A Walker’s Haute Route, ou em português a Rota Alta do Caminhante, é uma variação simplificada da famosa Haute Route, feita normalmente com o uso de skis, e que atravessa os maiores montes dos Alpes franceses, suíços e italianos. É considerada um dos 10 melhores circuitos de hiking/trekking do mundo onde tem as mais belas paisagens dos Alpes, desbancando até o famoso trekking do Mont Blanc (TMB). Pra falar a verdade, muitas pessoas acabam fazendo o TMB sem saber da existência da Walker’s Haute Route. Uma pena!

A rota clássica, popularizada pelo guia Trekking Chamonix to Zermatt – The Classic Walker’s Haute Route (que falaremos mais abaixo) parte de Chamonix, na França, coladinha ao Mont Blanc, e atravessa vilarejos, florestas, vales incríveis, geleiras (os famosos glaciares), tudo isso próximo aos 3000 metros de altura. Depois de 2 semanas e mais de 180 km de trilha, o destino final é a cidade de Zermatt, na Suíça, com o famoso Matterhorn de plano de fundo.

Espero que este artigo te ajude no planejamento do seu trekking pela Walker’s Haute Route! o objetivo é ter uma viagem agradável e desafiante! Se tiver algum dúvida ou comentário, é só comentar aí embaixo!

Mais sobre a Walker’s Haute Route

A Walker’s Haute Route é considerada pouco técnica mas com o nível de dificuldade que vai de médio à difícil (falo mais embaixo sobre o assunto). Isso é devido a duração e ao desnivelamento diário (subidas e descidas). Na rota clássica, são mais de 180 km (uma pequena parte na França e o resto na Suíça, passando pelo Canton du Valais – veja abaixo), mais de 12000 metros de ganho de elevação e por volta de 10000 metros de perda. A duração média do trekking é de 14 dias (cerca de 13 km por dia de caminhada).

Fonte: Wikipédia

Como a estrutura turística é bem desenvolvida, você pode fazer da forma que quiser, podendo corta caminho, pular algumas cidades, usar o transporte público, teleféricos e dormir em vários tipos de acomodação, das mais simples (acampamentos), até opções de luxo com muito conforto.

Qual é o itinerário?

Itinerário Clássico

Walker's Haute Route - Itinerário Clássico

O itinerário clássico pela Walker’s Haute Route é o mostrado a seguir (só estou informando o ponto de partida até o ponto de chegada. Entre cada localidade, podem existir várias alternativas à trilha principal):

Dia 1: Chamonix até Argentière (9 km | Ganho: 214 m | Perda: 0 m)

Informações práticas: É descrito como um dia de adaptação para o trekking. Muita gente mescla esse estágio com o seguinte, pegando um ônibus de Chamonix até Argentière e começando a trilha de lá.

Dia 2: Argentière até Trient (12 km | Ganho: 953 m | Perda: 925 m)

Pontos importantes: Argentière (1200 m) > Col de Balme (2195 m) > Trient (1300 m).

Informações práticas: Se você tiver tempo, experimente a rota alternativa que passa pelo Refuge Les Grands. As vistas de lá são incríveis e você já tem um primeiro encontro com o Glaciar de Trient.

Dia 3: Trient até Champex (14 km | Ganho: 1386 m | Perda: 1199 m)

Pontos importantes: Trient (1300 m) > Fenêtre d’Arpette (2665 m) > Champex-Lac ou Champex (1466 m).

Dia 4: Champex até Le Châble (13 km | Ganho: 104 m | Perda: 749 m)

Informações práticas: Você pode mesclar esse dia com o dia seguinte, fazendo dois trechos em um só e indo diretamente até a Cabane du Mont Fort. O interessante aqui é conhecer paisagens típicas da Suíça, assim como a vida cotidiana da galera local.

