Illiniza Norte - Dia 1 - A subida ao refúgio Nuevos Horizontes

Illiniza Norte – Dia 1 – A subida ao refúgio Nuevos Horizontes

O dia começou bem cedo para nós. O motorista nos buscou às 8h da manhã e o nosso primeiro destino seria Machachi, uma cidadezinha a alguns quilômetros de Quito. Lá, nos encontramos com o nosso guia e acertamos os últimos detalhes para a nossa expedição rumo ao cume do Illiniza Norte, com cerca de 5126 metros de altitude. Sobre a trilha do primeiro dia, não esperava algo muito puxado. Seria um hiking de umas 4h (subida de uns 700 metros) até o refúgio Nuevos Horizontes (4700 metros de altura). Seria muito parecido com a trilha do Rucu Pichincha, que havíamos feito no dia anterior (leia mais aqui).

Chegamos à entrada da Reserva Ecologica Los Ilinizas por volta das 10h30 e lá pelas 11h começamos a subida até o refúgio. No dia anterior a gente tinha conquistado o Rucu Pichincha e não tinha dado tempo para descansar direito. Eu (Marcos) principalmente. Já tinha amanhecido com a garganta irritada por conta da poeira e o corpo estava penando por conta do peso extra que tivemos que carregar, mais do que a gente estava esperando.

Momento de descanso. Eu estava tossindo bastante nesse momento. Muita coisa passava pela minha cabeça.
Momento de descanso. Eu estava tossindo bastante nesse momento. Muita coisa passava pela minha cabeça.

Mesmo com toda a dificuldade, continuamos firmes e fortes. A trilha lembrava muito a que a gente fez até o Rucu Pichincha. Era praticamente a mesma paisagem. Vegetação rasteira, cor verde musgo e muita poeira. Mais acima, a neblina veio com força e a inclinação da trilha aumentou consideravelmente. Tínhamos que fazer zigue-zagues constantes. Não via a hora de chegar, mas parecia que era interminável.

Gabriela seguia em frente e eu vinha logo atrás. Em um determinado momento, parei, me sentei e comecei a tossir. Esse foi o sinal para o guia vim falar comigo sobre o meu estado de saúde (foto acima). Como estávamos a mais de 4000 metros, o mal de altitude é bem presente. Ele me falou que se continuasse assim, não seria seguro tentar a subida ao cume no dia seguinte. Lá no fundo eu sabia que a tosse era por conta da poeira e que eu estava ótimo, mas aquele aviso me fez ligar o modo atenção.

Pra mim, a foto mais rara de todas que tiramos nesse dia. É o registro do Illiniza Norte (atrás da Gabriela), encoberto pelas nuvens. Depois dessa foto, a gente não tirou mais nenhuma do Illiniza Norte.
Pra mim, a foto mais rara de todas que tiramos nesse dia. É o registro do Illiniza Norte (atrás da Gabriela), encoberto pelas nuvens. Depois dessa foto, a gente não tirou mais nenhuma do Illiniza Norte.

Continuamos rumo ao refúgio. A parte final foi por uma montanha de areia cinza e pedras soltas. 1h de subida desgastante. Após vencer o último obstáculo, vimos uma casinha amarela bem distante. Era o refúgio Nuevos Horizontes, o primeiro refúgio construído no Equador. Estava envolto em neblina. Também deu pra sentir que a temperatura havia caído drasticamente naquele ponto.

O Refúgio Nuevos Horizontes

Enfim estávamos no refúgio. A gente tinha sido os primeiros a chegar. O refúgio era bem pequeno. Tinha uma pequena mesa e dois banquinhos de madeira bem na entrada. Vários beliches encostados uns nos outros e uma pequena cozinha, onde o administrador do lugar, “Gato”, fazia a coisa funcionar. Não deu tempo nem de colocar as mochilas na cama e já tinha uma sopinha e um chá quentinho nos esperando (salve Gato!). O guia aproveitou o momento e disse que o refúgio aceitaria mais pessoas do que o normal naquele dia e teríamos que dormir nós 3 juntos em uma cama para 2. “Sem problemas”, pensei sem refletir muito.

