Mont Gosford: a maior montanha do sudeste do Québec

A gente falava de fazer essa montanha ha mais ou menos um ano. De fato alguma coisa havia me chamado a atenção no Mont Gosford. Teria sido os seus 1180 metros de altura? A vista incrível do cume? A possibilidade de fazer um pedaço da trilha pela fronteira com os Estados Unidos? Acho que foi um pouco de tudo isso. Nesse post a gente vai te contar como foi a nossa trilha pelo Mont Gosford e todas as nossas impressões de lá.

O Mont Gosford é a maior montanha do sudeste da província do Québec e faz parte das Montanhas Brancas dos Apalaches. Eu achava que era o Mont Megantic (leia mais aqui), mas não. O Mont Gosford ultrapassa o seu concorrente por quase 80 metros! Outra coisa muito interessante e que você só vai encontrar no Mont Gosford é que parte do percurso passa pela fronteira com os Estados Unidos. Você não leu errado, e isso mesmo, uma parte da trilha passa literalmente pela fronteira.

O Mont Gosford fica dentro do Zec Louise-Gosford, uma organização sem fins lucrativos que administra a região e o acesso à montanha. Lá, você vai poder fazer várias trilhas (veja também o mapa das trilhas), mas as mais utilizadas para ir até o cume do Mont Gosford são: a Boucle du sommet e a Boucle de Cap Frontière. A primeira trilha é um círculo de 13 km, partindo do estacionamento #3, pegando a trilha SF6, em seguida a SF8, subindo até cume e retornando pela trilha SF1, com um ganho de elevação de 750 metros. Já a segunda, parte de estacionamento #1, sobe pela trilha SF1, passando pelo cume do Mont Gosford e do Petit Gosford, a fronteira com os Estados Unidos, em seguida a trilha SF7 que te leva a trilha SF1, de onde você faz a descida até o estacionamento #1, em um total de 18 km e ganho de elevação de 1100 metros.

Decidimos fazer a trilha Boucle de Cap Frontière, pois além de chegar ao cume, queríamos conhecer a fronteira com os Estados Unidos. Chegamos no parque, e antes de qualquer coisa, tivemos que parar na administração para nos registrar. O registro é obrigatório e caso você não encontre ninguém no lugar, você pode fazer o auto-registro (mais informações de como fazer aqui). A única coisa que a gente achou estranho foi não ter nenhuma possibilidade de comprar o bilhete de acesso via internet (por causa da COVID). Enfim, o preço pode variar. Se você deixar o carro no estacionamento da administração, você só paga o acesso pedestre (5 dólares/pessoa), mas você vai ter que ir andando até o início da trilha. Caso queira estacionar dentro do parque, você paga 11 dólares (por carro e o acesso do motorista incluso).

Rumo ao cume do Mont Gosford

Estacionamento #1 onde fica o início do SF1.
Estacionamento #1 onde fica o início do SF1.
Início da trilha (SF1) até o cume do Mont Gosford.
Início da trilha (SF1) até o cume do Mont Gosford.

Estacionamos e logo a gente iniciou a trilha. O SF1 até o cume é uma subida gradual e constante. É longe de ser uma trilha técnica ou desafiante. O segredo é manter o ritmo constante e não acelerar muito. Foi a parte da trilha mais prazerosa. O calor ameno do dia deu uma ajudada, contrariando a previsão de calor intenso.

Essa é a plataforma que fica no cume do Mont Gosford.
Essa é a plataforma que fica no cume do Mont Gosford.
Mais detalhes da plataforma. Esse era o único lugar que tinha um pouco de sinal celular. Na base da plataforma, havia uma placa para informar o número em caso de emergência.
Mais detalhes da plataforma. Esse era o único lugar que tinha um pouco de sinal celular. Na base da plataforma, havia uma placa para informar o número em caso de emergência.

Depois de 4 km a gente chegou ao cume do Mont Gosford. Era uma área aberta, de rochas soltas, com uma vista incrível para as montanhas ao redor, tanto do lado canadense quanto do lado americano. Também tinha uma plataforma com uns 9 metros de altura de onde dava pra ver o outro lado da montanha. Logo que chegamos no topo, sentamos e comemos para recarregar a energia e apreciar a vista! Adoro esses momentos… Terminamos o lanche e subimos na plataforma para tirar algumas fotos. Da plataforma, você vai poder ver ainda mais claro todas as montanhas ao redor, inclusive o Mont Washington, a maior montanha da costa leste dos Estados Unidos.

A vista que a gente tinha da plataforma no cume do Mont Gosford.
A vista que a gente tinha da plataforma no cume do Mont Gosford.
Cume do Mont Gosford (1193 m).
Cume do Mont Gosford (1193 m).

A gente não podia perder muito tempo ali. Faltavam mais de 12 quilômetros de trilha. Seguimos em frente rumo ao Petit Mont Gosford. Esse passou até desapercebido. O topo não tinha uma vista aberta. A gente so percebeu que tinha passado por ele porque a gente passou pelo camping do Petit Mont Gosford e foi isso. Nada de cume aberto ou vistas incríveis. Depois dele, a gente iniciou uma descida bem longa. Na minha cabeça, a gente estava descendo e o final da descida já seria a fronteira com os Estados Unidos. Mera ilusão.