Dia 5: Le Châble – Cabane du Mont Fort (13 km | Ganho: 1636 m | Perda: 0 m)

Pontos importantes: Le Châble (820 m) > Chez Dany > Cabane du Mont Fort (2457 m).

Informações práticas: Você pode subir de Le Châble até bem perto da Cabane du Mont Fort de teleférico.

Dia 6: Cabane du Mont Fort – Cabane de Prafleuri (14 km | Ganho: 885 m | Perda: 740 m)

Pontos importantes: Col de Termin (2648 m) > Col de Louvie (2921 m) > Col de Prafleuri (2965 m) > Cabane de Prafleuri (2624 m).

Informações práticas: Um dos dias mais exigentes, mas também um dos dias mais lindos do trekking. Você vai sair da cabana e passar por 3 passes. Leve comida e água suficientes para o dia todo.

Dia 7: Cabane de Prafleuri – Arolla (16 km | Ganho: 735 m | Perda: 1353 m)

Pontos importantes: Cabane de Prafleuri (2624 m) > Col des Roux (2804 m) >Lac des Dix (2365 m) > Col de Riedmatten (2919 m) ou Pas des Chèvres (2855 m) > Arolla (2000 m).

Informações práticas: O caminho entre o lago e o Col de Riedmatten ou Pas des Chèvres é bem rochoso e exige cuidado redobrado. Ambos vão te dar uma visão incrível dos alpes, e quem sabe a primeira do Matterhorn, bem pequeno no horizonte. Na descida, ambas as trilhas se encontram e o seu destino final, Arolla, estará mais abaixo, depois de alguns quilômetros de trilha.

Dia 8: Arolla – La Sage (10 km | Ganho: 215 m | Perda: 554 m)

Dica: Você pode mesclar esse dia com o dia seguinte, fazendo dois trechos em um só e indo diretamente até a Cabane de Moiry.

Dia 9: La Sage – Cabane de Moiry (10 km | Ganho: 1617 m | Perda: 459 m)

Pontos importantes: La Sage (1667 m) > Col de Tsaté (2868 m) > Glacier de Moiry > Cabane de Moiry (2825 m).

Dia 10: Cabane de Moiry – Zinal (14 km | Ganho: 462 m | Perda: 1612 m)

Pontos importantes: Zinal (1675 m) > Sorebois (2438 m) > Col de Sorebois (2847 m) > Lac/barrage de Moiry (2249 m) > Cabane de Moiry (2825 m).

Informações práticas: Você pode descer de Sorebois até Zinal de teleférico.

Dia 11: Zinal – Gruben (14 km | Ganho: 1199 m | Perda: 1052 m)

Pontos importantes: Zinal (1675 m) > Col de la Forcletta (2874 m) > Gruben (1822 m).

Dia 12: Gruben – Saint Niklaus (16 km | Ganho: 1072 m | Perda: 1767 m)

Pontos importantes: Gruben (1822 m) > Augstbordpass (2894 m) > Jungen (1955 m) > Saint Niklaus (1127 m).

Informações práticas: Você pode descer de Jungen até Saint Niklaus de teleférico.

Dia 13: Saint Niklaus – Europa Hut (18 km | Ganho: 1663 m | Perda: 570 m)

Informações práticas: verifique o estado atual da trilha entre Gasenried e Europa Hut. Por causa de deslizamentos recentes, a trilha foi parcialmente fechada. Nesse site, você vai poder se informar melhor.

Dia 14: Europa Hut até Zermatt (18 km | Ganho: 348 m | Perda: 962 m)

Pontos importantes: Cabane Europa Hut (2265 m) > Ponte Charles Kuonen-Hängebrücke (2017 m) > Täschalp (2214 m) > Zermatt (1608 m)

Informações práticas: Último dia de todos. A expectativa de terminar a jornada pela Walker’s Haute Route está flamejando na cabeça. Cuidado com a primeira parte, porque ela é um pouco perigosa, mas depois é só alegria.

