Nosso Roteiro pela Colômbia – Cartagena das Índias e Arredores

Depois de uma viagem desconfortável vindos de Santa Marta, era hora de conhecer Cartagena das Índias, na Colômbia. A fama da cidade é conhecida, mas a gente queria ver de perto tudo que a cidade tinha pra oferecer. Reservamos 5 dias do nosso roteiro pela Colômbia para conhecer cada canto do seu famoso centro histórico.


Por assunto:

  1. Como chegamos
  2. Onde nos hospedamos
  3. O que fizemos
  4. Onde comemos

Como chegamos

A gente chegou em Cartagena vindos de Santa Marta. Contratamos o serviço da empresa MarSol (reserva feita por telefone). Foram cerca de 4 horas de viagem, com várias paradas (uma delas em Barranquilla – Shakira, Shakira!) no meio do caminho. Na época, lembro que a viagem foi super desconfortável, mas foi a nossa única opção. É importante dizer que a van não deixa você no hotel. Se o seu hotel está no caminho até a sede da empresa em Cartagena, aí sim eles param. Demos sorte que o nosso hotel em Cartagena (Ibis Cartagena Marbella) ficava no caminho e à algumas ruas da sede da MarSol.

Onde nos hospedamos

Nos hospedamos no Ibis Cartagena Marbella, que fica cerca de 2 quilômetros de distância do centro histórico de Cartagena. Era tão perto que dava pra ir andando. Com relação ao hotel, não temos nada a reclamar. Padrão Ibis como sempre. O quarto era limpo, de frente para o mar e os funcionários sempre muito atenciosos. O café da manhã era divino. Todos os dias tinha alguma coisa diferente, alguma comida típica da Colômbia ou uma nova fruta que a gente nunca tinha ouvido falar.  Pagamos cerca de 47 USD por diária (em 2016). Recomendadíssimo! 

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O que fizemos

Castillo de San Felipe de Barajas

Nossa primeira parada foi o Castillo de San Felipe de Barajas (entrada: 50 000 COP por pessoa em 2016), a maior fortaleza de uma colônia espanhola no mundo. Ela foi construída com o objetivo de proteger a cidade dos ataques e saques de superpotências ou de piratas. A propósito, Cartagena era o principal ponto de escoamento do ouro proveniente das Américas para a Espanha, então é compreensível um forte desse tamanho!

O forte é imenso, penso que isso já é o suficiente para descrevê-lo. Ele fica mais para o interior da cidade. Os canhões não são os originais (desgastados com o tempo), mas as réplicas estavam apontadas para os quatro cantos da cidade. Um dos detalhes mais interessantes é que o forte foi construído em sua grande maioria com corais extraídos do mar e transformados em blocos. Ainda se pode ver as formas dos corais e conchas nas paredes e pedras, simplesmente impressionante.

Dica: Leve muita, mas muita água. Você irá precisar! O calor na cidade é insuportável e é super úmido, o que faz você perder mais líquido do que o normal e muito rápido. Visitamos o Castillo por volta das 10 horas da manhã e ficamos cerca de 2 horas por lá. O suficiente para acabar com 2 garrafas de água de 2 litros e ainda tirar alguns momentos de descanso em alguns raros pontos de sombra que existem por lá.

Túneis que atravessam o Castilho. Oportunidade perfeita para conhecer mais o lugar e se proteger do calor.
Túneis que atravessam o Castilho. Oportunidade perfeita para conhecer mais o lugar e se proteger do calor.

Outra atração do forte são seus caminhos subterrâneos que interligam e atravessam as várias partes do Castillo. Algumas delas não são abertas ao público, mas tivemos a sorte de percorrer todas que eram. Posso dizer que é muito legal andar por lá. Além disso, dentro dos tuneis dava pra curtir uma sombrinha refrescante, o que era perfeito para aliviar o calor.

Vista de Cartagena das índas do Castillo de San Felipe de Barajas.
Bandeira colombiana e Cartagena ao fundo.

Na parte mais alta do forte, a bandeira colombiana balançava com a vista de Cartagena ao fundo. Tiramos algumas fotos e descemos para uma parte coberta onde várias crianças estavam tendo aula de história. Isso sim é que é aula de história! Naquele momento, queria ser uma daquelas crianças!

Puerta del Reloj e a cidade amuralhada

Puerta del Reloj, entrada principal de Cartagena das Índias.
Puerta del Reloj, entrada principal de Cartagena das Índias.

