Dicas de aclimatação para alta montanha no Equador

Dicas de aclimatação para alta montanha no Equador

Muita gente não sabe, mas o Equador é um dos melhores países para se praticar montanhismo. Ele possui várias montanhas e vulcões de alturas variadas, muitas deles acima de 5000 metros, sendo o Chimborazo, o maior deles com 6400 metros de altura. Pra subir uma belezinha dessas, você tem que fazer um programa de aclimatação sério pra evitar o mal de altitude e os problemas decorrentes. Nesse post, a gente vai dar dicas de como montar um bom programa de aclimatação que vai poder ser usado pra subir qualquer montanha.

Primeiro de tudo, se prepare bem e com antecedência

A primeira das dias pra ter sucesso na sua aventura pelo Equador é: esteja em forma e com bom preparo. Montanhismo é coisa séria. Não dá pra ir sem estar com um bom preparo físico. Um bom preparo deve começar com no mínimo 3-4 meses de antecedência e isso se você já estiver em uma boa condição física. Esse artigo do montanhista Maximo Kausch vai te dar algumas dicas de como se preparar bem pra montanha.

No nosso caso, começamos o preparo com mais de 6 meses de antecedência, fazendo academia ao menos 3 vezes por semana e pelo menos um hiking a cada duas semanas. Na academia, a gente focava no fortalecimento das costas e pernas e sempre fazia esteira com inclinação máxima durante pelo menos uma hora. No final das contas, o nosso preparo foi o suficiente pra fazer com sucesso todas as montanhas que planejamos, mas ainda não foi o suficiente pra fazer tudo de um jeito confortável, principalmente na descida do cume do Cotopaxi, quando as nossas pernas começaram a falhar e a gente teve bastante câimbra no caminho até o refúgio Rosé Rivas.

Beba bastante líquido, se alimente bem e evite álcool

Uma das dicas mais importantes de todas. BEBA BASTANTE LÍQUIDO enquanto estiver em altitude! Pronto! Devido ao ar mais rarefeito em altitude, o corpo trabalha muito mais pra manter os níveis de oxigênio no corpo. Pra isso, ele consome muito mais água do que o normal. Portanto, beber água vai ser a coisa mais importante que você vai fazer durante todos os dias que estiver no Equador, principalmente nos dias de cume ou em refúgio (altitudes mais elevadas).

Beber álcool vai fazer seu corpo desidratar ainda mais em altitude. É por isso que se recomenda não consumir álcool fazendo montanhismo. Se você for beber, não o faça no dia anterior (ou melhor nos dois dias antes) a uma atividade em alta montanha. 

Com relação a alimentação, a dica é comer bem pra repor as energias. A gente levou várias barrinhas de cereais e a gente comia pelo menos duas unidades todos os dias. Você vai notar que o seu corpo vai pedir mais carboidrato. Isso é normal porque você vai gastar bastante energia nessas atividades.

Use Quito ou alguma cidade ao redor como seu campo base

Quito é uma das cidades mais elevadas do mundo. Ela fica a 2,850 metros de altura e está localizada bem próximo de várias montanhas e lugares incríveis pra fazer trilha. Portanto, usar Quito como sua base enquanto explora os arredores é uma boa ideia. A altitude da cidade também vai ajudar na aclimatação (veja a dica abaixo). Fazer as trilhas e montanhas e voltar para dormir em Quito vai fazer o seu corpo se aclimatar bem melhor do que ficar em altitude o tempo todo ou descer para uma cidade nível do mar.

Além disso, você pode usar os dias de descanso entre uma atividade e outra pra explorar a cidade e suas atrações. Foi o que a gente fez. Entre uma trilha e outra, a gente perambulava por Quito e achamos que funcionou bastante. Você também pode escolher ficar em outras cidades próximas à Quito, como por exemplo, Machachi. O custo de hospedagem vai ser menor, só toma cuidado pra não ficar muito isolado.

Se exercite alto e durma baixo

Dica básica que deve ser aplicada em qualquer alta montanha, das montanhas no Equador ao Everest, é fazer as trilhas em altitude e dormir em uma altura menor do que a que você praticou a atividade. Um exemplo seria subir o Rucu Pichincha (4697 metros) e dormir em Quito (2850 metros). Isso vai fazer o seu corpo aclimatar melhor à altitude.

Escolha a abordagem de ir aumentando a altitude gradativamente

Quando for montar o seu plano de aclimatação, pense em escolher lugares e montanhas em uma escala de alturas crescente. Por exemplo, comece com uma trilha à 3000 metros, e vá colocando outras com altura maior, por exemplo o Rucu Pichincha (4697 m), El Corazon (4790 m), Illinza Norte (5126 m), e deixe a montanha mais alta como o Cayambe, Antisana, Cotopaxi ou Chimborazo, pro final.