Nosso itinerário

Walker's Haute Route - Nosso itinerário

Mas agora, que tal fazer algo diferente? Como a gente gosta de ser do contra, decidimos fazer o itinerário inverso com algumas adaptações (sim você pode adaptar como quiser!). Tínhamos somente 15 dias de férias e queríamos conhecer algumas cidades da Suíça, como Zurique, Genebra e Berna. Portanto, não poderíamos fazer os 14 dias recomendados para o trekking completo. Decidimos fazer tudo em 10 dias, cortando os trechos menos necessários (mais fáceis ou com vista menos favorecidas, se é que isso existe nos Alpes!) e chegamos ao seguinte itinerário:

Dia 1: Zermatt – Cabana Europa Hut
Dia 2: Cabana Europa Hut – Grächen
Dia 3: Grächen – Gruben
Dia 4: Gruben – Zinal
Dia 5: Zinal – Cabane Moiry
Dia 6: Cabane Moiry – La Gouille
Dia 7: La Gouille – Cabane de Prafleuri
Dia 8: Cabane de Prafleuri – Cabane du Mont Fort
Dia 9: Cabane du Mont Fort – Martigny
Dia 10: Martigny – Chamonix

Qual é a melhor época do ano para ir?

A melhor época do ano para fazer o trekking da Walker’s Haute Route é de junho à setembro. É do final da primavera até o começo do outono que as trilhas vão estar mais acessíveis e os principais refúgios vão estar funcionando. Na minha opinião, a melhor época seria entre julho e agosto, já que nos meses de junho e setembro, ainda pode nevar, principalmente nas partes mais elevadas da trilha (mas ainda sem a necessidade de equipamentos especiais, como crampões, etc).

As temperaturas no verão podem variar bastante do dia para a noite, sendo normalmente muito quente durante o dia e relativamente frio durante a noite. As temperaturas negativas são possíveis (principalmente no locais mais altos da trilha), mas menos frequentes durante essa época do ano. Durante todo o trekking, uma roupa mais quente e o cobertor fornecido nas acomodações era geralmente suficiente pra passar a noite. Usamos um fleece pela manhã, mas quando chegava nas partes mais altas da trilha, a gente tirava o que dava, quando o corpo ficava quente o calor era insuportável.

Se você está pensando em fazer o trekking nos outros meses do ano (de outubro a maio), não se preocupa, ainda é possível! Mas com ressalvas. As trilhas ficam mais perigosas e mais técnicas por causa da neve e do gelo, sendo necessário equipamentos especiais. Além disso, a disponibilidade de hospedagem diminui e uma boa parte dos refúgios e cabanas vão estar fechados durante essa época do ano.

Qual o nível de dificuldade do trekking? Devo estar em forma?

A maioria dos trechos da Walker’s Haute Route é classificada como nível T3 (de T1 à T6) na escala de dificuldade do Clube Alpino Suíço ou CAS (link para a tabela completa em francês). Segundo o CAS, trilhas T3 são:

Trilhas não necessariamente visíveis, passagens expostas podem ser asseguradas com cordas ou correntes, eventualmente apoio das mãos necessário para equilíbrio. Algumas passagens expostas com risco de quedas, cascalhos, encostas misturadas com rochas sem caminho definido. Se marcada, será seguindo normas da FSTP: branco, vermelho e branco.

O CAS exige que as pessoas que querem se aventurar por esse tipo de trilha tenham alguma experiência com trekking em montanha, além do uso de botas de trekking apropriadas. Dito isso, e por experiência própria, eu não recomendaria a Walker’s Haute Route pra quem tem pouca ou nenhuma experiência com trekkings de vários dias ou mesmo hikings mais exigentes. Grande parte da trilha é em encostas com precipícios e em alguns pontos, um passo em falso pode ser fatal. Definitivamente não é uma trilha para iniciantes.