Nosso pré-jantar servido logo após a gente ter chegado no refúgio Nuevos Horizontes. Sopa de frango com pipoca e chá! Depois de uma subida puxada, isso era um banquete!
Nosso pré-jantar servido logo após a gente ter chegado no refúgio Nuevos Horizontes. Sopa de frango com pipoca e chá! Depois de uma subida puxada, isso era um banquete!

Terminamos a sopa e logo fomos tirar uma soneca. Isso era por volta das 14h da tarde. O silêncio estava maravilhoso. Dava pra ouvir o coração batendo nitidamente, tentando levar oxigênio pra todo o corpo a mais de 4700 metros de altitude. Isso tem seu preço. O corpo usa muito mais rápido o líquido que você bebe e por conta disso, a vontade de fazer xixi é quase instantânea. E não é qualquer xixi, é muitoooooo xixi.

A gente se preparando pra dormir!
A gente se preparando pra dormir!

Uma hora depois, outros grupos foram chegando. O silêncio deu espaço ao barulho. Conversa pra lá e pra cá, e nós ali deitados, tentando descansar ao máximo para o dia seguinte. Foi então que a vontade de ir ao banheiro veio. O banheiro ficava do lado de fora. Eram duas cabines bem rústicas, sem luz e bem sujas. O que esperar em um refúgio? Vamo que vamo! A aventura de usar o banheiro nessas condições poderia render um post separado, mas vou deixar a sua imaginação fazer o resto.

Era hora do jantar. Nos sentamos na mesa com um grupo de mexicanos e começamos a comilança. Uma das meninas virou pra mim e disse “ça va?”. Fiquei meio confuso. Sei falar francês, mas esperava um “¿Como estás?”. Olhei com cara de bunda pra ela e logo veio a pergunta “De onde vocês são?”. Prontamente disse que era brasileiro e todos os mexicanos falaram “HA! Eu disse, ou eram brasileiros, ou franceses!”. Foi a deixa para muita conversa e troca de experiências.

Voltando ao jantar, veio uma sopa de entrada. Era uma sopa de legumes neutra. Tinha pedido um cardápio sem lactose (não queria ter surpresas durante o ataque ao cume, se é que você me entende…). Gato virou para mim e perguntou, pode ter um pouquinho de leite? Ou eu aceitava, ou eu não comeria nada naquela noite. Então disse que não tinha problema. O prato principal foi frango cozido, arroz quentinho e abacate maduro. Uma delícia! Pra finalizar, pêssegos em calda. Tudo acompanhado com chazinho quentinho. O jantar elevou a nossa moral em todos os sentidos.

Voltamos para a cama e tentamos descansar até as 4h do dia seguinte. Não deu nem 1h depois do jantar e já estava com vontade de ir ao banheiro de novo. E lá vamos nós novamente. Sair do saco de dormir, calçar os sapatos e encarar o frio do lado de fora pela vontade de fazer xixi que era interminável. Era quase 1 minuto de xixi, coisa que nunca tinha visto na vida. O corpo parecia estar em modo de sobrevivência, produzindo xixi em uma taxa acelerada para se manter em funcionamento. O fato de beber bastante água e chá ajudou bastante nisso.

Essa foi a última ida ao banheiro antes do ataque ao cume. De volta na cama, coloquei novamente o saco de dormir e dessa vez o guia se juntou a nós. Lembra que dormiríamos 3 em um lugar de 2? Eu tive que ficar no meio, entre o guia e a Gabriela, por motivos óbvios. Só não contava que seria espremido durante horas, noite adentro. Resolvi dormir do lado contrário e foi assim que consegui recarregar minhas energias até às 4 horas da manhã, quando acordamos para atacar o cume do Illiniza Norte.

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