Saímos do forte e fomos andando pelas ruas estreitas de Getsemaní, parte externa ao centro histórico de Cartagena. Esse caminho nos levou à entrada principal da cidade amuralhada, chamada Puerta del Reloj.

Plaza de los Coches

Já dentro da cidade amuralhada, a primeira coisa que vimos, foi a Plaza de los Coches, famosa pelas barraquinhas de doces (cocadas, doce de tamarindo, etc.). Essas barraquinhas ficaram conhecidas (pelo menos para nós) depois que um episódio de The Amazing Race América Latina foi filmado ali. Entretanto, na hora que a gente passou por la os doces não pareciam muito atrativos.

Plaza de los Coches.

À propósito, Cartagena é muito linda, mas em alguns lugares o cheiro do esgoto chegava a ser insuportável. Uma pena, pois, isso estraga um pouco a experiência à medida que anda pela cidade.

Plaza de la Aduana

O próximo ponto em nossa caminhada foi a simpática Plaza de la Aduana, a maior praça de Cartagena. Lá ficavam os prédios administrativos e foi onde morou o fundador da cidade nos tempos coloniais. Continuamos em frente visitando a Iglesia de San Pedro Claver, Plaza de Bolivar e Palacio de la Inquisición.

Plaza de Bolivar

Palacio de la Inquisición.
Palacio de la Inquisición.

A Plaza de Bolivar é uma das mais interessantes da cidade. Repletas de árvores. Lá acontecem vários espetáculos de dança (principalmente à noite) e manifestações artísticas populares. Aproveitamos para tomar um smoothy no Café Juan Valdez para espantar o calor e descansar um pouco antes de continuar a caminhada.

É la também que fica o famoso Museo de la Inquisicion, onde funcionou o tribunal de Penas del Santo Oficio na época da inquisição. O museu abriga uma exposição interativa que mostra como foi a inquisição em Cartagena, nas Américas e conta com instrumentos reais usados durante as sessões de tortura e as celas usadas para prender os “hereges”.  Vale muito a pena a visita.

As muralhas de Cartagena das Índias

As muralhas de Cartagena cercam toda a zona histórica da cidade. O que já era quente fica pior, pois, a muralha não deixa o vento entrar com tanta facilidade. Por isso, o calor lá dentro chega a ser insuportável! Naquele momento, a única coisa que queríamos era uma sorveteria ou uma loja com ar condicionado. Tira um tempinho só pra andar por cima das muralhas. Compensa por causa da vista do mar e da cidade.

Iglesia de Santo Domingo

Outro ponto que queríamos conhecer era a Iglesia de Santo Domingo, a mais antiga de Cartagena. O interessante sobre essa igreja é que ela só abre ao público na hora das missas. Lá dentro, a igreja é muito bem preservada. Você pode ver várias tumbas com os nomes e as datas de falecimento de pessoas, do tipo interessante, mas macabro.

Dica: Fuja dos cafés e restaurantes em frente à igreja. São do tipo pega turista. Cartagena tem inúmeras opções mais em conta e de melhor qualidade, é só procurar.

Entretanto, o que marcou mais nossa visita à igreja foi encontrar a famosa senhora vendedora de frutas, eternizada na capa do guia de viagem Lonely Planet. Hoje, ela ainda vende suas frutas por lá, mas também tirar fotos com os turistas que a reconhecem, em troca de uma gorjetinha.

Iglesia de Santo Toribio de Mangrovejo

Em seguida, fomos rumo à Iglesia de Santo Toribio de Mangrovejo. Essa era mais especial para mim do que para Gabriela. Queria conhecer a igreja, pois, lá dentro se encontravam os restos mortais de um pirata que após ser ferido em um saque à cidade, pagou os membros da igreja para ter seu corpo enterrado no local. Esse tipo de coisa me faz viajar na história e é uma das coisas que busco nas viagens que faço. O problema foi que a igreja estava fechada para reformas. Foi um banho de água fria nas minhas expectativas.

Iglesia de Santo Toribio de Mangrovejo.

Em resumo, as ruas da cidade são muito lindas. Todas as casas são coloridas e as ruas são de tijolinhos. As igrejas são imponentes e você realmente se vê andando em uma cidade que parou no tempo, é impressionante. Além disso, lembra dos corais usados para a construção do Castillo? Aqui eles são usados por todo lado.