Tem muita gente que consegue conciliar as mais altas montanhas – o Cotopaxi e o Chimborazo – na mesma viagem. Se você planeja subir mais de uma alta montanha, coloque sempre a mais alta por fim. Ir acostumando o seu corpo a alturas diferentes é uma boa forma de aclimatação.

Coloque dias de descanso entre cada atividade

Mais importante do que fazer atividades em altitude, é descansar entre elas. Separe pelo menos um dia entre uma montanha/trilha e outra. Isso vai fazer você descansar, recuperar os músculos e ir para o próximo desafio ainda melhor. Você pode usar o dia de descanso pra conhecer os arredores do seu ponto base. No Equador é ainda melhor, pois, o país é pequeno e você pode fazer bate-volta pra vários lugares em um dia ou dois. 

Enfim, o nosso plano de aclimatação no Equador

Bom, depois de todas essas dicas, nada melhor do que te mostrar como foi o nosso plano de aclimatação. Nosso objetivo final no Equador era conquistar o cume do Cotopaxi, o maior vulcão ativo do país com 5897 metros de altura. Pra isso, a gente teve que montar um plano de aclimatação gradual, com vários dias de descanso entre cada atividade e tomando muita, mas muita água (e chá). O resultado disso tudo? Chegamos ao cume sem nenhuma dor de cabeça, totalmente adaptados à altitude.

Plano de aclimatação no Equador para alta montanha.
Gráfico de aclimatação de altitude máxima por dia.
  • Dia 1: Otavalo (mercado de artesanato e dia livre para perambular e se adaptar um pouco à altitude).
Laguna Cuicocha, Equador.
Laguna Cuicocha, Equador.
  • Dia 2: trilha em volta da Laguna Cuicocha (14 km com altura máxima de 3400 m). Foi a nossa primeira trilha, não muito maior do que a altitude que a gente já estava. A gente conta mais como foi a trilha nesse post aqui e também montamos um guia completo de tudo que você precisa saber pra fazer a trilha na Laguna Cuicocha (pra saber mais é só clicar aqui).
  • Dia 3: descanso em Quito (2830 m). A gente aproveitou pra visitar o centro histórico e perambular pela cidade.
Cume do Rucu Pichincha, Equador.
Cume do Rucu Pichincha, Equador.
  • Dia 4: trilha até o cume do Rucu Pichincha (cerca de 9 km com cume a 4637 m). O primeiro cume da viagem. A trilha foi muito gostosa e as paisagens inacreditáveis. Nos sentimos muito bem e até aqui, o corpo estava se adaptando bem à altitude. A gente conta mais como foi a trilha nesse post aqui e também montamos um guia completo de tudo que você precisa saber pra fazer a trilha até o cume do Rucu Pichincha (pra saber mais, é só clicar aqui).
  • Dia 5: trilha curta até o refúgio Nuevos Horizontes (no dia seguinte faríamos o cume do Illiniza Norte). A trilha era de algumas horas e dormimos a 4700 metros. Como a gente não colocou nenhum dia de descanso, o corpo sofreu um pouco mais. A gente conta mais como foi a trilha nesse post aqui.
Cume do Illiniza Norte, Equador.
Cume do Illiniza Norte, Equador.
  • Dia 6: ataque ao cume do Illiniza Norte (5126 m). Nossa maior altitude até então na vida e a gente conta como foi aqui! O corpo acordou nesse dia muito melhor e mesmo com o clima péssimo, conseguimos alcançar o cume do Illiniza Norte. 
  • Dia 7: descanso em Quito (2830 m). Estava um pouco gripado e esse dia a gente tirou pra ficar quieto no hostel, tomar sopa, vitamina C e descansar pro dia seguinte, quando iniciamos a nossa subida ao Cotopaxi.
  • Dia 8: trilha até o refúgio José Rivas, ponto de partida para o ataque ao cume do Cotopaxi. O refúgio fica à 4800 metros de altura e dormir lá antes de atacar o cume é uma excelente oportunidade para melhorar ainda mais a aclimatação. A trilha é de uma hora e você fica o dia todo descansando para o ataque ao cume. Meu corpo não estava 100%, mas nada que me fizesse desistir. A gente conta como foi esse dia aqui.
  • Dia 9: o Dia D da viagem. O dia de ataque ao cume do Cotopaxi. Todo o processo de aclimatação seria posto à prova agora. Felizmente, tudo deu certo e a gente conquistou o cume do Cotopaxi depois de 6 horas de subida! O passo a passo desse dia você pode ler nesse post.

QUER APOIAR O FÉRIAS CONTADAS??

Você pode apoiar o nosso filho Ferias Contadas de várias formas: curtidas, comentários e compartilhamento dos posts, inscrição na newsletter e o céu é o limite (até massagem no pé tá valendo hehehe)!

CLIQUE AQUI pra saber como!

Deixar uma resposta