Nosso Roteiro pela Guatemala – Tikal

O silêncio também era parte do show, ali do alto do Templo IV em Tikal. Todos estavam perplexos com a beleza do instante e não se permitiam mover nem se quer um músculo, para evitar perder um segundo da experiência.

Não sei se é possível descrever o que vivemos nesse dia em Tikal. Eu sempre quis conhecer Tikal, pois, é uma das ruínas maia mais importantes da região. Seus templos e ruínas são únicas e muito famosas, aparecendo em filmes importantes como Star Wars, por exemplo. Mas a gente queria fazer diferente. Decidimos ver o nascer do sol em Tikal sem saber muito o que esperar.


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Como chegamos

Pra conhecer Tikal, você tem que ir até Flores, uma pequena ilha mais ao norte da Guatemala. A cidade é usada como ponto base para conhecer as ruínas. Pra chegar lá, você pode ir de ônibus ou de avião. A passagem de ônibus pode ser comprada diretamente com o seu hostel em Antígua ou na Cidade da Guatemala. Agora, se você quiser ir de avião, existem três companhias aéreas que fornecem o trajeto Cidade da Guatemala – Flores: Avianca, Latam e TAG.

A gente fez da seguinte forma. Fomos de avião da Cidade da Guatemala até Flores de avião (Avaianca – pagamos USD 150 dólares por pessoa pelo trecho) e voltamos de ônibus (não lembro o valor exato). Resolvemos fazer dessa forma pra aproveitar Tikal com mais conforto, pois a viagem de ônibus duraria algo em torno de 8 horas. Na volta, como era a última atração da viagem, a viagem de ônibus não seria tão cansativa.

✅ Dica: se você quiser economizar com táxi, é completamente possível ir andando do aeroporto de Flores até a ilha. Chegamos às 20 horas da noite em Flores e fomos andando e deu tudo certo. São somente 2,7 quilômetros de distância! Aconselho, entretanto, fazer o percurso de dia se possível.

Agora, uma vez em Flores, você tem que saber como ir até Tikal. Muitos hosteis em Flores oferecem o transfer de ida e volta todos os dias. Você também pode fechar um passeio em alguma agência e o transporte até Tikal vai estar incluso.

Outra maneira, e a que escolhemos, é fazer o passeio do nascer do sol. Agendamos a visita diretamente com o nosso hostel. Estavam inclusos no pacote o transporte de ida e volta, e o guia turístico (entradas em Tikal compradas à parte). O transporte te busca às 3 horas da manhã e o trajeto dura em torno de 1 hora (horário da volta é normalmente acordado com o guia).

⚠️ Fique atento: os tours oferecidos pelos hosteis e agências não diferem muito uns dos outros. O preço pode variar bastante entretanto. Por isso, pesquise e negocie. A maioria deles disponibiliza vans de ida e volta em horários programados, bastando você escolher quando quer voltar. No tour que contratamos, podíamos voltar às 12h ou às 15h. Resolvemos sair mais cedo, pois já estávamos cansados e conseguimos ver praticamente tudo o que queríamos de Tikal.

Onde nos hospedamos

Nos hospedamos na ilha de Flores, no Youth Hostel Los Amigos. Ficamos somente uma noite, chegamos por volta das 20 horas da noite e teríamos que sair as 3 horas da manhã para Tikal. Pagamos Q200 pra um quarto privado com banheiro compartilhado. O hostel é um dos principais de Flores. Possuem uma boa estrutura, com vários quartos e serviços. Foi com eles que fechamos o passeio pra Tikal e o ônibus de volta pra Cidade da Guatemala. Eles possuem também um bar-restaurante super legal. Recomendo pela praticidade e pelo preço.

Booking.com

Onde compramos os ingressos

Compramos os ingressos para Tikal com antecedência, pois lemos na internet que eles não vendem o ingresso mais na entrada. Não sei ao certo se as agências oferecem algum serviço para comprar pra você, mas posso dizer que não é nada complicado comprar por conta própria. Os ingressos são vendidos em qualquer agência do Banrural. Compramos os nossos em uma agência em Antígua, um para a entrada no parque e outro para poder ver o nascer do sol. Pagamos um total de 250 Quetzais por pessoa (em 2017).

O que fizemos em Tikal

Chegamos a Tikal, por volta das 4 horas, depois de 1 hora de transporte. Tudo estava indo como planejado. Até o clima resolveu ajudar. Se esperava chuva e tempo ruim durante toda a visita. Entretanto, ao sair do carro e olhar para cima, só dava pra ver a lua cheia, sozinha no céu. Dava pra ver algumas nuvens, mas nada de mais. O guia nos levou à entrada, onde os ingressos foram validados e depois, tivemos um pequeno e rápido café da manhã antes de começar a desbravar Tikal na escuridão.