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Agora, se você já tem experiência com trekking e caminhadas em alta montanha, é a hora de falar sobre o condicionamento físico. Sim, você tem que ter algum se quiser completar o trekking com o mínimo de conforto possível. Mesmo que a quilometragem diária não assuste de primeira (14 quilômetros por dia em média no nosso caso), o desnivelamento é o verdadeiro bicho papão da história.

Diariamente, você terá que transpor cadeias de montanhas, subindo, descendo, subindo e descendo. No total, fazendo o itinerário padrão, são mais de 12000 metros de subidas e mais de 10000 metros de descida. Isso é coisa pra caramba. Agora imagina isso tudo carregando uma mochila de mais ou menos 10 Kg. Então não dá bobeira, treine bastante, se acostume a carregar peso e suba muita escada por aí!

E com relação à segurança (assaltos, furtos, etc)?

Do ponto de vista de assaltos ou coisa do tipo, vai tranquilo porque você tá na Suíça. Durante os 10 dias de trilha, não ouvi um relato se quer de algo que tenha acontecido com alguém. Simples assim. Entretanto, é sempre bom redobrar a atenção e se puder não fazer esse tipo de caminhada sozinho(a), mesmo que a gente tenha visto várias pessoas sozinhas pela trilha, eu não aconselharia.

Qual livro/guia é o mais recomendado?

Tenho certeza que você vai encontrar muita coisa aí no mercado. Mas o guia mais indicado em todos os fóruns e sites (não é brincadeira, esse guia é super referenciado) é o Trekking Chamonix to Zermatt, The classic Walker’s Haute Route, vendido pela editora Cicerone. Você encontra a versão PDF no Google Play, caso não encontre a versão impressa. É considerado por muitos como a “Bíblia” do trekking da Walker’s Haute Route. Durante o nosso trekking, quase 100% das pessoas usavam ou sabiam da existência do livro.

Eu comprei o guia e na minha opinião pessoal, o guia é muito confuso e com detalhes desnecessários. Ele é bom para você ter uma visão geral do itinerário ou saber curiosidades sobre o trekking em geral, mas se você estiver procurando informações úteis como hospedagens, alternativas, mapas, etc. a internet é a melhor fonte de pesquisa.

Devo usar um mapa?

Mesmo que a trilha seja bem sinalizada em sua grande maioria (sinais branco-vermelho-branco pintados nas rochas), ter um mapa vai te ajudar bastante durante o trekking, principalmente se você não tiver um guia e estiver fazendo o trekking por conta própria. Se você pesquisar na internet, vai achar uma variedade de opções, em papel, digital, pagas, gratuitas, oficiais, etc. É uma variedade que na verdade te deixa mais confuso do que te ajuda.

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Pra resolver o seu problema, eu vou te dar a dica de ouro que me ajudou bastante durante o meu trekking na Walker’s Haute Route. Use o Google Earth pra criar todo o percurso que você vai passar! Pra te ajudar, vou colocar o arquivo que montei e você pode adaptar como quiser. Depois, é só exportar pra um arquivo KML.

A mágica vem agora! Você vai baixar e abrir o arquivo com o aplicativo Maps.me (android/iphone). Simples assim! Você vai ter acesso à trilha durante todo o trekking, com GPS se precisar e sem necessidade de internet (os mapas no aplicativo Maps.me podem ser baixados gratuitamente). Que tal trazer o trekking à moda século 21?

O que devo levar? Algum equipamento especial?

Em geral, nada além do recomendado para um hiking ou trekking convencional. Você pode ver o que levamos nesse post. A regra principal é pensar no peso. Você vai carregar a sua própria mochila (a não ser que contrate alguém para fazer isso) durante vários dias, e garanto que qualquer grama extra que você possa eliminar vai aumentar as suas chances de concluir o trekking com mais segurança e conforto. Somos experiência viva disso. Saímos de casa com pouco peso (algo em torno de 10 Kg), e mesmo assim, tivemos que deixar coisas pelo caminho para diminuir o peso.

