Walker’s Haute Route – Dia 6 – Cabane de Moiry até La Gouille

Walker’s Haute Route – Dia 6 – Cabane de Moiry até La Gouille

Sexto dia de trekking pela Walker's Haute Route. A gente tinha passado a noite na Cabane de Moiry, que fica coladinha ao um glaciar enorme! Mesmo com a vista incrível, a gente tava mais preocupado com o estado dos nossos…

Trekking pela Walker’s Haute Route – O Guia Completo

Assinando a nossa newsletter, você pode baixar gratuitamente o livreto "Trekking pela Walker's Haute Route - O Guia Completo.

Sexto dia de trekking pela Walker’s Haute Route. A gente tinha passado a noite na Cabane de Moiry, que fica coladinha a um glaciar enorme! Mesmo com a vista incrível, a gente tava preocupado com o estado dos nossos joelhos. A subida até a cabana, de mais de 200 metros, ferrou com tudo! Dormimos preocupados com a descida (que passa pela mesma trilha), sem saber se a gente ia ter capacidade física de continuar o trekking. Mesmo se quiséssemos pegar um ônibus até o próximo destino, teríamos que descer até lá embaixo e pegar o ônibus para a cidade mais próxima.

No dia seguinte, como que por milagre, os joelhos não doíam tanto como no dia anterior. Descemos do dormitório para tomar café com o casal de brasileiros. Não havia ninguém na recepção nesse momento, penso que era por volta das 6 horas da manhã. As opções do café da manhã estavam distribuídas em uma mesa: pão, queijo, manteiga, geleias, iogurte, leite, suco de laranja e mais alguns outros complementos.

Por incrível que pareça, a gente ainda não sabia o nome deles. Se chamavam Paulo e Helena. Nos apresentamos de verdade e trocamos informações de contato. Terminamos o café da manhã, nos despedimos deles, preparamos a comida pra viagem e estávamos prontos para descer. Fomos os primeiros a deixar a cabana. Como íamos descer no nosso ritmo (pra não comprometer os joelhos já no início da trilha), a gente não queria descer com muita gente atrás da gente. A pior coisa que tem é quando tem pessoas querendo passar com um ritmo maior do que o seu. Isso te força inconscientemente a aumentar o seu próprio ritmo, mesmo que por alguns instantes. Imagina isso agora em uma trilha movimentada e em descida? Foi o que fizemos e foi a melhor decisão de todas.

Cabane de Moiry até o Col de Tsatá (84.1 de 135 km)

Nascer do sol no Vale de Moiry. Uma das cenas mais lindas que eu já vi na vida.
Nascer do sol no Vale de Moiry. Uma das cenas mais lindas que eu já vi na vida.

Como planejado, a trilha estava vazia. Silencio total. A gente podia se concentrar nos pensamentos, ouvir a mente, meditar um pouco. A paisagem só ajudava. O Glaciar de Moiry com as montanhas iam incorporando a luz do sol e mostrando um vale dos sonhos, coisa de outro mundo…

As únicas pessoas que nos passaram durante a descida. Descer com menos gente ajudou a gente a manter um ritmo que não forçasse tanto os joelhos.
As únicas pessoas que nos passaram durante a descida. Descer com menos gente ajudou a gente a manter um ritmo que não forçasse tanto os joelhos.

Passo a passo, pedra por pedra, íamos vencendo a descida tão temida no dia anterior. Os joelhos não estavam mais doendo tanto. Isso ajudou bastante na hora de tomar decisão sobre continuar em frente ou pegar um ônibus. Mas não seria uma trilha fácil. Seriam cerca de 13 quilômetros, subindo as montanhas rumo ao Col de Tsaté (2868 m) e descendo as montanhas até a cidade de La Sage.

Terminando a descida, chegamos ao Lac de Chateaupré. Ali, a gente parou pra descansar um pouco e quando a gente olhou pra trás, lá estavam eles, o casal de brasileiros, vindo em um ritmo super rápido. Paulo na frente de Helena. Dalí, eles pegariam a trilha para Zinal e a gente para La Sage.

Vista que a gente tinha do Lac de Chateaupré, com o Glaciar de Moiry atrás.
Vista que a gente tinha do Lac de Chateaupré, com o Glaciar de Moiry atrás.

Conversamos mais um pouco e descobrimos que Paulo e Helena eram alpinistas profissionais. Haviam escalado várias montanhas pelo mundo como o Aconcágua, Kilimanjaro, até montanha de 8000 pra cima o Paulo já tinha feito. Comentei que tínhamos subido o temido Cotopaxi, no Equador e ele deu um sorriso e disse que também já tinha escalado o maior vulcão daquele país. Encontrá-los novamente nos deu ainda mais motivação para não desistir. Era um casal com quilômetros (digo anos) a mais de experiência nos ensinando coisas que não estávamos esperando.

— “Dor no joelho? Sim, tenho”, falava Helena, “mas não me impede de continuar”.

Aquilo ficou na nossa cabeça e tenho quase certeza que foi aquilo que nos fez esquecer a ideia do ônibus e ir em frente conquistar os próximos passes e montanhas. Dores e desconforto? Estavam presentes a cada passo, principalmente nas descidas, mas que tal dar ao corpo a oportunidade de se superar? Foi o que fizemos.

Olhando pra trás no começo da subida até o Col de Tsaté, dava pra ver o Glaciar enorme. Se você forçar a vista vai ver a cabana em algum lugar perto do glaciar.
Olhando pra trás no começo da subida até o Col de Tsaté, dava pra ver o Glaciar enorme. Se você forçar a vista vai ver a cabana em algum lugar perto do glaciar.

