Nosso roteiro pelo México - Cidade do México e Arredores

Nosso roteiro pelo México – Cidade do México e Arredores

Faz quase 8 anos que visitamos a Cidade do México, uma das maiores cidades da América Latina. Foi o ponto de partida do nosso primeiro mochilão raiz, aquele que se economiza em tudo. Por isso tenho um sentimento especial por ela. Pra falar a verdade, a Cidade do México me surpreendeu bastante. Foi mais que eu esperava e menos também em alguns quesitos. Dá uma olhada no que a gente fez por lá, garanto que você vai gostar.


Por Assunto:

  1. Como chegamos
  2. Onde nos hospedamos
  3. O que fizemos

Como chegamos

Voo de Brasília com escala em Lima e em San José. Na época, voamos pela antiga companhia Taca, hoje Avianca. Tivemos um pequeno imprevisto na ida, quando perdemos a conexão para a Cidade do México, e tivemos que dormir em San José.

A gente pegou o metrô do aeroporto Arenal até o Zócalo. Pegamos a estação Terminal Aérea (Linha Amarela) e nos viramos para pegar as conexões nas inúmeras linhas do metrô da Cidade do México. Não tem erro. O metrô é bem organizado. O único problema é que é muito cheio e isso pode causar alguns problemas como foi para a gente (relato abaixo).

Quando o metro chegou, os carros estavam abarrotados. Gabriela tentou entrar e foi puxada por uma mão invisível que saiu de dentro da multidão. Por alguns instantes, o tempo parou e lembro de ter pensando milhões de coisas. Pra onde ela vai? Não combinamos nenhuma tática para esse tipo de coisa! Será que ela está em outra dimensão agora? Coisas simples. Do pensamento veio a ação. Quando voltei do transe, lembro de ter acumulado toda minha força e empurrado a multidão para poder entrar. Funcionou!

Onde nos hospedamos

Durante todos os dias que ficamos na Cidade do México, nos hospedamos no Hostel Mundo Joven Catedral. Eu não tenho nada a reclamar desse lugar. Ele fica logo atrás da Catedral Metropolitana da cidade, perto de tudo. Só por causa da localização eu já recomendaria esse hostel. Mas não para por aí. O lugar é novo e muito bem cuidado. Ficamos em um quarto compartilhado (que pra nossa sorte, não tinha mais ninguém com a gente), com café da manhã incluso.

O que fizemos

Zócalo

Oficialmente chamada de Plaza de la Constitución, o Zócalo é a principal praça da Cidade do México e onde se concentram as principais instituições do país, como o Palacio Nacional (residencia oficial do presidente da república) e a catedral metropolitana da cidade. A praça também é famosa pelas manifestações artísticas e políticas.

Catedral Metropolitana

Catedral Metropolitana da Cidade do México.
Catedral Metropolitana da Cidade do México.

Não perdemos nenhum tempo depois de chegar. A primeira parada foi a Catedral Metropolitana da Cidade do México. Ela ficava colada ao nosso hostel. Comparada às igrejas que visitamos nos nossos mochilões por aí, essa foi a que mais impressionou. Era enorme! Essa igreja foi construída logo após a conquista da capital Azteca Tenóchtitlán, em 1573, e só foi concluída em 1813. Outra coisa interessante é que ela foi erguida próximo ao Templo Mayor, local mais importante da antiga capital Azteca, utilizando-se das pedras do antigo templo (algo como aconteceu em Cusco).

Interior da Catedral Metropolitana da Cidade do México.
Interior da Catedral Metropolitana da Cidade do México.

Umas das coisas que mais nos marcou, além do interior propriamente dito, foi que uma das partes da igreja parecia meio torta. Descobrimos depois que ela está afundando gradualmente no solo por causa do seu peso e que trabalhos de revitalização estão em andamento para corrigir o problema.

Palácio Nacional

Palácio Nacional, Cidade do México.
Palácio Nacional, Cidade do México.

