Nosso Roteiro pela Suíça - Trekking pela Walker's Haute Route

Nosso roteiro pela Suíça – Trekking pela Walker’s Haute Route

Trekking pela Walker’s Haute Route – O Guia Completo

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Já pensou em fazer trekking na Suíça? Muita gente vai pra lá pra conhecer as principais cidades, consumir bons queijos e viver a cultura da Suíça. Mas poucas pessoas sabem que o país é repleto de trilhas que ligam pequenas vilas e refúgios no alto das montanhas. Foi por isso que resolvemos fazer o trekking pela Walker’s Haute Route e viver uma aventura diferente por lá.

A Walker’s Haute Route é uma variação simplificada da famosa Haute Route, feita normalmente com o uso de skis e que atravessa os maiores montes dos Alpes franceses, suíços e italianos. É considerada um dos 10 melhores circuitos de trekking do mundo e um dos mais belos, desbancando até o famoso trekking do Mont Blanc (TMB). Pra falar a verdade, muitas pessoas acabam fazendo o TMB sem saber da existência da Walker’s Haute Route. Uma pena!

Qual foi o nosso itinerário?

A rota clássica, popularizada pelo guia Trekking Chamonix to Zermatt – The Classic Walker’s Haute Route, parte de Chamonix, na França, coladinho ao Mont Blanc, e atravessa vilarejos, florestas, vales incríveis, glaciares, tudo isso próximo a 3000 metros de altura. O percurso tem a duração média de 2 semanas. São 180 km de trilha. O destino final é a cidade de Zermatt, na Suíça, com o famoso Matterhorn (a montanha que estampa a embalagem daquele chocolate Toblerone, sabe? Humm…) de plano de fundo.

Mas como a gente não é bobo nem nada, que tal fazer algo diferente? Como a gente gosta de ser do contra, decidimos fazer o itinerário no sentido inverso, com algumas adaptações (sim você pode adaptar como quiser!). Tínhamos somente 15 dias de férias (não é a toa que o site chama Ferias Contadas ehueheu) e queríamos conhecer algumas cidades da Suíça, como Zurique, Genebra e Berna. Portanto, não poderíamos fazer os 14 dias recomendados para o trekking completo. Decidimos fazer tudo em 10 dias, cortando os trechos menos importantes (mais fáceis ou com paisagens menos extraordinárias, se é que isso existe nos Alpes!) e chegamos ao seguinte itinerário:

Dia 1: Zermatt – Cabana Europa Hut
Dia 2: Cabana Europa Hut – Grächen
Dia 3: Grächen – Gruben
Dia 4: Gruben – Zinal
Dia 5: Zinal – Cabane Moiry
Dia 6: Cabane Moiry – La Gouille
Dia 7: La Gouille – Cabane de Prafleuri
Dia 8: Cabane de Prafleuri – Cabane du Mont Fort
Dia 9: Cabane du Mont Fort – Martigny
Dia 10: Martigny – Chamonix

Dia 1 – Zermatt até Europa Hut

Último viewpoint do Matterhorn rumo à cabana Europa Hut - Trekking Suiça.
Último viewpoint do Matterhorn rumo à cabana Europa Hut.

Tudo começou em Zermatt, no coração dos Alpes suíços. Chegamos em Zermatt por uma viagen de trem bem corrida, com origem em Zurique. Chegamos na madrugada do dia que iniciaríamos o trekking. Só deu tempo pra tomar banho e correr pro quarto pra descansar para o primeiro dia de trilha. Seriam os primeiros 22 quilômetros de trilha. Saímos de Zermatt, subimos o vale de Mattertal e pegando a famosa trilha Europeweg com destino à Europa Hut, uma cabana/refúgio no alto das montanhas. Além de todas as vistas incríveis no meio do caminho (incluindo o famoso Matterhorn) e todos os precipícios enormes, o destaque do dia foi passar pela maior ponte suspensa por cabos de aço do mundo. Sim, eram quase 500 metros de ponte! Bom, posso adiantar que chegamos exaustos na cabana. Esse foi só o primeiro dia, imagina os demais…

Dia 2 – Europa Hut até Grächen

A trilha entre Randa e St Niklaus era praticamente toda assim. Foi um descanso para as pernas e joelhos.
A trilha entre Randa e Saint-Niklaus era praticamente toda assim. Foi um descanso para as pernas e joelhos.

