A Montagne Noire e o acidente do Bombardier Liberator Harry

A Montagne Noire e o acidente do Bombardier Liberator Harry

Era noite do dia 19 de outubro de 1943. O avião da Força Aérea Real Canadense, o B-24D – Bombardier Liberator Harry, fazia um voo de rotina entre Gander, Newfoundland, até Mont-Joli, Québec. Devido ao mau tempo, o Liberator Harry teve que ser desviado até Montreal. Entretanto, o avião não chegou ao seu destino e o último contato foi perto da cidade de Grand-Mère, Québec, totalmente fora da sua rota planejada.

Em 1946, mais de dois anos depois do desaparecimento, no alto de uma montanha chamada Montagne Noire, foram encontrados por acidente os destroços do avião. Com a queda, foram também a vida de 24 militares (23 canadenses e um americano). Esse foi o maior acidente aéreo em solo canadense durante a Segunda Guerra Mundial.

Se você está confuso do porquê dessa história, a gente te explica. A gente resolveu explorar a Montagne Noire, um das maiores montanhas da região da Lanaudière (Québec), que além de ser uma trilha super gostosa de fazer, guarda na sua história o trágico acidente que você acabou de ler. Quase no topo da montanha, você passa pelos destroços do avião que ainda estão no lugar, e mais a frente, pelo memorial em homenagem às vítimas, onde você pode aprender mais sobre o acidente.

Iniciando a trilha rumo ao cume da Montagne Noire

Início da trilha logo no estacionamento.
Início da trilha logo no estacionamento.

A gente escolheu fazer o circuito de 11.8 km. O acesso ao parque é gratuito, assim como o estacionamento. Primeiro, pegamos a trilha do Sentier des Randonneurs des Hauts Sommets por mais ou menos 800 m. Esse percusso leva a uma interseção: para a esquerda, você continua na mesma trilha, Sentier des Randonneurs des Hauts Sommets, fazendo uma subida gradual (a maior parte em área aberta), e que passa pelo Chalé Le Mésangeai. Já para a direita, você pega uma outra trilha, o Sentier Inter-Centre, com uma subida um pouco mais puxada e praticamente toda dentro da floresta.

Tínhamos lido que um dos caminhos pouparia os joelhos na descida, mas a gente não lembrava exatamente qual era. Pegamos primeiramente a trilha da esquerda, mas voltamos logo depois, pois vimos que a grande parte das pessoas (todas pra falar a verdade…) estavam usando o outro caminho, pelo Sentier Inter-Centre. Depois da meia volta continuamos.

Interseção entre a trilha de ida e volta do circuito ao cume da Montagne Noire. Nesse ponto, pegamos a direita.
Interseção entre a trilha de ida e volta do circuito ao cume da Montagne Noire. Foi aqui que a gente pegou a direita.
Primeiro viewpoint da trilha, logo após a interseção.
Primeiro viewpoint da trilha, logo após a interseção.

A trilha pelo Sentier Inter-Centre a partir dessa interseção foi bem tranquila. No começo passamos pelo primeiro mirante que dava vista para Lac Archambault. Dali, a subida continuava gradual, exigindo um pouco de esforço, mas nada muito diferente do que a gente já viu em outras montanhas aqui do Québec, como o Mont Saint-Joseph (leia mais aqui) e o Mont Gosford (leia mais aqui). Continuando, passamos pelo Lac Lézard, na verdade uma pequena lagoa, e continuamos a subida. O cume da Montagne Noire ficava mais ou menos na metade do circuito, assim como os destroços e o memorial do acidente do Bombardier Liberator Harry.

Destroços do Bombardier Liberator Harry e memorial do acidente

Destroços do Bombardier Liberator Harry - Montagne Noire.
Destroços do Bombardier Liberator Harry – Montagne Noire.

Quilômetros depois do início da trilha, estávamos enfim na parte que dava pra ver os destroços do avião. Era difícil de identificar o que cada pedaço de metal foi no passado. As peças estavam todas retorcidas. Algumas você poderia dizer que eram do trem de pouso, outras do corpo do avião, mas nada com 100% de certeza. Os destroços estavam cercados por uma corda para impedir o acesso muito próximo dos curiosos.

A placa indicava o local exato do acidente, assim como do memorial às vítimas.
A placa indicava o local exato do acidente, assim como o memorial as vítimas.
Uma das asas do avião. A única coisa que eu achei um desrespeito foi que muitas pessoas colocaram seus nomes e vandalizaram a asa. Isso não pode ser feito com esse tipo de memorial. Vergonha!
Uma das asas do avião. Muitas pessoas vandalizaram a peça riscando nomes e mensagens. Vergonha!
Memorial às vítimas do acidente com o Bombardier Liberator Harry.
Memorial as vítimas do acidente com o Bombardier Liberator Harry.

