Último descanso e última foto da descida. Depois disso, foi muito esforço, mas conseguimos!

Vulcão Cotopaxi – O que levar para alcançar ao cume

Quer saber o que levar pro Cotopaxi? Nesse post vamos listar tudo que você precisa levar pra chegar ao cume do Cotopaxi...

Uma das tarefas mais importantes antes de se fazer um hiking ou trekking é saber o que levar dentro da mochila. Imagina agora o que levar pra escalar com sucesso o maior vulcão ativo do Equador, o Cotopaxi, com 5897 metros de altura? Sentiu a pressão?

A lista abaixo não é definitiva, muito menos obrigatória, e você pode fazer alterações quando necessário. A lista de recomendações é baseada no que a gente usou durante a nossa aventura pra conquistar o cume do Cotopaxi e também nas nossas preferências pessoais quando o assunto é alpinismo. Muitos dos itens que a gente vai listar foram comprados no exterior, mas a gente vai te dar boas alternativas que podem ser achadas, por exemplo, na Decathlon.

Por fim, o mais importante de tudo é que o que você vai levar na sua mochila para conquistar o Cotopaxi seja de boa qualidade e confiável.

O que levar para o Cotopaxi?

Se você que alcançar o cume do Cotopaxi com segurança, a seguinte lista de equipamentos é recomendada. É preciso frisar que as consequências da não utilização dos itens listados, principalmente os itens de segurança, é de sua inteira responsabilidade.

Lembre-se sempre de pensar no peso e no que é realmente essencial. Mesmo que você não vá levar tudo que trouxer pro cume (boa parte fica no refúgio esperando a sua volta), levar coisas desnecessárias é sempre uma má ideia. Reflita bem, leve o que realmente for usar lá em cima.

Verifique também com o seu guia ou agência quais equipamentos já estão inclusos no preço. No nosso caso, tivemos que alugar tudo que não tínhamos, como, por exemplo, as botas, as mittens, o harnais, o mosquetão e por aí vai.

Vestimenta

Usamos o tradicional sistema de camadas para alta montanha: base layer ou segunda pele, mid-layer ou camada intermediária e outer-layer ou camada externa. A base layer ou segunda pele é responsável por reter o seu calor e, ao mesmo tempo, permitir que a transpiração seja retirada do seu corpo. A mid-layer é toda peça de roupa que possibilita a saída da transpiração, mas, ao mesmo tempo, permite a entrada de ar (respiração da pele). Já a outer-layer, essa é responsável pela proteção contra os elementos, é o seu escudo contra neve, vento, chuva, etc.

Segunda Pele

1x blusa Segunda pele feita de preferência merino wool (lã merino). Ela vai ser usada principalmente no dia do ataque ao cume. Ela mantém a temperatura corporal enquanto retira a transpiração do corpo para as camadas exteriores.

Veja alguns exemplos de blusas de segunda pele nos links abaixo.


1x par de calças segunda pele também de preferência feita de lã merino ou de materiais sintéticos. O objetivo é o mesmo que a blusa segunda pele, manter o calor do corpo, retirando a transpiração para as camadas exteriores. Você vai usar principalmente durante a noite e no ataque ao cume.

A gente usou um par de calças da Eddie Bauer (Midweight Freedry Merino Hybrid Baselayer Pants) composta de 48% merino wool, 48% polyester e 4% spandex.

Veja alguns exemplos de calças de segunda pele nos links abaixo.


1x par de luvas finas sintéticas que vão em contato com a pele. Usamos as luvas Trek 500 Mountain Liner da Quechua. O objetivo é reter o calor e jogar a transpiração para as camadas superiores da mesma forma que nas pernas e no tronco.

Veja alguns exemplos de luvas nos links abaixo.


1x par de meias finas ou liners. Elas vão ser a primeira camada de meias que você vai usar durante a subida ao refúgio e o ataque ao cume. Essa meia mais fina é muito importante para evitar a criação de bolhas devido à fricção da meia mais grossa (abaixo) com as botas e também tirar rapidamente a transpiração do pé, evitar congelamento e perda de calor.

A gente usou um par de meias da Icebreaker (Hike Liner Crew) composta de 55% merino wool, 43% nylon e 2% Lycra.

Veja alguns exemplos de meias liners nos links abaixo.


