O Cotopaxi é um vulcão com 5897 metros de altura. Seu cume é coberto por neve, pouco importa a época do ano, e as condições climáticas podem variar drasticamente de um instante pro outro. Além disso, para esse tipo de montanha, vários equipamentos são necessários e sem eles é praticamente impossível (ou até mesmo irresponsável) de se tentar a subida ao cume. Nesse artigo, vou listar quais os equipamentos e vestimenta que usamos para alcançar o cume do maior vulcão ativo do Equador.


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Vestimenta

Usamos o tradicional sistema de camadas para alta montanha: base layer, mid-layer, outer-layer. A base layer ou segunda pele é responsável por reter o seu calor e ao mesmo tempo permitir que a transpiração seja retirada do seu corpo. A mid-layer é toda peça de roupa que possibilita a saída da transpiração, mas ao mesmo tempo permite a entrada de ar (respiração da pele). Já a outer-layer, essa é responsável pela proteção contra os elementos, é o seu escudo contra neve, vento, chuva, etc.

Base Layer

1x Segunda pele 100% merino wool (190 gr/m2) da Quechua. Era colada ao corpo e funcionou como esperado. Manteve a nossa temperatura enquanto tirava a transpiração para as camadas exteriores.

1x Par de calças segunda pele da Eddie Bauer (Midweight Freedry Merino Hybrid Baselayer Pants) composta de 48% merino wool, 48% polyester e 4% spandex e assim como a parte superior funcionou como esperado.

1x Par de luvas finas sintéticas que vão em contato com a pele. Usei as luvas Trek 500 Mountain Liner da Quechua. O objetivo é reter o calor e jogar a transpiração para as camadas superiores da mesma forma que nas pernas e no tronco.

1x Par de meias finas ou liners da Icebreaker (Hike Liner Crew) composta de 55% merino wool, 43% nylon e 2% Lycra. Essa meia mais fina é muito importante para evitar a criação de bolhas devido a fricção da meia mais grossa (abaixo) com as botas e também tirar rapidamente a transpiração do pé, evitar congelamento e perda de calor.

1x Par de meias de montanha mais grossas que iam até o joelho. Era da Darn Tough (Mountaineering Over-the-Calf Socks) composta de 73% merino wool, 25% nylon e 2% spandex. Útil para manter os pés e as pernas aquecidos e secos.

1x Balaclava da Outdoor Research Option composta de 63% nylon, 23% polyester e 14% spandex para proteger a cabeça. Foi a única coisa que usei durante a subida e foi o suficiente. Levei também uma toca estilo boliviana (lã de alpaca), mas não cheguei a usar, pois não estava tão frio no dia que subimos o Cotopaxi.

Mid-Layer

1x Camiseta de manga comprida Dry-Fit comum. O que importa aqui é que a camiseta seja de material sintético para permitir a transpiração. Usei uma camiseta velha de uma corrida que participei anos atrás. Funcionou perfeitamente.

1x Fleece Polartec 100. Esse é um fleece mais leve, que permite uma boa transpiração sem perder a capacidade de aquecimento. Usei um fleece da Columbia (recomendo). Levamos também um fleece Polartec 200, mais pesado, mas o guia nos disse que não seria necessário, então deixamos no refúgio antes do ataque ao cume.

1x Jaqueta Soft Shell da Outdoor Research, a Ferrosi Hooded. Essa foi uma das melhores aquisições que fizemos. É uma jaqueta leve, respirável, corta-vento e resistente à água. Suporta o uso de capacete de escalada e a sua elasticidade não restringe o movimento. Li em vários lugares que muitos montanhistas usam somente ela quando o tempo está bom na montanha.

1x par de calças Soft Shell Outdoor Research Cirque. Simplesmente perfeita! A OR Cirque é leve, resistente à água (DWR aplicado) e ultra resistente contra impactos e rasgos. Permite ajustes na cintura e nos calcanhares. Não levamos nenhuma hard shell (e graças a Deus não precisamos) para as pernas, mas pensando bem, talvez na próxima eu levaria, no caso de algum imprevisto.

1x Par de luvas Outdoor Research PL Base Sensor composta de Radiant Fleece 63% nylon, 23% polyester e 14% spandex. Foi o suficiente até perto do cume, quando começou a fazer mais frio e tivemos que colocar as mittens (àquelas luvas sem dedos, próprias para frio extremo).

Outer-Layer

1x Anorak ou jaqueta hard Shell da MEC Hydrofoil Stretch. Uma jaqueta a prova de água e vento, respirável, com 2.5 camadas Pertex Shield, 40-Denier e com bolsos frontais embaixo dos braços. Não posso reclamar dessa jaqueta. Fez o trabalho nos mantendo secos e protegidos do vento durante toda a subida ao cume do Cotopaxi.

1x Jaqueta de pena de ganso Downlight Stormdown da Eddie Bauer. Usamos no cume (quando o corpo não estava mais em movimento). Ela tem um fill-power de 800, o que foi o suficiente pra manter a gente quente quando precisava.

1x Par de luvas Mittens. Não sei exatamente a marca e a composição das luvas que usamos no Cotopaxi, pois usamos luvas alugadas. Entretanto, essas luvas são items importantíssimos e indispensáveis para alta montanha. Usamos elas na parte final da subida ao cume e quase durante toda a descida.

1x Par de gaiters MEC Kokanee Gore-Tex, pra evitar que a neve entrasse nas botas. Eram totalmente a prova de água (Gore-Tex) e respiráveis. Entretanto, no dia que subimos, eles quase não foram necessários, pois não nevou e neve que já estava lá estava baixa e compacta.