Segundo dia na Walker’s Haute Route. A gente decidiu não continuar pela Europeweg e descemos o vale de Mattertal pra continuar a trilha por baixo. Passamos pelos vilarejos de Randa e Herbriggen, antes de chegar em Saint-Niklaus, nossa penúltima parada do dia. Nosso destino seria a cidade de Grächen. No total, foram quase 14 quilômetros de percurso desde a cabana Europa Hut até o nosso hotel em Grächen. Indo por baixo pelo vale, a gente abriu mão das paisagens das montanhas, pra ganhar uma experiência cultural incrível, vivenciando a vida das pequenas cidadezinhas da Suíça e dos seus habitantes. A propósito, os suíços sempre foram muito simpáticos com a gente. Eram crianças indo/saindo da escola, pessoal fechando as lojas pra tirar o cochilo do almoço – foi uma delícia ver a rotina daquela gente.

Dia 3 – Grächen até Gruben

A borboleta e o pássaro lá no fundo fizeram questão de aparecer na foto - Trekking Suiça.
A borboleta e o pássaro lá no fundo fizeram questão de aparecer na foto.

Depois de dormir em um hotel fantasma (conto mais se você comentar nesse post!), a gente começou a trilha de Jungen, acessível de teleférico a partir de Saint-Niklaus, e de onde a gente teve uma das mais lindas vistas de todo o trekking (foto acima). De Jungen, a gente pegaria a trilha até Gruben e passaria o nosso primeiro passe de todo o trekking, o Augstbordpass (2894 metros). Quando chegamos na parte mais alta do passe, era uma alegria imensa, mesmo estando mega cansados por causa da subida. Chegando em Gruben, depois de passar por um bosque lindo. Descobrimos uma vilazinha simpática e acolhedora. A gente chegou no hotel acabados, com as pernas doendo e os joelhos em estado crítico por causa do peso da mochila. O cansaço era tamanho, que a gente ficou o restante do dia se questionando se continuaria ou não…

Dia 4 – Gruben até Zinal

Glaciar de Turtmanntal, pra mim um dos mais lindos dos Alpes.
Glaciar de Turtmanntal, pra mim um dos mais lindos dos Alpes.

Quarto dia de trekking pela Walker’s Haute Route e sem dúvidas, o dia mais decisivo de todos. Seriam 17 quilômetros até a cidade de Zinal, localizada no vale de Zinal. A cidade foi a primeira de língua francesa de todo o trekking. Ainda estávamos pensativos sobre a nossa decisão de continuar. No dia anterior, a gente juntou um monte de coisa que julgamos não necessários e deixamos lá mesmo no hotel (você não leu errado, a gente deixou quase metade do conteúdo das nossas mochilas no hotel). Pequeno parentese pra essa situação – a gente tinha feito as mochilas com muito carinho, só com os acessórios que a gente julgava necessários – acontece que fazer trilha carregando muito peso não costuma ser prazeroso. O resultado não tinha como ser outro. Tivemos que deixar quase metade de tudo no hotel. Por isso, aprenda com os nossos erros – só leve na mochila o que for EXTREMAMENTE NECESSÁRIO – quanto mais leve, mais você vai curtir o passeio. Partimos mais leves, mas sem saber se terminaríamos o trekking – mesmo com a mochila mais leve, os joelhos estavam bem judiados! Falando da trilha, o ponto mais alto do dia foi o passe Col de la Forcletta, a 2874 metros. Como conclusão do dia, o peso a menos nas costas fez tudo parecer melhor. Estávamos mais felizes e dispostos! Em Zinal, fomos acolhidos no nosso hotel por uma senhora super simpática que fez o nosso dia terminar com chave de ouro.

Dia 5 – Zinal até Cabane Moiry

Quinto dia de trekking pela Walker’s Haute Route e incríveis 66 quilômetros percorridos. Faltavam um pouco mais do que a metade até o nosso objetivo final. Nesse dia, a gente teria que ir de Zinal até a Cabane de Moiry, o nosso primeiro refúgio da trilha, localizada pertinho da barragem e do glaciar de Moiry. Esse foi um dia muito agradável. A maior parte da trilha era contornando o Lac de Moiry, imenso, cor azul esmeralda. A parte final, entretanto, foi mais complicada. Pra chegar até o refúgio, a gente teve que subir umas centenas de metros. Mas o esforço valeu a pena. Vista que recompensou tudo, mas não tirou as dores nos joelhos que nunca estiveram maiores. Ha! E quase ia me esquecendo, a gente conheceu um casal de brasileiros super simpáticos que nos ensinou bastante sobre perseverança e determinação. A energia boa deles foi decisiva pra gente continuar.

Dia 6 – Cabane Moiry até La Gouille

Vista que a gente tinha do Lac de Chateaupré, com o Glaciar de Moiry atrás.
Vista que a gente tinha do Lac de Chateaupré, com o glaciar de Moiry atrás.