1x par e meias de hiking/trekking convencionais para o dia da subida até o refúgio José Rivas. Você pode usar as meias liners se quiser com as meias de hiking pra subir até o refúgio.

Veja alguns exemplos de meias de hiking nos links abaixo.


1x par de meias de expedição mais grossas que vão até o joelho. Elas podem ser feitas de material sintético, mas aconselho que tenha a maior parte da composição em lã merino, pra aumentar a retenção do calor e o conforto, além de proporcionar uma boa transpiração.

Usamos um par de meias da Darn Tough (Mountaineering Over-the-Calf Socks) composta de 73% merino wool, 25% nylon e 2% spandex.

Veja alguns exemplos de meias de expedição nos links abaixo.


1x bandana daquelas que você pode cobrir o rosto e, ao mesmo tempo, proteger a cabeça. A trilha até o refúgio, principalmente nos meses de mais seca pode ficar muito empoeirada. Altitude e poeira não combinam muito. No nosso caso, ela também serviu de protetor de cabeça (você pode levar um boné também se quiser).


1x touca de lã convencional para usar na cabeça durante a noite no refúgio e no dia do ataque ao cume. A gente tinha daquelas dos incas, sabe? Funcionou bem!

Veja alguns exemplos de toucas no link abaixo.


1x Balaclava para proteger a cabeça durante o ataque ao cume. Ela deve ser feita de materiais sintéticos. Foi a única coisa que usei durante a subida e foi o suficiente.

A gente usou uma balaclava da Outdoor Research Option composta de 63% nylon, 23% polyester e 14% spandex.

Veja alguns exemplos de balaclavas nos links abaixo.

Camada Intermediária

1x Camiseta de manga comprida Dry-Fit comum. Uma é o suficiente, mas se quiser levar uma para o primeiro dia (subida até o refúgio) e outra para o ataque ao cume está tudo bem. O que importa aqui é que a camiseta seja de material sintético para permitir a transpiração.

Usei uma camiseta velha de uma corrida que participei anos atrás. Funcionou perfeitamente.

Veja alguns exemplos de camisetas nos links abaixo.


1x Fleece Polartec 100 ou semelhante. Esse é um fleece mais leve, o que permite uma boa transpiração sem perder a capacidade de aquecimento. Levamos também um fleece Polartec 200, mais grosso, mas o guia nos disse que não seria necessário, então deixamos no refúgio antes do ataque ao cume.

Veja alguns exemplos de fleeces nos links abaixo.


1x Jaqueta softshell pra ser a primeira camada de proteção contra os elementos (vendo e água). Ela deve ser leve, respirável, ter uma boa capacidade de cortar o vento e ser resistente à água. Um capuz que comporte o uso do capacete pode ser útil.

A gente usou a jaqueta Ferrosi Hooded da Outdoor Research. Essa foi uma das melhores aquisições que fizemos.

Veja alguns exemplos de jaquetas softshell nos links abaixo.


1x par de calças softshell. Ela deve ser leve, resistente à água (DWR aplicado) e resistente contra impactos e rasgos.

A gente usou a Outdoor Research Cirque. Simplesmente perfeita! Tem tudo que uma calça softshell tem que ter. Além disso, permite ajustes na cintura e nos calcanhares. Não levamos nenhuma calça hardshell (e graças a Deus não precisamos), mas pensando bem, talvez na próxima eu levaria, no caso de algum imprevisto.

Veja alguns exemplos de calças softshell/hardshell nos links abaixo.


1x Par de luvas Outdoor Research PL Base Sensor composta de Radiant Fleece 63% nylon, 23% polyester e 14% spandex. Foi o suficiente até perto do cume, quando começou a fazer mais frio e tivemos que colocar àquelas luvas sem dedos, próprias para frio extremo. Na Decathlon você vai achar algo parecido (link abaixo).

Veja alguns exemplos de luvas nos links abaixo.

Camada Externa

1x Anorak ou jaqueta hardshell que vai ser a sua camada de proteção final contra os elementos (chuva, vento e neve). O capuz deve ter espaço suficiente para ser usado com o capacete. Além disso, ela deve ter algum sistema de ventilação, como zíperes embaixo dos braços, sem expor muito as camadas interiores aos elementos.

Nós usamos a Hydrofoil Stretch da MEC (uma marca canadense). Uma jaqueta a prova de água e vento, respirável, com 2,5 camadas Pertex Shield, 40-Denier. Não posso reclamar dessa jaqueta. Fez o trabalho nos mantendo secos e protegidos do vento durante toda a subida ao cume do Cotopaxi.