Equipamentos e Acessórios

Nosso maior desafio até agora - Cume do Cotopaxi.

No quesito equipamentos, não tem muito pra onde correr. Para escalar o Cotopaxi são exigidos uma série de equipamentos,que podem ser relativos à segurança, como por exemplo o capacete, ou à proteção de alguma parte específica do corpo, como os óculos de sol. Todos foram importantes e são items obrigatórios.

1x Capacete da Black Diamond Hald Dome. Só tenho elogios para esse capacete. Ele é um dos mais indicados por aí. No dia de ataque ao cume do Cotopaxi, vi várias pessoas usando o mesmo capacete. E não é por menos, é resistente, ajustável e o melhor, barato. Foi uma das melhores aquisições que fizemos.

1x Lanterna de cabeça Black Diamond Spot Headlamp e foi simplesmente a escolha perfeita. Era para uso geral no refúgio e para o ataque ao cume (saímos 23h da noite). Seus LEDs ligados em potencia máxima produzem 300 lúmens, o que é mais do que suficiente para alta montanha. Ela também é a prova de água (IPX8) e tem vários modos de iluminação que podem ser úteis. A lanterna funciona com 3 pilhas AAA e a bateria pode durar até 175 horas.

1x Harnais da Petzl. Alugamos os harness direto com a agencia em Quito. Não eram os mais leves que a marca disponibiliza. Normalmente a agência também cobra o aluguel do mosquetão, mas no nosso caso, o guia já tinha os que ia precisar.

1x Par de botas de montanha Scarpa Inverno (Gabriela usou outro modelo). Cada uma pesava 1.2 Kg. Elas eram alugadas, pois são items muito caros e de uso específico. Se você faz alta montanha constantemente, acho que vale a pena comprar, se não alugar é o esquema. Posso dizer que sem elas não sei como seria a subida. São extremamente estáveis e quentes. Entretanto, vi várias pessoas com botas mais leves (também de montanha), mas que talvez valham mais a pena pelo peso e mobilidade.

1x Par de crampões para montanhismo da Petzl. Também alugamos os crampões com a agência. São items pesados que são usados somente quando chegamos ao glacier do Cotopaxi. Sem eles, é praticamente impossível subir ao cume. Na descida, também ajudam na fixação dos pés no gelo evitando deslizes e acidentes.

1x Machado de neve ou ice axe. Eles foram usados durante o ataque ao cume do Cotopaxi. Era a nossa primeira vez usando esse equipamento mas depois de alguns minutos já parecia natural saber como usá-los. São importantes principalmente para o apoio na montanha durante a subida e descida, mas também durante uma queda, quando são usados como freio.

Último descanso e última foto da descida. Depois disso, foi muito esforço, mas conseguimos!

2x Trekking poles Black Diamond Trail Ergo Cork. Foram um dos items que mais usamos no Cotopaxi. Levamos 2 cada um e foram usados tanto na subida ao refúgio José Ribas como no ataque ao cume (só usamos 1 com um adaptador para neve profunda). Eles já vem nos acompanhando em todos os hikings e trekkings que fazemos por aí e são excelentes. São expansivos, podendo chegar até 140 cm.

1x Ôculos de neve G 500 da Décatlon que tem proteção 100% UV. Não muito importante durante as primeiras 6 horas de subida, mas extremamente necessário no cume. A incidência de raios UV no topo do Cotopaxi é muito maior do que estamos acostumados no cotidiano de uma cidade. Se os olhos forem exposto por muito tempo sem nenhuma proteção a famosa cegueira da neve por acontecer. Muitos alpinistas também escolhem usar óculos escuros com proteção lateral. Vai do que você achar melhor.

1x Mochila pequena de 20L da Osprey DayLite Plus para o dia do cume. Foi o suficiente, mas re-analisando, eu iria com uma mochila um pouco maior e que tivesse suporte para trekking poles ou ice axes. Tivemos que improvisar os lugares pra colocar alguns equipamentos e isso me tirou do sério algumas vezes. Recomenda-se uma mochila de 70L para levar todo o equipamento até o refúgio e de 30L para o dia de cume.

Alimentação

Como o ataque ao cume exige bastante, qualquer peso extra pode atrapalhar. É por isso que levamos pouca comida e bastante líquido. Pro cume, levamos o seguinte (por pessoa):

  • 2x Barrinhas de proteína Clif.
  • 1x Pacotinho preparado pelo nosso guia com frutas e pacotinhos com amendoim, milho seco, e uma barrinha de cereais.

Hidratação

Pra uma subida de 6-7 horas e mais 2-3h de descida, tivemos que levar bastante liquido. Esse foi basicamente o principal do que levamos na mochila. Em resumo, o que levamos para beber foi:

  • 1x Garrafa de Gatorade.
  • 1x Garrafa de água de 1L da Nalgene. A garrafa tem que ser de plástico que isola melhor à água e impede o congelamento imediato.
  • 1x Garrada térmica com chá preparado no Refúgio José Ribas. Isso se você quiser ter algo quente pra beber na subida. Particularmente, pra gente não foi muito útil. Quando abrimos para beber, o chá já estava morno.

Conclusão

Para subir o Cotopaxi tivemos que nos planejar e nos preparar com os equipamentos certos. Não basta somente ter condicionamento e força de vontade. A escolha dos equipamentos e vestimenta pode fazer toda a diferença para o sucesso, assim como para o fracasso na hora de atacar o cume. A regra vale pro Cotopaxi e para qualquer alta montanha. Planeje com calma, pesquise bastante e sempre coloque a segurança e o conforto em detrimento do preço. Boa montanha pra você!

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