Vulcão Concepción – Subindo o nosso primeiro vulcão

Seriam mais ou menos 9h de trilhas. Não estávamos esperando que fosse tão complicado, mesmo nunca tendo feito algo parecido anteriormente. Mera ilusão!

O vulcão Concepción é o maior dos dois vulcões que compõem a paisagem de Ometepe. Com 1600 metros de altura e ainda ativo, teve a sua última erupção por volta dos anos 1950. Ainda é possível ver os rastros de lava petrificada em várias direções. Não sei ao certo o porquê a gente resolveu encarar o Concepción, mas a gente decidiu mesmo assim.

Seriam mais ou menos 9h de trilha (ida e volta). Não estávamos esperando que fosse tão complicado, mesmo nunca tendo feito algo parecido anteriormente. Para a subida, contratamos os serviços da agência Ometepe Tours. Pagamos um total de 76 USD para duas pessoas, sendo 20 USD para a agência e o restante para ao guia.

Bom… Café da manhã tomado, era hora de partir. O cronograma não permitiria muitos atrasos. Fomos rumo a Reserva Vulcán Concepcìon, mas antes de entrar, tivemos que parar em uma pequena guarita onde assinamos um termo de consentimento (afinal, iríamos subir um vulcão ativo!). Feita as formalidades, começamos a trilha dali mesmo.

A caminhada começou tranquila até os 200 metros de altura. Pra falar a verdade, as primeiras centenas de metros de trilha eram praticamente planos e repletos de pequenas propriedades. Dava pra ver os moradores arando a terra bem escura e irregular, ou fazendo seus afazeres dentro das casas, casas essas feitas de barro e cobertas com folha de bananeira.

A partir dali, a floresta foi se intensificando assim como a inclinação da trilha. Tudo ficou mais difícil. Até os 1000 metros, a caminhada era dentro da mata fechada, em zigue-zague e com uma boa inclinação. Poucos momentos para descansar os músculos da perna ou recuperar o ar. Confesso que já estávamos extremamente cansados aos 500 metros de altura, perguntando constantemente em que altura estávamos para o nosso guia.

Tirando o foco da trilha por um momento, era incrível a quantidade de vida que tinha naquele lugar. Nosso primeiro contato direto foi com um grupo de macacos bem curiosos. Eram daquela espécie de pelo negro com a cara mais clara. Em primeiro momento só observavam o nosso movimento pela trilha. O que não esperava era que eles fossem começar a tacar pedaços de madeira em nossa direção. Como assim? O guia nos disse após ver o ato de hostilidade dos macacos que não é incomum ter pessoas sendo atacadas por eles. E ele só falou isso agora?

Tirando essa experiência no mínimo peculiar, o guia nos mostrou várias tipos de plantas, frutas e diversos animais. Um que me lembro bem foi a explicação sobre a Urraca, um pássaro típico da região, que possui as cores da bandeira da Nicarágua, mas que para a tristeza do guia, não era o animal nacional.

Ele também deu bastante atenção as plantações ao longo da trilha e como as pessoas faziam para tirar o sustento da terra. Dizia com maestreza o que estava sendo plantado. Falava do solo, de como cresciam, como funcionava os ciclos de plantação, etc. Era um verdadeiro conhecedor da terra. Isso me intrigou bastante.

— “Como você leva avida, Aristides?”, perguntei.

— “Boa parte do dinheiro que conseguimos vem da atividade turística, e o restante, da agricultura”, respondeu com satisfação.

Ele estendeu o comentário, dizendo que a maioria dos guias fazem a mesma coisa. Em certas épocas do ano, o turismo tem uma retração e é justamente nessa época que a agricultura se torna uma fonte de renda familiar. Foi legal saber que de uma forma ou de outra, o turismo vem ajudando essas pessoas a terem uma vida com um pouco mais de conforto.

O cansaço foi aumentando e na minha cabeça, já considerava não ir ao cume, mas parar no mirante (algo em torno de 1000 metros) pra decidir se continuaríamos ou não depois de alguns momentos de descanso. Alguns minutos de caminhada e muito esforço, lá estávamos nós no mirante. A vegetação foi mudando de floresta densa para vegetação rasteira. Descansamos ali por 10 minutos olhando pro topo do vulcão e pensando se a gente ia ter energia pra continuar e vencer os últimos 600 metros de subida.

Momentos antes de tentar a subida final, os últimos 600 metros até a cratera do vulcão Concepción.
Momentos antes de tentar a subida final, os últimos 600 metros até a cratera do vulcão Concepción.

A essa altura do campeonato já estávamos extremamente cansados, mas não queríamos desistir de alcançar o topo do vulcão Concepción. Decidimos então continuar somente pelo prazer em concluir o objetivo. A intenção foi boa, mas o corpo em um dado momento contrariou a nossa vontade e resolveu desistir. Chegamos nos extraordinários 1200 metros de altura de onde podíamos ver boa parte da ilha de Ometepe, além da porção continental e até mesmo o oceano Pacífico. Valeu a pena de qualquer forma.

Essa foi a foto de despedida do vulcão Concepción. Os sorrisos eram de alegria. Por mais que a gente não tenha alcançado o topo, a vista de lá era incrível.
Essa foi a foto de despedida do vulcão Concepción. Os sorrisos eram de alegria. Por mais que a gente não tenha alcançado o topo, a vista de lá era incrível.

Dá pra ver Punta Jesus Maria bem de longe. Vendo essa foto, consigo entender que fomros até longe dadas as circunstâncias.
Dá pra ver Punta Jesus Maria bem de longe. Vendo essa foto, consigo entender que fomos até longe dadas as circunstâncias.

Era hora da descida.Quem pensa que pra descer até o santo ajuda, nesse caso, não tivemos ajuda alguma. Pelo contrário, a descida foi muito mais complicada do que a subida. Já estávamos bem cansados e para completar, havia começado a chover. Demoramos mais para descer do que para subir e foi um bom sacrifício que virou sem dúvida uma boa história para contar.

✅ Dica: A agência sugere levar pelo menos 3 litros de água e a comida que você vai consumir no dia. Eu também sugiro a utilização de botas e roupas leves, boné, além de bastões de caminhada. Esses sim vão te ajudar na subida. Fomos muito despreparados, e acho que isso ajudou um pouco à não termos conseguido alcançar o topo. 😥

Já na base, depois de várias horas de caminhada, nos sentamos e descansamos o possível antes do transporte nos buscar. Depois de 9h de caminhada e muito suor gasto, podíamos enfim dizer que o nosso primeiro Vulcão havia sido vencido, ou quase, mas com muito orgulho do que havíamos conseguido ali.

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