Traversée des McGerrigle - Dia 2 - Mont Xalibu e Lac aux Américans

Traversée des McGerrigle – Dia 2 – Mont Xalibu e Lac aux Américans

Segundo dia do trekking pela Traversée des McGerrigle. Passamos a noite no alto das montanhas McGerrigle, no acampamento La Camarine. A noite foi bem tranquila e muito gelada. Os sacos de dormir e os casacos que levamos foram mais que o suficiente para passar uma noite confortável e quentinha. Nossos objetivos do dia? Conquistar o Mont Xalibu e terminar o nosso trekking, em uma trilha totalizando 15 km.

Café da manhã e preparativos para deixar o camping La Camarine

Acordamos com um barulho estranho do lado de fora da barraca. Eram 6 horas da manhã. Não parecia nenhum animal grande. Lembrava bastante o som de asas batendo. Quando saímos, nenhum traço de animal ou pessoa. Éramos os primeiros a acordar em todo o acampamento. Bom, vida que segue.

O sol já estava de pé, mais o céu estava nublado. A gente levantou, arrumou as coisas dentro da barraca, pegou nossa comida que a gente deixou no banheiro por causa dos ursos e começou a preparar o café da manhã. No cardápio: ovos rancherios e café passado na hora. Os ovos eram também da mesma marca do nosso jantar do dia anterior, mas o preparo era um pouco diferente.

Dessa vez a gente precisava ferver a água, colocar dentro do recipiente, fechar, esperar por 15 minutos e depois disso, era preciso cozinhar toda a mistura em uma panela antiaderente ou com um pouco de óleo. A gente não tinha levado óleo e até aquele momento, a gente não sabia se a nossa panelinha era antiaderente. Colocamos a mistura dentro da panela e graças ao bom Deus, nada grudou e tivemos os melhores ovos rancheiros de pacote das nossas vidas.

Rumo ao cume do Mont Xalibu

Terminado o café da manhã, limpamos as coisas, desarmamos a barraca e colocamos tudo dentro das mochilas. Era por volta das 7h da manhã quando deixamos o acampamento. Assim como fomos os primeiros a acordar, fomos os primeiros a sair. A gente não queria perder nenhum minuto.

Mais sobre o Mont Xalibu

O Mont Xalibu é uma da maiores montanhas do Québec, com 1120 metros de altura. O seu nome significa “Caribu” em algonquim, lingua falada pelo povo Algoquino. O nome não poderia ser mais explicativo. Assim como o Mont Jacques-Cartier, aqui você vai poder ver os famosos Caribus. Além da fauna, muitas pessoas são atraídas pelas vistas que o Mont Xalibu proporciona do seu cume, mas também pelo Lac aux Américans, um lago imenso situado na base da montanha.

Tirei essa foto somente pra mostrar que a trilha fazia parte da SIA/IAT (Sentier International des Appalaches / International Appalachian Trail).
Simpático, não?
Simpático, não?
Refúgio Le Tétras.
Refúgio Le Tétras.

A trilha inicialmente passava dentro da floresta. O clima estava agradável mesmo com o céu nublado e o sol ainda estava tímido por trás das nuvens. Continuando a trilha, nos deparamos com pequenas aves, pareciam galinhas, mas menores e mais coloridas. Eram perdizes, bem comuns aqui no Canadá. O interessante é que não pareciam ter medo da gente. Quando a gente ia se aproximando, se o passo fosse um pouco mais brusco do que o esperado, saiam da trilha voando. E o barulho das asas era idêntico ao que ouvimos perto da barraca quando acordamos.

Placa informando sobre a fragilidade da vegetação alpina no alto das montanhas da região. As madeiras no chão foram colocadas justamente para evitar a degradação dessa vegetação.
Placa informando sobre a fragilidade da vegetação alpina no alto das montanhas da região. As madeiras no chão foram colocadas justamente para evitar a degradação dessa vegetação.
Daqui já dava pra ver o cume do Mont Xalibu. Não existe sensação melhor do que os momentos anteriores à chegada ao cume de uma montanha...
Daqui já dava pra ver o cume do Mont Xalibu. Não existe sensação melhor do que os momentos anteriores a chegada ao cume de uma montanha…

Continuando, a trilha foi dando espaço a mais pedras e de uma hora pra outra, parecia que estávamos novamente perto do cume do Mont Jacques-Cartier. Mas na verdade, estávamos chegando no cume do Mont Xalibu. Até o vento lembrava a nossa experiência do dia anterior, só que em uma intensidade menor. Do cume, mesmo que timidamente, as nuvens iam abrindo espaços e mostrando as montanhas e os lagos ao redor. Mais ao fundo, o imponente Mont Albert, marrom, destoante de toda a paisagem…

Cume do Mont Xalibu com muitas nuvens!
Cume do Mont Xalibu com muitas nuvens!
As nuvens foram desaparecendo e as montanhas ao redor do Mont Xalibu foram aparecendo. Ao fundo, o imenso Mont Albert!
As nuvens foram desaparecendo e as montanhas ao redor do Mont Xalibu foram aparecendo. Ao fundo, o imenso Mont Albert!