Claro que a lista vai variar se você decidir acampar durante a trilha. Daí você vai precisar levar uma barraca, um colchonete, saco de dormi e cobertores. Se for cozinhar por conta própria, vai ter que levar um fogareiro, panela, talheres, pratos, e a lista só aumenta. Vai depender de cada um. Entretanto, a regra geral ainda vale: leve somente o necessário!

Onde se hospedar?

Em cada destino durante o trekking na Walker’s Haute Route, você vai encontrar várias opções de acomodação, das mais econômicas (camping, dormitórios, pousadas, etc.) até as mais luxuosas (hotéis 5 estrelas, por exemplo). Entretanto, principalmente nas áreas mais remotas, as únicas opções de hospedagem vão ser os refúgios ou cabanas, que oferecem comida e vários serviços. Você vai encontrar mais abaixo uma lista selecionada de acomodações nos pontos mais importantes do trekking na Walker’s Haute Route.

Reserve já a sua hospedagem usando o Booking.com.

Camping

O camping selvagem não é permitido na França e desencorajado na Suíça. Se você for acampar na Suíça, entretanto, recomenda-se montar a barraca ao anoitecer e desarmá-la no raiar do sol, de preferência em um local onde não se possa ver o acampamento e sem deixar nenhum rastro de sujeira pra trás. Isso se deve ao fato de que a maioria das terras no decorrer da trilha são propriedades privadas e ninguém quer saber de intrusos em suas terras.

Pra evitar problemas inesperados, você vai encontrar campos de camping (normalmente um por cidade/vila) durante a trekking. Eles são em geral bem mais em conta que dormitórios e hotéis e possuem uma boa infraestrutura, com energia elétrica, internet, banheiro, cozinha, etc. Alguns lugares até alugam equipamentos se você tiver necessidade de alguma coisa.

Hotéis e Dormitórios

Nas cidades e vilas, muitos hotéis e pousadas oferecem quartos compartilhados, que são chamados Dortoirs (dormitórios). São mais caros do que o camping, mas são bem mais em conta do que quartos privados (preço normalmente por pessoa). É a opção perfeita pra quem quer um pouco de conforto, mas não quer pagar muito por isso.

Se você quer ficar em hotéis com mais estrutura e/ou quarto privado, você vai pagar mais caro por isso. Nas pesquisas que fiz para fechar minhas hospedagens, os preços das diárias eram absurdos, comparados aos que normalmente pago nas minhas viagens. Tinha hotel que passava de 500 francos a diária (coisa de 500 dólares americanos). A Suíça é um destino extremamente turístico e eles são especialistas em turismo de luxo.

Na minha opinião, hotéis de luxo não fazem tanto sentido pra quem vai andar 180 km por conta própria. Os dormitórios estão aí pra isso. Mas, se você quer mais conforto e luxo durante o seu trekking, tenho certeza que você vai encontrar bons hotéis pelo caminho que vão valer mais ou menos o preço que eles vão cobrar.

Refúgios e Cabanas

Os refúgios e cabanas vão ser normalmente as únicas opções em determinados trechos da trilha. É aceitar ou escolher outra trilha pra fazer, simples assim. Costumam cobrar bem caro em comparação com outras opções nas cidades e vilas. Entretanto, oferecem o que nenhuma outra hospedagem vai ser capaz de oferecer: a experiência da alta montanha. Eu particularmente adoro esse tipo de lugar. É onde você vai conversar com várias pessoas de todos os lugares do mundo, descobrir coisas novas, compartilhar experiências, enfim, são verdadeiros clubes do bolinha para amantes da montanha.

💡Dica: reserve os refúgios e cabanas com alguma antecedência. No meu caso, reservei tudo faltando ainda 1 mês para o início do trekking. Vi pessoas chegando em cima da hora e não conseguindo lugar pra dormir em alguns trechos da trilha.