Veja alguns exemplos de jaquetas anorak nos links abaixo.


1x Jaqueta de pena de ganso de no mínimo 650 fill-power. Você vai usar principalmente quando estiver parado, seja no refúgio José Rivas, ou no cume, antes da descida.

Usamos a jaqueta Downlight Stormdown da Eddie Bauer. Ela tem um fill-power de 800, o que foi o suficiente pra manter a gente quente quando precisava.

Veja alguns exemplos de jaquetas nos links abaixo.


1x Par de luvas Mittens. Não sei exatamente a marca e a composição das luvas que usamos no Cotopaxi, pois usamos luvas alugadas. Entretanto, essas luvas são itens importantíssimos e indispensáveis para alta montanha. Elas protegem as mãos da neve e do frio extremo. Usamos elas na parte final da subida ao cume e quase durante toda a descida.

Veja alguns exemplos de luvas (mittens) nos links abaixo.


1x Par de gaiters ou polainas à prova de água e com boa capacidade de transpiração. Gaiters feitos com Gore-Tex ou semelhantes são aconselhados. Elas vão ser úteis pra evitar que neve entre nas suas botas. Tenha certeza que elas vão caber com todas as camadas de calças já colocadas. A gente comprou uma que não coube com todas as camadas e a gente acabou subindo sem. Nós usamos o Kokanee Gore-Tex da MEC.

Veja alguns exemplos de gaiters nos links abaixo.

Equipamentos e Acessórios

No quesito equipamentos, não tem muito pra onde correr. Para escalar o Cotopaxi são exigidos uma série de equipamentos, que podem ser relativos à segurança, como, por exemplo, o capacete, ou à proteção de alguma parte específica do corpo, como os óculos de sol. Todos foram importantes e são itens obrigatórios.

1x Capacete de alpinismo. Usamos o capacete da Black Diamond Hald Dome e só temos elogios para esse capacete. Ele é um dos mais indicados por aí. No dia de ataque ao cume do Cotopaxi, vi várias pessoas usando o mesmo capacete. E não é por menos, é resistente, ajustável e o melhor, barato. Foi uma das melhores aquisições que fizemos.

Veja alguns exemplos de capacetes nos links abaixo.


1x Lanterna de cabeça com pelo menos 120 lumens. Você vai usar no refúgio e durante o ataque ao cume (começa às 23h da noite).

Nós levamos a Black Diamond Spot Headlamp e foi simplesmente a escolha perfeita. Seus LEDs ligados em potência máxima produzem 300 lúmens, o que é mais que suficiente para alta montanha. Ela também é a prova de água (IPX8) e tem vários modos de iluminação que podem ser úteis.

Veja alguns exemplos de lanternas de cabeça nos links abaixo.


1x Harnais ou cadeirinha que vai ser usado durante o ataque ao cume. Usamos um da Petzl que alugamos direto com a agência em Quito. Não eram os mais leves que a marca disponibiliza. Normalmente a agência também cobra o aluguel do mosquetão, mas no nosso caso, o guia já tinha os que ia precisar.

Veja alguns exemplos harnais nos links abaixo.


1x Par de botas de montanha. Podem ser duplas plásticas ou de couro/parede simples. Usamos a Scarpa Inverno (Gabriela usou outro modelo). Cada uma pesava 1,2 kg. Elas eram alugadas, pois, são itens muito caros e de uso específico. Se você faz alta montanha constantemente, penso que vale a pena comprar, se não alugar é o esquema. Posso dizer que sem elas, não sei como seria a subida. São extremamente estáveis e quentes. Entretanto, vi várias pessoas com botas mais leves (também de montanha), mas que talvez valham mais a pena pelo peso e mobilidade.

Veja alguns exemplos de botas nos links abaixo.


1x Par de crampões para montanhismo da Petzl. Também alugamos os crampões com a agência. São itens pesados que são usados somente quando chegamos ao glaciar do Cotopaxi. Sem eles, é praticamente impossível subir ao cume. Na descida, também ajudam na fixação dos pés no gelo evitando deslizes e acidentes.

Veja alguns exemplos de crampões nos links abaixo.