O que mais marcou, entretanto, é que éramos as únicas pessoas no cume. O Mont Xalibu, famoso entre os amantes de montanhas das redondezas, era todo nosso, mesmo que por alguns minutos. Aproveitamos para tirar fotos, observar todos os ângulos da montanha, sorrir! Tudo que a gente não tinha sentido no dia anterior no Mont Jacques-Cartier devido ao forte vento, a gente estava sentindo ali, no alto do Mont Xalibu.

O Lac aux Américans

Depois de passar um belo momento no cume do Mont Xalibu, demos meia volta, e começamos a descida. Essa parte foi também muito marcante. A paisagem (a trilha, as pedras, a vegetação, montanhas, etc.) lembrava bastante a Suíça e o trekking que fizemos por lá (leia mais aqui). Isso também valia para a dificuldade da descida. Seriam mais de 800 metros de descida, repartidos em cerca de 10 km de trilha.

Essa parte da trilha foi uma das mais lindas dos dois dias de trekking. Mesmo com a descida continua, a paisagem fazia a experiência ser menos cansativa para os joelhos.
Essa parte da trilha foi uma das mais lindas dos dois dias de trekking. Mesmo com a descida continua, a paisagem fazia a experiência ser menos cansativa para os joelhos.
Lac Caplan.
Lac Caplan.

Alguns minutos depois, começamos a ver as primeiras pessoas que subiam rumo o Mont Albert. No começo eram poucas, dava pra contar no dedo. Minutos depois, a trilha já estava repleta de pessoas e a gente tinha que parar e dar a passagem constantemente, o que nos atrasou um pouco. Uma dessas pessoas era um rapaz, francês que começou a puxar assunto:

— “Oi, vocês vinheram do Mont Xalibu?”, ele perguntou.

— “Sim, é lindo! A vista de lá é incrível. Só está ventando um pouco… E a trilha na descida, como está?”.

— “Está ótima. Vocês vão amar o Lac aux Américains. É lindo!”.

Lac aux Américains, lindo? Será que ele não estava exagerando? Geralmente os lagos nas trilhas que a gente faz por aqui são bonitos, mas nada fora do comum… Bom, a gente continuou a descida até o tal lago. A trilha até ele era meio escondida. Ficava atrás de um refúgio. Gabriela olhou pra mim, eu olhei pra ela, e foi como se a gente tivesse dito: “Ah, vamos ver o lago logo, a gente já tá aqui, o que podemos perder, não é?”. Pois bem. Ainda bem que tomamos essa decisão.

Refuge Le Pergélisol.
Refuge Le Pergélisol.
Lac aux Américains, Parc National de la Gaspésie.
Lac aux Américains, Parc National de la Gaspésie.

O Lac aux Américans era lindo. Era cercado por montanhas. Era diferente de todos os lagos que a gente visitou até então por aqui! A dica do nosso colega francês foi certeira. O local estava bastante cheio quando chegamos. Pelo que a gente viu, o Lac aux Américains é uma das atrações principais da região. Deu tempo de encontrar um espaço no deck, tirar as fotos e ficar apreciando por alguns minutos antes de retomar pra trilha.

Finalizando o trekking pela Traversée des McGerrigle

Continuamos a trilha até o estacionamento (que a galera usa pra acessar o Mont Xalibu), e viramos a direita, rumo à trilha que levava ao centro de acolhimento do parque. Eram mais uns 7 quilômetros de trilha e em uma sessão meio deserta. Como a gente estava fazendo o sentindo contrário da IAT (International Appalachian Trail), a galera que faz essa trilha tinha passado alí no período da manhã. Já era de tarde, e não vimos uma alma penada se quer pelo caminho.

Início dos últimos 7 quilômetros finais da trilha até o centro de acolhimento do parque.
Início dos últimos 7 quilômetros finais da trilha até o centro de acolhimento do parque.

Daí você se pergunta… por que se preocupar em ter gente na trilha, rapaz? Não temos nenhum problema com isso. O único “porém” é que uma trilha menos movimentada pode atrair mais animais, dentre eles os ursos. Não sei você, mas a gente não queria ter que topar com eles durante a descida. Mesmo levando spray anti-ursos e sabendo todo o protocolo em caso de encontro, o melhor é não encontrar! Ver de longe talvez, mas só de longe mesmo.

Momentos finais do trekking. Pra finalizar com chave de ouro, uma vista incrível do imenso Mont Albert.
Momentos finais do trekking. Pra finalizar com chave de ouro, uma vista incrível do imenso Mont Albert.

Felizmente, nenhum urso apareceu no nosso caminho e quilômetros depois, a gente havia chegado ao lugar de partida. Foram mais de 25 km de trilha, desbravando duas das maiores e mais emblemáticas montanhas dos Chic-Chocs e fazendo um pedacinho da famosa trilha internacional dos apalaches. Foi um trekking bem gostoso, com muito contato com a natureza e por incrível que pareça, mesmo com o corpo bem cansado necessitando de banho e de cuidados, a nossa mente estava limpa e relaxada! No final, é isso que a gente sempre busca em uma trilha… limpar a mente e a alma!

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