Ali mesmo na área dos destroços, uma pequena placa indicava o caminho até o memorial. A medida que a gente ia se aproximando, o silêncio ia aumentando. A galera que fazia trilha parava, colocava as mãos para trás como sinal de respeito e passavam de placa em placa, lendo e se informando sobre o que tinha acontecido ali. No começo das escadarias, mais alguns destroços do avião, e subindo mais um pouco, dava pra ver as cruzes em homenagem aos que perderam a vida no acidente. Para os mais empolgados, ainda existia um pequeno mirante acima do cemitério comemorativo para uma vista mais ampla do lugar do acidente. A gente preferiu continuar a trilha sem subir nesse mirante.

Partes finais da trilha até o cume da Montagne Noire.
Partes finais da trilha até o cume da Montagne Noire.
Plataforma no cume da Montagne Noire.
Plataforma no cume da Montagne Noire.

Após o memorial a subida ficou feroz. Não era muito longa, mais comparando aos quilômetros iniciais, gastamos bem mais energia aqui. A subida nos levou até o cume da Montagne Noire. Como em muitas montanhas aqui no Québec, o cume da montanha não tinha uma vista 360 graus para as redondezas. A solução para esse problema? Construir uma plataforma gigante onde as pessoas podem subir e apreciar a vista. Era o caso da Montagne Noire. A plataforma tinha uns 20 metros de altura e a vista lá de cima era maravilhosa.

A vista lá de cima era incrível!
A vista lá de cima era incrível!

Iniciando a descida

Após explorar a plataforma e tirar fotos no cume, a gente se sentou em um pedra bem pertinho e almoçou. Lá no cume você vai ter a opção de sentar em algumas mesas (na hora que chegamos todas as mesas estavam ocupadas).

Início da trilha de descida, logo após a área aberta no cume da Montagne Noire.
Início da trilha de descida, logo após a área aberta no cume da Montagne Noire.
Lac Crystal.
Lac Crystal.

Para volta a gente tinha planejado voltar pelo mesmo caminho até o memorial e assim pegar a trilha que iria para a direita. Mas, depois de comer, vimos uma pequena placa dizendo que a tal trilha de volta era usada somente nos meses de inverno. Nos demais períodos, outra trilha deveria ser usada (e o que alongava um pouco o circuito).

Intersecção para entre a trilha de descida e do Refúgio Le Mésangeai.
Intersecção entre a trilha de descida e o Refúgio Le Mésangeai.
Trilha mais larga e aberta durante praticamente toda a descida.
Trilha mais larga e aberta durante praticamente toda a descida.

Seguimos por essa trilha durante vários quilômetros por dentro da mata fechada. Em alguns trechos, tivemos dificuldade para passar devido à presença de árvores caídas. Tirando isso, foi uma parte bem agradável de se fazer. Passando o último lago da trilha, o Lac Crystal, chegamos a outra interseção. Para a direita, a trilha levava para o Chalé Le Mésangeai e para a direita, até a interseção inicial (aquela do começo lembra?) que levava ao estacionamento. Dali pra frente, a trilha era bem larga, sem muita vegetação e com uma descida continua, interminável. A gente tinha sacado que essa era a direção que forçaria mais os joelhos! Bom, não tinha outra escolha a não ser continuar.

E a gente aproveitou pra colher framboesas...
E a gente aproveitou pra colher framboesas…

Uma coisa positiva durante a descida era que por todo lado a gente encontrava pezinhos de framboesa. A gente parava pra colher as mais maduras, comer e dar uma boa respirada, além de descansar os joelhos! Continuando a trilha, alguns quilômetros depois, a gente estava novamente no estacionamento.

Conclusão sobre a Montagne Noire

Adoramos fazer trilha, isso todo mundo sabe ou já deu pra perceber. Entretanto, quando a trilha proporciona muito mais do que vistas incríveis é ainda melhor. Conhecer a história do acidente com o avião da Força Aérea Real Canadense durante a segunda guerra foi incrível. Se você vier pra essas bandas, quiser fazer uma trilha e ainda ter uma aula de história a Montagne Noire é sem dúvida a sua escolha!

MAIS INFORMAÇÕES:

Sites úteis: 

Como chegar: Carro. Seguem as coordenadas da entrada do parque : 46.260167, -74.248754.

Custo: Gratuito. Chegue cedo pois o site é bem famoso e fica cheio, principalmente nos finais de semana.

Horário de funcionamento: Aparentemente, você pode ir a qualquer hora. Não consegui achar nenhuma informação sobre horário de funcionamento. Na dúvida, te nos sites acima ou na internet. 

Dificuldade: moderada.

O que levar: tênis/botas e roupas apropriados para hiking e para a época do ano correta. Bastões de trekking são altamente recomendados. Leve um lanchinho (pão, bolo, banana, etc.), umas barras de cereais e pelo menos 1 litro de água. Protetor solar, repelente e óculos escuros também são importantes.

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