1x Piolet de travessia ou ice axe. Eles foram usados durante o ataque ao cume do Cotopaxi. Era a nossa primeira vez usando esse equipamento, mas depois de alguns minutos já parecia natural saber como usá-los. São importantes principalmente para o apoio na montanha durante a subida e descida, mas também durante uma queda, quando são usados como freio.

Veja alguns exemplos de piolet de travessia nos links abaixo.


2x Trekking poles ou bastões de caminhada. Foram um dos itens que mais usamos no Cotopaxi. Usamos os bastões Diamond Trail Ergo Cork e foram usados tanto na subida ao refúgio José Ribas como no ataque ao cume (só usamos 1 com um adaptador para neve profunda). Eles já vêm nos acompanhando em todos os hikings e trekkings que fazemos por aí e são excelentes. São expansivos, podendo chegar até 140 cm.

Veja alguns exemplos de bastões de caminhada nos links abaixo.


1x Óculos de neve ou de montanhismo que tem proteção 100% UV. Não muito importante durante as primeiras 6 horas de subida, mas extremamente necessário no cume. A incidência de raios UV no topo do Cotopaxi é muito maior do que estamos acostumados no cotidiano de uma cidade. Se os olhos forem expostos por muito tempo sem nenhuma proteção a famosa cegueira da neve por acontecer. Muitos alpinistas também escolhem usar óculos escuros com proteção lateral. Vai do que você achar melhor.

Veja alguns exemplos de mochilas no link abaixo.


1x Mochila de expedição de no mínimo 50L à 70L. Ela vai ser usada para levar todo o equipamento até o refúgio José Rivas. Essa mochila fica no refúgio durante o ataque ao cume, que é feito com uma mochila menor de no máximo 30L.

Usei a mochila Osprey Volt 75L e foi na medida pra levar tudo que a gente ia precisar durante o dia no refúgio e também durante o ataque ao cume do Cotopaxi.

Veja alguns exemplos de mochilas nos links abaixo.


1x Mochila pequena de 20L da Osprey DayLite Plus para o dia do cume. Foi o suficiente, mas re-analisando, eu iria com uma mochila um pouco maior e que tivesse suporte para trekking poles ou ice axes. Tivemos que improvisar os lugares pra colocar alguns equipamentos e isso me tirou do sério algumas vezes.

Veja alguns exemplos de mochilas nos links abaixo.


1x Saco de dormir com temperatura de conforto de 0 à -5 graus vai ser o suficiente. Usamos durante a noite no refúgio José Rivas. Isolação com penas de ganço é geralmente melhor, mas hoje em dia você vai encontrar isolações sintéticas tão boas quanto. Considere também um saco de dormir leve e com volume compactado pequeno. Vai te dar mais espaço na mochila e ainda mais conforto com menos peso pra carregar.

Veja alguns exemplos de sacos de dormir nos links abaixo.

Alimentação

Como o ataque ao cume exige bastante, qualquer peso extra pode atrapalhar. É por isso que levamos pouca comida e bastante líquido. Pro cume, levamos o seguinte (por pessoa):

  • 2x Barrinhas de proteína Clif.
  • 1x Pacotinho preparado pelo nosso guia com frutas e pacotinhos com amendoim, milho seco, e uma barrinha de cereais.

Hidratação

Pra uma subida de 6-7 horas e mais 2-3h de descida, tivemos que levar bastante líquido. Esse foi basicamente o principal do que levamos na mochila. Em resumo, o que levamos para beber foi:

  • 1x Garrafa de Gatorade.
  • 1x Garrafa de água de 1L da Nalgene. A garrafa tem que ser de plástico que isola melhor à água e impede o congelamento imediato.
  • 1x Garrafa térmica com chá preparado no Refúgio José Ribas. Isso se você quiser ter algo quente pra beber na subida. Particularmente, pra gente não foi muito útil. Quando abrimos para beber, o chá já estava morno.

Conclusão sobre o que levar para o Cotopaxi

Para subir o Cotopaxi tivemos que nos planejar e nos preparar com os equipamentos certos. Não basta somente ter condicionamento e força de vontade. A escolha dos equipamentos e vestimenta pode fazer toda a diferença para o sucesso, assim como para o fracasso na hora de atacar o cume. A regra vale pro Cotopaxi e para qualquer alta montanha. Planeje com calma, pesquise bastante e sempre coloque a segurança e o conforto em detrimento do preço. Boa montanha pra você!

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