Sexto dia de trekking pela Walker’s Haute Route e mais de 91 quilômetros de trilha percorridos. A gente tava preocupado com o estado dos nossos joelhos, mas por milagre, no dia seguinte, eles já não doíam tanto como no dia anterior. Começamos a descida pela mesma trilha rumo ao destino do dia, a cidade de La Gouille. Só que esse foi um dia mais puxado. A subida até o passe Col de Tsaté não era o problema. Fizemos bem tranquilo e chegamos no passe, a 2868 metros, com muita energia. O problema foi a descida. Foram mais de 1200 metros de descida que não acabava nunca! Ainda perdemos o ônibus em La Sage e tivemos que ir andando até Les Haudères, de onde a gente pegou um ônibus para La Gouille.

Dia 7 – La Gouille até Cabane de Prafleuri

Sétimo dia de trekking pela Walker’s Haute Route. O primeiro ônibus para Arolla saindo de la Gouille sairia por volta das oito da manhã. A viagem até Arolla foi rápida, cerca de 20 minutos. Estávamos contado o tempo, pois seriam 16 quilômetros naquele dia, cinco deles praticamente em linha reta, contornando a Barrage des Dix. Além das vistas incríveis, o ponto alto do dia foi passar pelo famoso Pas des Chèvres. Nada mais do que um conjunto de escadas de metal que ajudam um pouco na descida até o Val des Dix. As escadas são super bem construídas, mas bate aquele medinho, sabe como é… Terminamos a trilha com uma subida até o Col de Roux (2804 metros), de onde a gente já podia ver a Cabane de Prafleuri, onde a gente dormiu aquela noite.

Dia 8 – Cabane de Prafleuri até Cabane du Mont Fort

Oitavo dia de Walker’s Haute Route e um dos mais difíceis do trekking tecnicamente falando. Foram três passes em um só dia, algo inédito até então. No dia anterior a responsável da Cabane de Prafleuri havia dito que o dia seria de mau tempo e chuva. Ela nos aconselhou a sair bem cedo pra evitar imprevistos. Foi o que a gente fez. Mesmo sendo um dia de trekking mais puxado, foi o dia com as melhores fotos. A parte mais complicada foi a que tivemos que pegar a rota mais curta (pelo temido Col de la Chaux) que levava até a Cabane du Mont Fort, ao invés de pegar a rota pelo Col de Termin, com vistas melhores. A rota de Col de Termin pode ser perigosa em dias de mau tempo. Pensou que a gente não passou perrengue? Leve engano. A gente não sabia que ao escolher ir pela rota Col de la Chaux a gente estava escolhendo uma rota mais curta, mas ao mesmo tempo alpina (mais exigente). Daí já sabe, passamos bons bocados nessa última parte. E foi nesse dia que a gente viu os primeiros Ibex da viagem.

Dia 9 – Cabane du Mont Fort até Martigny

Nono dia da Walker’s Haute Route. Depois de um dia de trekking puxado e alguns sustos, decidimos que pegaríamos mais leve. O plano inicial era fazer toda a trilha da Cabana du Mont Fort até Le Châble e de lá ir para Orsières, o que acrescentaria um dia no itinerário. Adaptamos o plano e fomos para Martigny, encurtando o trekking em um dia, mas ganhando esse mesmo um dia para descansar. De lá partiríamos para o nosso último e mais aguardado dia na Walker’s Haute Route.

Dia 10 – Martigny até Chamonix

Último viewpoint do Matterhorn rumo à cabana Europe Hut - Trekking Suiça.
Vista do Mont Blanc direto do Col de Balme, divisa entre a Suíça e a França.

Último dia na Walker’s Haute Route. O cronograma seria ir de Martigny até Chamonix. Mas tudo tinha que sair como previsto. De Martigny, a gente pegou um ônibus até o Col-de-la-Forclaz, e de lá começou os últimos quilômetros de trilha até Chamonix. Depois de 10 dias e mais de 135 quilômetros de trilha, enfim a gente tinha chegado onde queríamos. Ao fazer a última subida até o Col de Balme (divisa entre a Suíça e França) e olhar pro horizonte, lá estava ele, o Mont Blanc, imponente! O dia não poderia estar melhor! A vista do Mont Blanc estava nítida, sem interferência alguma, nenhuma nuvem, perfeita. Não poderia pedir mais nada. Nos sentamos, tiramos as mochilas e ficamos ali por pelo menos uma hora, comendo e apreciando a vista do Mont Blanc.

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