A gente se despediu deles e cada casal seguiu o seu rumo. Começamos a trilha com uma subida em zigue-zague bem tranquila, mas constante. Ganhamos altitude e logo estávamos no Col de Tsaté. Chegar ao passe depois da noite anterior foi uma vitória!

Encontramos um americano de Chicago lá em cima. Estava super cansado, quase não conseguia falar, mas foi super simpático com a gente. O cansaço era devido ao esforço pra subir de La Sage até ali (algo em torno de 1600 metros de subida). Pra gente seria uma super descida. Pros nossos joelhos, um desafio a mais.

Col de Tsaté até Les Haudères (91.7 de 135 km)

Começamos a descer e como previsto, os joelhos começaram a reclamar novamente, mas não tinha muita escolha. Uma coisa que lembro e que não deu pra tirar foto foi um avião da força aérea da Suíça que passou rasgando os alpes, bem pertinho da gente. Olhei pra Gabriela com cara de garoto que ganhou um presente (gosto muito de aviões)! Isso explicava os barulhos de avião que a gente ouvia de vez em quando.

Última virada para tirar uma foto do Col de Tsatá indo na direção de La Sage.
Última virada para tirar uma foto do Col de Tsaté indo na direção de La Sage.
Essa foto foi tirada por um britânico que a gente encontrou no caminho. Foi um pouco depois de ter visto o caça suíço nos céus. Ele olhou pra gente com cara de "vocês viram o que eu vi?", mas não falou nada, talvez com medo que a gente não se importasse. Eu queria dizer o mesmo, mas não deu...
Essa foto foi tirada por um britânico que a gente encontrou no caminho. Foi um pouco depois de ter visto o caça suíço nos céus. Ele olhou pra gente com cara de “vocês viram o que eu vi?”, mas não falou nada, talvez com medo que a gente não se importasse. Eu queria dizer o mesmo, mas não deu…

No caminho até lá Sage, passamos por vários outros aventureiros, mas uma família me chamou a atenção. Vinham o pai, a mãe e logo atrás a filha. O problema era que a filha estava chorando, como se estivesse exausta. Depois de uma enxurrada de motivação vinda do casal brasileiro, aquilo jogou um balde de água fria na nossa motivação, pelo menos na minha. Comecei a perguntar qual era o porquê daquilo tudo!

Parada para o almoço. A gente tinha feito uns sanduíches na cabana e levado pra comer no caminho. Um detalhe é que era muito raro a gente achar um lugar com sombra. Tinha que parar no sol mesmo.
Parada para o almoço. A gente tinha feito uns sanduíches na cabana e levado pra comer no caminho. Um detalhe é que era muito raro a gente achar um lugar com sombra. Tinha que parar no sol mesmo.

A descida foi na superação. O joelho doía e tinha que mudar constantemente a posição da pisada pra evitar uma dor maior. A gente até chegou a cortar caminho na trilha pela mata pra diminuir um pouco o percurso e chegar em La Sage mais rápido. Quando digo cortar caminho, a gente invadiu delicadamente as propriedades alheias pra poder chegar mais rápido (não conta pra ninguém…). O plano seria chegar em La Sage, pegar um ônibus para Les Haudères, e de lá outro ônibus para La Gouille. O trekking do próximo dia começaria em Arolla.

Última vila antes de chegar em La Sage.
Última vila antes de chegar em La Sage.

Les Haudères até La Gouille (ônibus 382) e o Hostel Pension du Lac Bleu

Chegamos tarde de mais para pegar o ônibus entre Lá Sage e Les Haudères, e tivemos que andar mais dois quilômetros pra chegar a tempo de pegar o outro ônibus para La Gouille (não adiantou nada cortar caminho heueheuhe). Felizmente, conseguimos chegar a tempo pro ônibus e ainda deu pra passar no mercado e se reabastecer pros próximos dias. Nos sentamos em um banquinho e ficamos alí esperando o ônibus por alguns minutos. As dezessete horas, pegamos o ônibus carpostal até La Gouille.

La Gouille é uma cidadezinha bem pequena com umas 5 ou 6 casinhas, fincada bem no meio de duas cadeias de montanha enormes. O nosso hotel era a maior casa da cidade. Entramos, resolvemos a burocracia para o quarto e perguntamos se eles tinham gelo. Foi o primeiro hotel que tinha gelo.

O hostel tinha a pior estrutura que encontramos durante o trekking (reserva feita direta no site do hostel). Os travesseiros e cobertores estavam fedidos, sujos e chegamos a ver alguns carrapatos andando no chão do quarto. Pensando bem, acho que devíamos ter ficado em Les Haudères e pegar o primeiro ônibus do dia no dia seguinte. Daria na mesma. Les Haudères tem uma estrutura melhor de hospedagens.

Preparamos as coisas pra dormir, saímos, pegamos o gelo, enrolamos em um pedaço de pano, colocamos sobre os joelhos e pedimos um chocolate quente. Ficamos sentados fora do hostel curtindo o final do dia, enquanto cuidávamos dos joelhos. Isso ajudou bastante!

Quer apoiar o Férias Contadas?

Sabe aquela coisa de que você não precisa ser milionário pra ajudar os projetos que você acredita? Pois bem! É assim que a gente funciona. Você pode apoiar o nosso filho Ferias Contadas de várias formas: curtidas, comentários e compartilhamento dos posts, inscrição na newsletter, apoio financeiro e o céu é o limite (até massagem no pé tá valendo hehehe)!

Quer apoiar a gente? CLIQUE AQUI pra saber como!

Deixe um comentário!