Pra te ajudar, coloquei mais abaixo o mapa com informações de contato de todas as hospedagens que ficamos e algumas opções. No caso dos refúgios e cabanas, algumas vão aceitar a reserva pela internet, mas a maioria só por telefone.

Os refúgios normalmente fornecem (por um valor extra) o café da manhã e a janta, o que chamam de Demi-Pension. Você não é obrigado a pagar pela comida, mas vai ter que trazer a sua e as vezes os refúgios e cabanas não vão te deixar usar a cozinha. Outra coisa é que eles vão te cobrar pelo banho, as vezes pela eletricidade e se você não tiver purificador de água, uma garrafa de água pode custar os olhos da cara.

Onde comer e como se hidratar?

Por não ser um trekking em uma região inóspita (na maior parte do tempo), você vai encontrar muita variedade de locais para abastecer a mochila, comer e tomar água. Quase todas as cidades e vilas no meio do caminho vão ter pequenos mercados ou restaurantes. Recomenda-se levar comida para 1 dia (máximo 2), para não fazer muito peso na mochila (ninguém quer carregar peso extra sem necessidade).

Se você é daqueles que cozinha a própria comida, certifique-se que o hotel permite que você cozinhe ou leve seu próprio fogareiro. Se você quer já a refeição pronta, a maioria dos hotéis e refúgios vão oferecer alimentação (jantar e café da manhã, o chamado Demi-Pension que falei acima) por um preço adicional.

Com relação a hidratação, quase todas as cidades tem fontes de água potável espalhadas pelas ruas. O problema são as regiões mais isoladas (áreas mais altas). Lá, você vai ter que encher a garrafa com a água dos riachos que descem pelas encostas. Na nossa experiência, nunca ficamos na mão com relação ao nível de água nas garrafas. Sempre que encontrávamos um riacho, a gente parava pra beber água e recarregar as garrafas. A dica é sempre racionar pra não faltar, principalmente em áreas mais inóspitas, como os passes, geleiras, etc.

Se você estiver se perguntando sobre a qualidade da água, ela é normalmente pura e própria para beber em todas as fontes e riachos disponíveis durante o trekking. Por via das dúvidas, leve uma garrafa daquelas que tem filtro embutido ou pastilhas de purificação de água. Precaução nunca é demais. A gente levou as pastilhas e usou somente pra purificar a água dos refúgios. Era isso ou pagar 8 francos por uma garrafa de 2L. Tenho certeza que você faria o mesmo!

Como se locomover de transporte público e teleférico?

Tem muita gente que critica quem usa o transporte público para pular etapas do trekking ou simplesmente porque está cansado e quer economizar energia. Eu não tenho nada contra. Acho até mais inteligente se você tem poucos dias de viagem ou não está no melhor da sua forma física.

No nosso caso, não queríamos gastar 14 dias na trilha, só 10. Se esse também é o seu caso, você é uma pessoa de sorte! Para mais detalhes sobre os “atalhos” de transporte público, sugiro usar o site da SBB (Caminhos de Ferro Federais Suíços) que vai te mostrar tudo (horário dos trens e dos ônibus).

Já com relação aos teleféricos, você vai encontrar uma infinidade deles na Suíça e na França. Mais abaixo, coloquei alguns trechos que podem ser pulados com o uso do teleférico. Eles são pagos, mas a boa notícia é que se você se hospeda em alguns hotéis/refúgios/cabanas específicos você “ganha” um passe diário para usar nos teleféricos. É o caso do teleférico perto de Zinal e da Cabane du Mont Fort. Pra gente foi mão na roda, principalmente pro nosso plano de terminar em 10 dias, ao invés de 14.

Dinheiro, ATMs e cartões de crédito, o que fazer?

Dólares, Euros, Francos e ATMs ?