A fronteira com os Estados Unidos

Descida até o Petit Mont Gosford. Quando as árvores estão dessa forma e existe uma vegetação rasteira, é porque muito provavelmente essa parte da flores pegou fogo e a vegetação está em recuperação.
Descida até o Petit Mont Gosford. Quando as árvores estão dessa forma e existe uma vegetação rasteira, é porque muito provavelmente essa parte da flores pegou fogo e a vegetação está em recuperação.
Placa informando que faltavam 2.9 km para a fronteira com os Estados Unidos.
Placa informando que faltavam 2.9 km para a fronteira com os Estados Unidos.
Início da fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Aqui também era o início do SF7.
Início da fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Aqui também era o início do SF7.

Depois de descer uns 200 metros, tivemos que subir uns 400 metros de subida constante e com inclinação não desprezível. Foram os quilômetros mais puxados da trilha. O corpo ainda respondia bem. No final da subida, demos de cara com um clarão. Era a tão famosa fronteira com os Estados Unidos, mais precisamente com o estado do Maine. A fronteira era uma faixa de floresta desmatada de uns 10 metros de largura e que se estendia até perder a vista. Nessa parte, saímos do SF1 e entramos no SF7.

Você vai encontrar esses pequenos obeliscos no decorrer da fronteira. Nessa parte da trilha, a gente conseguiu ver somente dois.
Você vai encontrar esses pequenos obeliscos no decorrer da fronteira. Nessa parte da trilha, a gente conseguiu ver somente dois.
Tirei a foto do lado canadense pra não ter problemas! hihihihi!
Tirei a foto do lado canadense pra não ter problemas! hihihihi!

Não comentei, mas durante o registro na administração, o responsável do parque nos recomendou sempre ficar do lado canadense da fronteira. Será que havia o risco de algum agente americano nos abordar? Quando a gente chegou lá, só havia uma trilha marcada e ela fazia zigue-zagues, hora no lado do Canadá, ora no lado dos Estados Unidos. A gente seguiu a trilha torcendo pra não dar problema. A única coisa que dizia que a gente estava de um lado ou de outro eram os marcadores no chão que informavam o pais da fronteira.

Foto do mirante. Mal a gente sabia que não tinha como descer dali de forma segura. Somente voltando e pegando a trilha pelo meio da floresta no lado canadense.
Foto do mirante. Mal a gente sabia que não tinha como descer dali de forma segura. Somente voltando e pegando a trilha pelo meio da floresta no lado canadense.
Dá uma olhada na altura do mirante!
Dá uma olhada na altura do mirante!

Bom, seguimos em frente, foram muitos sobes e desces. Em um determinado momento vimos uma placa indicando que a trilha continuava por dentro do lado canadense, mas o aplicativo que a gente usava para se guiar dizia para seguir reto. A gente não relutou, seguiu reto. A trilha deu acesso a um mirante. O problema? Não havia jeito seguro de descer do mirante até a parte de baixo para continuar a trilha. A gente até tentou descer, mas não fazia sentido. A pedra era muito alta. Resolvemos voltar e pegar a trilha por dentro do lado canadense contornando o mirante por dentro da floresta. Depois de uma curta caminhada, a trilha dava na fronteira, metros à frente do tal mirante. Olhando pra ele, vimos que era um paredão enorme! Ainda bem que voltamos e seguimos pela trilha correta.

Fronteira entre Canadá e os Estados Unidos.
Fronteira entre Canadá e os Estados Unidos.

Continuamos e mais para frente, vimos outro aviso indicando um desvio na trilha. A gente não queria passar pela mesma situação de minutos atrás, então não tivemos dúvidas. Seguimos os avisos e graças a Deus a gente seguiu o caminho correto. Essa parte do SF7 foi a parte mais tranquila da trilha. A perna já estava bem cansada, mas como a trilha era tranquila, deu pra descansar bastante na linha reta. Deu até pra encher a nossa garrafa em uma cachoeira que passava pela trilha. Pra falar a verdade, se não fosse a cachoeira a gente não teria água até o final da trilha. Foi providencial.

Quilômetros finais até o estacionamento

Quando enchemos as garrafas de água, achamos que a parte mais exigente da trilha havia passado. Mero engano! Comemoramos cedo demais. Os últimos 2 km dentro do SF7 até a intersecção com o SF1 foram de subida e daquelas bem puxadas. Esses foram os 2 quilômetros mais longos da trilha e a gente não via a hora de chegar logo na intersecção, o que aconteceu depois de uns 30 minutos. Na intersecção, paramos, sentamos, tomamos nossa água e comemos de novo. Ainda faltavam uns 4 quilômetros até o estacionamento.

A descida até o estacionamento foi no automático. Passo a passo, os quilômetros finais foram vencidos e a gente tinha terminado a trilha, 18 quilômetros de trilha! A trilha pelo Mont Gosford foi bem exigente, mais ao mesmo tempo, repleta de surpresas. No balanço final, mesmo muito cansados, a gente tava feliz. Quem sabe a gente não volta e encaixa também uma noite de camping? Cenas para os próximos capítulos.

MAIS INFORMAÇÕES:

Sites úteis: 

Como chegar: Carro. Seguem as coordenadas da entrada do parque : 45.327369, -70.901806.

Custo: cerca de 5 CAD por pessoa ou 11 CAD pra estacionar dentro do parque + acesso do motorista.

Horário de funcionamento: consulte o site do parque para saber os horários de funcionamento para cada estação/período do ano, principalmente durante a pandemia.

Dificuldade: moderada.

O que levar: tênis/botas e roupas apropriados para hiking e para a época do ano correta. Bastões de trekking são altamente recomendados. Leve um lanchinho (pão, bolo, banana, etc.), umas barras de cereais e pelo menos 2 litro de água. Protetor solar, repelente e óculos escuros também são importantes.

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