Vulcão Cotopaxi – A subida ao refúgio José Ribas


Estava doente. A garganta havia piorado bastante desde o cume do Iliniza Norte. Fazia mais frio do que o esperado e o corpo já mostrava os sinais do cansaço. A gripe só se aproveitou e me pegou de vez. Dormi nesse dia pensando qual seria a desculpa para dizer ao guia. Que não poderia subir ao Cotopaxi por isso ou por aquilo. Minha vida estava em jogo. Como posso escalar uma montanha de 5897 metros resfriado e sem estar 100% fisicamente. Isso ficou na minha cabeça.

Acordei incrivelmente melhor no dia seguinte (não sei explicar), mas ainda um pouco debilitado. O guia Ramiro nos buscou no hostel por volta das 11 AM. Depois de muito trânsito, chegamos a agência de aluguel de equipamentos onde testamos as botas de montanha e mais alguns equipamentos. Pra minha surpresa, as botas eram pesadíssimas. Couberam como uma luva, mas cada uma pesava mais de 1 kg. Era um peso que não estava preparado para levantar. Isso sem contar os crampões que teria que colocar durante a subida em cada um dos pés. Isso me preocupou ainda mais…


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Entrada norte do Parque Nacional Cotopaxi.

Bom… A viagem só estava começando. De lá até o Cotopaxi foram quase 2h, indo por estradas secundárias até a entrada Norte do parque. O guia pegou nossos documentos (burocracia para entrar no parque) e ali mesmo, arrumamos as mochilas e colocamos as botas, já que o estacionamento mais próximo ao vulcão costumava ter mais ventos e poeira – o que dificultaria a preparação. Arrumamos as mochilas e aproveitamos para fazer um almoço rápido.

Na estrada já dentro do parque, tudo era diferente. A paisagem parecia de outro planeta, pedras enormes espalhadas uniformemente por todos os lados e uma vegetação rasteira bem característica. Alguns cavalos pastavam pelo caminho, bem tranquilos. Lá no fundo, enorme, imponente, surgia com algumas nuvens o gigante Cotopaxi, o maior vulcão ativo do Equador. Eram 5897 metros de altura e de perfeição. Um cone perfeito, com a base vermelha escura e o topo coberto por neve. Aquele seria o nosso objetivo. Não dava pra acreditar.

No meio do caminho, olha quem resolveu aparecer?

O guia apontou o dedo mostrando um pontinho laranja e amarelo no meio do vulcão. Era o Refúgio Jose Ribas. Estava bem alto. O carro pararia bem perto e teríamos que fazer uma subida com todo o equipamento nas costas por uns 45 minutos até lá. Seria com certeza mais fácil do que os dias anteriores.

Chegamos ao estacionamento, sacamos as mochilas e começamos a subida. Como estava ainda debilitado, pra mim foi mais difícil. Gabriela seguia na frente, firme e forte, e eu só me perguntava a cada passo dado o porquê daquilo tudo. Eram várias pessoas que tentariam o cume naquela noite. Mas metade não chegaria, já que essa é a taxa de sucesso do Cotopaxi.

Refugio José Ribas e uma pequena parte do Cotopaxi. Dá pra ver o início do glacier.

Depois de muito esforço, carregando quilos e quilos de equipamentos nas costas e nos pés, finalmente chegamos ao refúgio. Sim, primeiro passo cumprido. Entramos no refúgio e foi como se estivéssemos entrando em um clube de alpinismo. Várias pessoas estavam sentadas nas mesas, esperando pelo jantar. Conversavam em voz alta, jogando cartas. Muitas sorrindo. Nas paredes, as bandeiras de vários países, assinadas por várias pessoas que passaram por ali. O guia nos levou rapidamente para o quarto. Eram várias beliches. Pegamos as nossas, deixamos os equipamentos e as mochilas e descemos para o jantar.

O jantar foi simples, mas de bom gosto. A entrada era uma sopa saborosa de batatas e o prato principal foi frango com arroz e batatas. A sobremesa foi banana com chocolate, nada mais. O jantar foi bem mais leve do que o servido no refúgio do Iliniza Norte. Não sei o porquê, mas acho que era pra não comer nada muito pesado. Estaríamos de pé em algumas horas rumo ao cume do Cotopaxi.

Bateu aquela vontade de ir ao banheiro. Fomos avisados que o banheiro interno do abrigo não estava funcionando e que deveríamos ir e utilizar o de fora. Mas não tinha nenhum lá fora. Foi quando uma pessoa nos disse sobre uma tal pá. Resumindo a história, tivemos que usar uma pá após efetivamente fazer nossas necessidades no vulcão. Saímos e ainda tinha um pouco de luz. Fomos ao lugar indicado, preparamos o necessário e mãos a obra. Estava frio e a neblina tomava conta do lugar. Fizemos o que tínhamos que fazer, cobrimos com a terra e voltamos rapidamente ao refúgio.

Voltamos ao dormitório e nos preparamos para dormir. Isso era por volta das 18h. Dormiríamos até as 23h, hora que todos deveriam acordar, colocar os equipamentos e se preparar para a subida. Ainda não conseguia acreditar que poderia subir. Fechei os olhos e peguei no sono, bem leve, mais o suficiente para descansar um pouco até a hora mias importante.

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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