Por não fazer parte da União Europeia (não sabia?), a Suíça usa o Franco Suíço e não o Euro. Entretanto, é possível usar Euro principalmente nas cidades mais próximas da fronteira com a França. Isso não que dizer que o Euro vai ser aceito em todo o trekking, e eu posso dizer por experiência própria que em alguns lugares ele não vai. Calcule quanto você vai precisar de cada moeda, e já vá com a quantia estimada para o trekking.

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Mas aí você vai me perguntar, e se eu levar um pouco e tirar o resto em algum caixa eletrônico? Pode funcionar, mas quando fizemos a trilha, muitas lugares não possuíam ATMs. E como você vai ver mais abaixo, cartões de crédito são aceitos, mas em muitos refúgios, só dinheiro vai pagar pela estadia. Não vale correr o risco de deixar pra última hora.

Cartões de Créditos

Muitos supermercados, hotéis e restaurantes vão aceitar cartões de crédito. Esse é o ponto positivo de estar fazendo trekking em um país com uma boa estrutura de turismo como a Suíça. Entretanto, não é regra e até um pouco arriscado. Portanto, não use o cartão de crédito como modo de pagamento principal. Minha dica é levar para usar em situações de emergência e pra sacar dinheiro quando necessário e possível nos ATMs.

Wi-Fi e internet sem fio, rola ou não?

Você vai encontrar wi-fi/internet de boa qualidade na maioria das cidades e vilas durante o trekking na Walker’s Haute Route. Os hotéis e albergues geralmente fornecem gratuitamente. Já nas cabanas e refúgios, a história é diferente. Nenhum desses lugares fornecia wi-fi. Isso pode ser uma oportunidade para você se desligar do mundo e se conectar com o ambiente que você está inserido.

Com relação ao chip de celular local, eu acho uma boa ideia adquirir um, principalmente para uso em caso de emergências. A cobertura celular na Suíça é muito boa e vai até o alto das montanhas, muito porque existem pessoas que moram lá, e elas, como quaisquer outras, tem o direito de ter um acesso a internet de qualidade. Use isso ao seu favor, em uma situação de emergência ou perigo, ter um celular que funciona pode salvar a sua vida.

💡Dica: Dado a natureza do trekking em montanha, é importante ter um celular com sinal durante a maior parte da trilha. Esse é o caso da Walker’s Haute Route. Nas nossas pesquisas, a empresa que tinha a melhor cobertura, principalmente na região do Valais (sul da Suíça) era a Suisscom (comparada com as demais Sunrise e Salt).

Contratamos o plano pré-pago da Suisscom já quando chegamos no aeroporto de Zurique. Pagamos 30 francos por 15 dias de plano (2 francos/dia de utilização de dados) com direito à 10 GB de dados (após o uso, velocidade reduzida). Por experiência de uso, só não tivemos sinal nos arredores da Cabana de Prafleuri. Nos demais trechos e localidades, o sinal era ótimo e a internet era de qualidade.

Qual é a língua mais útil por lá?

A Suíça é um daqueles exemplos de mistura cultural e o resultado disso é que o país possui quatro línguas oficiais: francês, alemão, italiano e o romanche. A região de Valais onde estão as trilhas da Walker’s Haute Route são de maioria francesa e alemã, mais francesa do que alemã, pra falar a verdade. De Chamonix até Zinal, o francês é a língua predominante. Passando o Col de Tsaté, você entra nos vales onde o alemão é a língua predominante.

E o inglês? Pode ser útil de alguma forma? Sim, vai, mas em muitos lugares, as pessoas vão falar mal ou com o sotaque carregado, ou talvez nem falar. Se você não fala nenhuma das línguas oficiais, se prepare para gastar a mímica e ter boas experiências (essas a gente nunca esquece!).

Acomodações e serviços por localidade

Esqueci alguma coisa? Alguma pergunta que não foi respondida no nosso Guia Completo da Walker’s Haute Route? Se sim, deixa seu comentário aí embaixo que a gente vai tentar te responder rapidinho. Isso vai ajudar a acrescentar ainda mais informações que podem ajudar outros viajantes!

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