Mercado de artesanias de Cartagena

Mercado de artesanias de Cartagena.
Mercado de artesanias de Cartagena.

Visitamos o famoso mercado de artesanias de Cartagena, localizado na Plaza de Las Bovedas (Calle Zerrezuela). No mercado fica uma antiga prisão que hoje abriga inúmeras lojas de artesanato. O taxista falou que ali tudo seria mais barato. Mera ilusão. Achei meio caro!

Café del Mar e pôr do sol…

Pôr do sol visto do Café del Mar, em Cartagena das Índias.
Pôr do sol visto do Café del Mar, em Cartagena das Índias.

Deixamos o melhor para o final. Após um jantar delicioso, decidimos ir ver o pôr do sol no Café del Mar. Fique atento, porque ele é um dos pontos mais concorridos da cidade para ver o pôr do sol. O local é bem legal e sua localização é uma das melhores da cidade. Ele fica bem de frente para o mar e com vista privilegiada para o pôr do sol.

Local de onde saem os barcos para Playa Brana e Isla Baru.
Local de onde saem os barcos para Playa Brana e Isla Baru.

Se você optar pela lancha, você pode fechar com qualquer vendedor perto da Muelle de Los Pegasos ou na própria bilheteria do porto. As lanchas começam a sair as 8 horas da manhã até mais ou menos as 10 horas. Fechamos o passeio para duas pessoas por 45 000 pesos, sem a taxa portuária (por volta de 15 000 pesos por pessoa – preços de 2016). O passeio normalmente inclui a parada em Playa Branca e Isla Baru, além de uma passagem rápida pelos fortes de Santa Cruz de Castillogrande e Manzanillo.

Dica: Isla Baru é uma reserva ambiental que possui um aquário e um local para snorkel (entradas não inclusas no passeio). Nada muito interessante. Além disso, quem opta por ir para a ilha perde em torno de 3 horas de praia, pois o mesmo barco que leva para Playa Branca, leva também para a Isla Baru. O barco só retorna de lá 1h30 depois, já na hora do almoço.

Playa Branca, perto de Cartagena das índias.

Playa Branca é muito linda, o mar é bem clarinho, limpo e a areia branquinha como o nome do local. Gostamos tanto do lugar que fomos mais uma vez no dia seguinte. Um inconveniente é que é relativamente cheia. O local que achamos menos cheio foi o em frente ao posto da polícia. Outro inconveniente, talvez o pior, é a quantidade de pessoas tentando vender coisas pra você. A lista é grande: desde comida (frutas, doces, picolés, etc.) até tatuagens e massagens, isso mesmo, massagens. As “vendedoras” de massagem eram as piores. Dependendo da “presa”, elas chegavam já colocando a mão na pessoa e já massageando. Se você é uma pessoal sensível ao toque, isso pode ser fatal e quando menos você espera, já está pagando pelo serviço! Evitei ao máximo o contato, pois não sou muito chegado. Gabriela quase foi fisgada, mas tive tempo de salvá-la!

Dica: fique sempre de olho nos pertences pessoais. Mesmo que não tenhamos visto nenhum incidente, por ser bem movimentada, revezamos as idas ao mar para não deixar nossos pertences sozinhos.

Onde comemos

  • La Cevichería: O restaurante é uma graça. O restaurante possui várias opções de comida, mas com especialidade em Ceviche, é claro. Pedimos um ceviche de camarão e uma ciabatta de queijo com carne. Ambos estavam deliciosos.
  • Restaurante Espiritu Santo: Foi a melhor refeição que tivemos durante a viagem. O local é frequentado pelos locais e o preço é muito acessível. Parecia muito os restaurantes do nordeste, ou aqueles perto da sua casa que você vai com a família no domingo. Pedimos pescado com patacones, salada e um filé de carne com os mesmos acompanhamentos (dá água na boca só de escrever isso).
  • Café del Mar: A gente não chegou a comer, pois, os preços não eram muito convidativos. Tomamos somente um drinque enquanto a gente via o pôr do sol.

Conclusão sobre Cartagena das Índias

Cartagena das Índias, ou simplesmente Cartagena, foi um lugar incrível, repleta de coisas boas, lugares e restaurantes incríveis que sem dúvida vai deixar saudade. Se você tiver a oportunidade de conhecer a Colômbia um dia, não deixe de colocar Cartagena no seu roteiro. Você não vai se arrepender.

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