Se você curte arte como a gente curte, vai amar visitar o Palácio Nacional, residencia oficial e lugar de trabalho do presidente da república do México. A entrada no Palacio Nacional é gratuita e não exige reserva ou agendamento.

Um dos murais pintados por Diego Rivera. Repare na quantidade de detalhes!
Um dos murais pintados por Diego Rivera. Repare na quantidade de detalhes!

O que chama a atenção, além da arquitetura do prédio, são os murais pintados por nada mais nada menos que Diogo Rivera. Existem vários painéis, sendo o mais importante o localizado nas escadarias. Os murais contam a história do México, desde as civilizações pré-Colombianas até os dias atuais. Além disso, o prédio possui um belo jardim no interior. Vale a pena a visita.

Templo Mayor

Finalmente uma das atrações mais esperadas por mim na visita ao México. Antes de viajar, pesquisei bastante sobre os Aztecas. Mergulhei em documentários sobre a chegada dos espanhóis e como foi o processo gradual de destruição dessa civilização. Pensar que séculos atrás um povo não europeu-asiático havia construído uma cidade em uma ilha artificial, com uma série de barragens e pirâmides é algo que só podemos ver em filmes de ficção. Pois, esses eram os Aztecas. Por mais que seus rituais fossem um pouco bizarros, sua engenhosidade foi algo à se admirar.

Os próprios espanhóis não acreditaram quando viram tamanha cidade. De fato, foi onde eles tiveram a maior dificuldade na colonização comparado as outras partes da América. Os Aztecas chegaram à quase expulsar os espanhóis depois de uma revolta, mas não tiveram tanta sorte. No retorno, a capacidade política e militar dos espanhóis foi maior, e o final da história a gente já sabe…

Museo del Templo Mayor.
Museo del Templo Mayor.

Bom, tudo isso pra introduzir o que aquele lugar representava pra mim. Bom, o Templo Mayor (Seminario 8, Centro Histórico) foi um dos principais templos da antiga capital Azteca Tenochtitlán. A Cidade do México foi construída justamente em cima dessa capital e a maioria dos prédios que hoje se encontram no Zócalo e proximidades, foram construídos com as pedras das antigas construções. Foi ali que a famosa Pedra do Sol, uma espécie de calendário azteca, foi encontrada em 1790.

Reserve pelo menos umas 2 horas para percorrer todo o sítio arqueológico e visitar também o museu que fica na parte de trás das ruínas. Pagamos 51 pesos (em 2011) por pessoa para ter acesso ao sítio arqueológico e ao museu. O museu no final das contas, nem é tão interessante como o que se tinha na parte exterior.

Casa de los Azulejos

Passamos bem rapidinho em frente à Casa de los Azulejos. O prédio que fica pertinho do Zócalo. O diferencial é que a fachada do edifício é feita toda de azulejos em tons de azul. Vale a pena a visita.

Alameda Central

Próximo ponto foi a Alameda Central, um parque repleto de árvores bem no centro da capital. Não é tão grande, mas os seus arredores são repletos de pontos importantes como o Palácio Postal, a Torre Latinoamericana e o Palacio de Bellas Artes.

Palacio Postal

Palacio Postal

Entramos para conhecer o Palacio Postal (Calle de Tacuba 1), um prédio do início do século XX construído para abrigar a nova sede da Dirección General de Correos. Hoje abriga vários museus e sua entrada é gratuita. O prédio é bem preservado e seu interior nos leva à época em que foi construído. Muito dourado e com muitas entradas de luz, à visita ao Palacio Postal foi uma bela surpresa em nossa viagem.

Torre Latinoamericana

Torre Latinoamericana

Em seguida, subimos na Torre Latinoamericana (Eje Central Lázaro Cárdenas 2). Esse edifício foi por muitos anos o prédio mais alto da América Latina. Hoje funciona como o ponto mais importante de observação da cidade. Para subir, tivemos que pagar 50 pesos (em 2011), mas cada centavo valeu à pena. A vista de lá de cima era espetacular!

