um dos passes mais temidos, a Fenêtre d’Arpette. Tendo em vista todo o perrengue que a gente passou naquele dia e o cansaço, tanto mental como físico, a gente acabou decidindo adaptar a rota e ir para Martigny, ao invés de Orsières. Isso cortaria um dia de trekking, mas nos daria um dia de descanso e um dia a mais em Chamonix. O plano para os últimos dias estava fechado. O dia seguinte, seria o nosso penúltimo dia de caminhada.

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2 comentários

  1. Que tensa essa parte da subida (e depois descida) para o Col de la Chaux… Fiquei bem impressionada e já estou considerando fazer o Walker’s sozinha meio inviável. Eu não sei qual é exatamente o conceito de “trilha técnica” que esse pessoal que cria Guias usa (pelo jeito, só embarca situações em que precisa se utilizar equipamento específico, como nas vias ferratas) mas pra mim um trecho como esse que vcs pegaram (a via alpina) já é bastante técnico, e com risco bem acentuado, especialmente para solo trekkers. Muito importante esse relato de vcs, foi bem honesto e me fez rever como eu vou fazer quando for para o Walker’s. Uma outra coisa que percebi é que vcs utilizaram bastante transporte publico entre as etapas (muito bom, com certeza faria o mesmo quando precisasse), minha dúvida é: onde vcs conseguiram informações sobre linhas, itinerário e horários? Quando fui para a França usei o Google Maps e lembro que fiquei bem chateada com o app porque não mostrava parada de ônibus nenhuma na região de Chamonix, não sei se no mapa da Suiça é diferente… e o que são esses carpostal que vcs citaram na etapa 10? Muito obrigada pelo relato maravilhoso de vcs, e parabéns pela determinação e força mental de terminar a jornada mesmo com todas as dificuldades físicas inerentes; depois de um rojão desses podem ter certeza que se fizerem o Tour de Mont Blanc vão achar um passeio “fácil” agradável rsrsrs

    • Oi Priscila,

      Muito obrigado pelo comentário e a gente fica muito feliz que de alguma forma, a nossa experiência possa ter ajudado em como você vai fazer a Walker’s Haute Route. A gente tentou ser bem sincero em tudo que a gente passou justamente porque se a gente tivesse essa informação antes, poderia ter tomado outra decisão no momento da dificuldade. Hoje, penso que seria melhor ter ido pela rota normal, mesmo com a possibilidade de chuva. A trilha alpina é mais perigosa, principalmente nos primeiros meses da primavera e verão, onde o gelo pode ser mais presente. A gente foi no final de Agosto e ainda tinha bastante gelo na trilha.

      O conselho que eu levo dessa nossa experiência é sempre se informar das condições da trilha no dia anterior e confiar no seu tato (julgamento). O que eu senti é que a maioria desses guias e placas subestimavam a verdadeira dificuldade da trilha. A gente faz bastante hiking e trekking por aqui no Canadá e em outros países, e achamos a Walker’s bem mais difícil do que muitos deles.

      Com relação a fazer o trekking sozinho(a), a gente viu muita gente fazendo. Talvez seja mais complicado ir sozinho fazendo o sentido inverso (como a gente fez), porque na maior parte do tempo, a gente não tinha ninguém na trilha. Se você for pelo percusso tradicional, é muito provável que vai ter companhia praticamente todos dias.

      Pra achar as informações das linhas, itinerários e horários, você vai encontrar tudo no site da SBB.CH, o site oficial dos transportes na Suíça. Lá tem tudo, você vai precisa saber o nome das paradas pra fazer a pesquisa com precisão. Ele vai te dar os horários e quais são as correspondências. O que eu fiz pra não confiar totalmente no Google foi pesquisar o itinerário no Google Maps, e quando selecionava uma das opções, ele informava la embaixo a fonte do itinerário. Daí eu ia nesse site (que geralmente era o site oficial local) e pesquisava os itinerários e mapas. Funcionou bem.

      O carpostal são os ônibus que fazem o transporte nessas regiões mais afastadas das principais cidades. Na realidade, é o ônibus dos correios da Suíça, que faz a ligação entre os vilarejos. Você vai poder encontrar os horários e itinerários no site POSTAUTO.CH ou no próprio sire SBB.CH.

      Mais uma vez obrigado pelo seu comentário e se precisar de mais alguma informação sobre a Walker’s, a gente vai ter o maior prazer em te responder!

      P.S.: Nem vem com essa que o Tour du Mont Blanc vai ser fácil, viu?! A gente achou isso da Walker’s e passou aperto! rsrsrs

      Grande abraço.

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