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Mais sobre Tikal

Tikal (ou Yax Mutul, nome do local em Maia) fica aproximadamente 60 km de Flores, no departamento de Petén. Sabe-se pouco sobre a cidade, mas estimasse que em seu apogeo, nos anos 500 D.C., a cidade contava com quase 100 mil habitantes (é muita gente). O declínio da cidade é tão misterioso quanto o seu surgimento. Sabe-se que a cidade foi completamente abandonada pelos anos 900 D.C. A cidade foi encontrada séculos depois em 1843, em uma expedição comandada por Modesto Méndez.

Seguimos por uma trilha em plena escuridão. A experiência é algo difícil de descrever. Não havia mais ninguém ali. Tikal era só nossa e seria assim por mais algumas horas. Logo atrás do guia, o grupo seguia em silêncio, um atrás do outro. Silêncio esse que era interrompido por alguma explicação do guia sobre Tikal.

Após alguns minutos de caminhada, o guia virou e apontou na direção específica. Era um templo maia imenso, que tampava a lua e criava uma sombra escura, cena de filme. Esse foi só um aperitivo. Aquela era a entrada da praça central, local mais importante de Tikal. Tentei tirar fotos, mas a câmera fotográfica não foi capaz de capturar o que os nossos olhos estavam presenciando. Parecia que éramos os primeiros ali e que havíamos descoberto uma cidade abandonada no tempo.

Ali do meio da praça central, o guia nos explicou tudo sobre os rituais maias, inclusive dizendo que Tikal ainda recebia descendentes de maias que usam o local para prestar culto aos seus deuses e antepassados. Foi definitivamente a melhor aula de história da minha vida.

Rumo ao Templo IV

Até ali não tinha muita ideia de onde iríamos ver o nascer do sol. Pensava que seria em uma arquibancada, algo assim. Não podia estar mais errado. Saímos de lá e seguimos em frente. Alguns minutos depois, estávamos subindo uma grande escadaria. Era imensa. No final, as escadas deram espaço a rochas e a uma grande arquibancada de pedra. Era o Templo IV, um dos maiores templos maia já descobertos até então.

ℹ️ Curiosidade: Pra quem não ligou o rosto à pessoa, o Templo IV, chamado de Templo de la Serpiente Bicéfala, fez sua aparição no filme Star Wars, mais precisamente no episódio IV, uma nova esperança.

Algumas pessoas já estavam sentadas aguardando o nascer do sol. Nos sentamos, olhamos pro céu e nenhum sinal de nuvem ou chuva. O cenário estava montado, tudo perfeito em seu devido lugar. Agora era aproveitar em silêncio o espetáculo começar. Os raios de luz começavam a sair, se misturavam com a escuridão. Formavam a cada segundo uma nova pintura, com diferentes cores e com diferentes intensidades.

Nascer do sol do alto do Templo IV em Tikal. Fomos em Outubro, época de chuvas e olha o que presenciamos?
Nascer do sol do alto do Templo IV em Tikal. Fomos em Outubro, época de chuvas e olha o que presenciamos?

Mas para quem pensa que o espetáculo era destinado somente ao nascer do sol, está muito enganado (como eu estava). O barulho da floresta se despertando era o verdadeiro espetáculo. Os animais acordavam e começavam a cantar por todos os lados. Macacos, pássaros e insetos entoavam suas vozes para de alguma forma agradecer o renascimento do sol.

O silêncio também era parte do show, ali do alto do Templo IV em Tikal. Todos estavam perplexos com a beleza do instante e não se permitiam mover nem se quer um músculo, para evitar perder um segundo da experiência. Ficamos lá em cima por quase 2 horas entre fotos, olhares no horizonte e ouvidos na vegetação. No final, quando tínhamos que nos despedir, ficou a sensação de dever cumprido. Uma viagem inteira repleta de bons momentos e grandes experiências não poderia ter acabado melhor.

Últimos momentos no Templo IV em Tikal, Guatemala.
Últimos momentos no Templo IV em Tikal, Guatemala.

Senti imediatamente minha mente se desligando por completo. Era como se quisesse dizer que já era suficiente, que eu já havia conseguido o que buscava. Agora era somente hora de lembrar. Lembrar de tudo que passamos, de todos os sois que vimos, nascendo e se pondo, de todos os vulcões que subimos e descemos, de todos os locais que chegamos e partimos.

Desbravando o restante de Tikal

Descemos e ainda não havia ninguém no parque. O guia nos levou em várias construções, nos explicou o significado de cada uma, nos mostrou outros templos que ainda não foram restaurados (Templo III) e deu detalhes sobre os principais pontos da cidade de Tikal, até o retorno definitivo à praça central (Gran Plaza).

Tikal, Guatemala.

Entretanto, o ponto forte do guia eram os animais e plantas do local. Ele descrevia todos os pássaros que via e nos mostrava plantas com características peculiares. A mistura de natureza e história não poderia ser melhor.

Conclusão sobre Tikal

No final, tivemos mais umas 2 horas para andar por conta própria. Aproveitamos o parque vazio para subir nos templos, sentar nas escadarias e explorar as áreas remotas, sem muito tráfego ou pessoas disputando para tirar fotos. Foi um dia perfeito em Tikal. Valeu muito a pena!

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