Vista do Zócalo lá de cima da Torre Latinoamericana.
Vista do Zócalo lá de cima da Torre Latinoamericana.

Palácio de Bellas Artes

Palácio de Bellas Artes.
Palácio de Bellas Artes.

Infelizmente, quando visitamos a Cidade do México, o Palácio de Bellas Artes estava fechado para reformas. Mesmo assim, a beleza e a arquitetura desse lugar já valeram a visita.

Paseo de la Reforma e Monumento a los Niños

Pra quem quer conhecer o centro financeiro da capital do México, esse é o lugar. A rua possui cerca de 3,5 km de extensão e abriga a maioria dos novos arranha-céus da cidade. A avenida termina no monumento a los Niños, em homenagem aos jovens soldados que lutaram pela defesa da cidade durante a invasão americana no século XIX e é a porta de entrada para o Bosque de Chapultepec e suas inúmeras atrações.

Castillo de Chapultepec

Castillo de Chapultepec.

A história do Castilho de Chapultepec para mim, é a mais interessante. Segundo o que lemos, ele foi o último ponto de resistência méxicana contra a invasão dos americanos no século XIX. Os soldados americanos cercaram os cadetes do exército mexicano (os mesmos homenageados no Monumento a los Niños) bem ali no Castilho de Chapultepec e o heroísmo desses meninos ficou marcado na história do país.

Hoje, o Castilho funciona como um museu sobre a história do México (Museo Nacional de Historia), com muitas pinturas, murais e artefatos históricos. Do lado externo, existe também um belo jardim com uma vista privilegiada para o Paseo de la Reforma e grande parte da Cidade do México. Na época (2011) pagamos cerca de 51 pesos por pessoa para entrar. Tivemos também que deixar nossas mochilas em um locker que fica na parte externa do castilho.

Museo Nacional de Antropologia

O Museo Nacional de Antropologia é parada obrigatória pra quem visita a Cidade do México. Pagamos 51 pesos na época que visitamos em 2011. Nos domingos, a entrada é gratuita para estrangeiros que moram no México.

Fazendo uma comparação, é como se fosse o museu do Louvre em Paris. O museu é imenso. Ficamos 3,5 horas e não deu pra ver tudo. Ele guarda a maior coleção de artefatos pré-colombianos do mundo até onde sei. São vários andares de exposições, fixas e temporárias, nos quais você pode perder um dia interior tranquilamente. Existem coleções completíssimas sobre os Toltecas, Mexicas (Aztecas), Maias, sobre Teotihuacan, etc. O museu também conta com exposições etimológicas, que mostram um pouco dos costumes dos principais povos mexicanos de hoje em dia.

Como o museu é enorme, existem algumas coisas que você não pode deixar de ver por lá. A lista abaixo é baseada única e exclusivamente nos meus gostos, portanto, leve somente como conselhos, não como obrigação!

1- Piedra del Sol

O mais importante artefato do museu é sem dúvida a Piedra del Sol. Ela é nada mais nada menos do que um calendário Azteca encontrado em escavações no Templo Maior, no centro da Cidade do México. Ela ficou bem famosa em 2012 com aquelas histórias que o mundo ia acabar. Se estou escrevendo esse artigo em 2019, penso que não foi esse o caso.

2 – Cabeça gigante Olmeca

Quer ver algo surreal? Que tal uma cabeça de uns 2 metros de altura feita por uma civilização pré-hispânica? Acho que isso é o suficiente pra te convencer que você tem que ir ver a cabeça gigante olmeca.

3 – Tumba de Pakal, governador de Palenque (603 – 683 D.C.)

A famosa réplica da tumba de Pakal, um dos mais importantes governadores da cidade maia de Palenque. A tumba é uma réplica, mas tudo no seu interior fazia parte da tumba original, inclusive o corpo do próprio governante Pakal.

4 – Faixada de Teotihuacán

Você vai encontrar bastante coisa sobre a cidade de Teotihuacán. O que mais chama a atenção é uma réplica da ornamentação exterior das pirâmides de Teotihuacán.

5 – A Sala Maia

Aqui não é um artefato que faz a diferença, mas o conjunto deles. Os maias foram e são sem dúvidas umas das civilizações mais importantes para os mexicanos e que ainda temos pouco conhecimento. Já haviam se dispersado quando os espanhóis chegaram nas amáricas.

Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo

Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo.
Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo.

Uma parada obrigatória na Cidade do México é o Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo. A casa à esquerda pertencia a Diego Rivera e a da direita, azul, à Frida. Repare as duas casas eram conectadas por uma passarela. Hoje, funciona um museo muito interessante que mostra como era a vida do casal.

Museo Frida Kahlo

Alguns quarterões de distância do Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo, fica o Museo Frida Kahlo, um museo dedicada à vida e à arte de Frida. O lugar foi onde Frida nasceu e viveu a sua infânciae boa parte da sua vida, falescendo ali mesmo no ano de 1958. É uma visita super intimista, delicada e emocionante. Tenho certeza que você vai adorar conhecer mais a história e as obras dessa incrível mulher chamada Frida Kahlo.

Estádio Azteca

Estádio Asteca, Cidade do México.
Estádio Asteca, Cidade do México.

Para os amantes do futebol e pra quem valoriza a história do esporte, visitar o estádio Azteca é uma bela experiência. Foi nesse estádio que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, com show de Pelé e companhia, e foi lá também que Maradona fez o gol de mão contra a Inglaterra, episódio que ficou conhecido como “La Mano de Dios”. Além de conhecer o museu com toda a história do estádio, você também vai visitar o campo e poder quem sabe imaginar tudo o que já aconteceu por ali anos atrás.

Imaginar o tanto de coisa que se passou dentro desse estádio valeu a visita!
Imaginar o tanto de coisa que se passou dentro desse estádio valeu a visita!

Pra chegar no estádio Azteca vindo do Zócalo, você vai precisar pegar a linha azul (estação Zócalo) e para na Estação Tasqueña, de onde parte o TL 1, sistema de trens leves que leva direto ao estádio (estação Estádio Azteca). Pra mais informações e valor das passagens: Tren Ligero / Metro CDMX.

Teotihuacán

Vista da pirâmide da lua, em Teotihuacán.
Vista da pirâmide da lua, em Teotihuacán.

Reserve pelo menos um dia pra conhecer as ruínas de Teotihuacán. Elas ficam cerca de 1 hora de ônibus saindo do Terminal Central de Autobuses del Norte. Aqui é bater perna e ver tudo que o sítio arqueológico tem. As principais atrações, entretanto, são as pirâmides do sol e da lua. Você pode subir nas duas e garanto que compensa pelas vistas que você vai ter lá de cima. Só tenha paciência, pois, as filas de espera para subir podem ser grandes.

Lembra da fachada que eles colocaram no museu na Cidade do México? Essas aqui eram muito parecidas.
Lembra das ornamentações que eles colocaram no museu na Cidade do México? Essas aqui eram muito parecidas.
Pirámide del Sol.
Pirámide del Sol.
Pirámide de la Luna vista do topo da Pirámide del Sol.
Pirámide de la Luna vista do topo da Pirámide del Sol.

A dica é levar muita água e o que comer, pois o lugar é meio afastado de tudo e comprar comida por lá vai ser mais caro do que levar. Na nossa época, pagamos cerca de 96 pesos e um adicional de 40 pesos para tirar fotos.

Conclusão sobre a Cidade do México

Pelo tamanho desse post, você já pode ter uma ideia que a Cidade do México tem muita, mas muito coisa pra se fazer. Seja ruínas, museus ou prédios históricos, até a arte que conta um pouco da história desse país incrível chamado México.

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