Uma aula de gastronomia com empatia em Hoi An


Era uma manhã quente em Hoi An e a gente não via a hora de chegar na nossa aula de gastronomia vietnamita. O caminho para a aula parecia parte de um livro de crônicas especial. Casinhas e lanternas coloridas por todos os lados e a tranquilidade no rosto das pessoas que contagiava.

No ponto de encontro, um restaurante super chique e aconchegante, fomos surpreendidos com drinques de boas-vindas. A gente conseguia sentir o cheiro da madeira e das comidas saborosas vindo da cozinha. Tudo parecia estar no lugar certo pra que o dia legal acontecesse. Foi ai que descobrimos que tinham mais pessoas que iriam participar da aula. Eramos 8 pessoas, 6 pessoas da Nova Zelândia, Marcos e eu de brasileiros pra dar uma temperada no ambiente.

Depois de todo mundo pronto, fomos para a feira conhecer os alimentos que seriam utilizados nas receitas da aula. Eram cores, texturas, aromas que ninguém ali estava acostumado – olhos e narinas estavam extasiados com tantos estímulos diferentes. Vimos uma fava de baunilha gigante, mangas suculentas, cocos gigantes, rambutã, fruta do dragão, durian, etc. E os legumes? Suculentos! Mais ao fundo do mercado, vimos peixes, lulas, ostras e caranguejo pra todo lado. O caminho era narrado pela professora que explicava o que eram aqueles alimentos e como escolher da maneira correta.

Depois de uma aula sobre os ingredientes, pegamos um barco que nos levou até onde seria a aula. Ao chegar, ganhamos drinques de boas vindas de novo! Ao falar com o pessoal que eramos brasileiros o assunto não poderia ser outro, futebol. Era copa do mundo e todo mundo queria saber como que a terra do futebol estava lidando com o campeonato mais importante do mundo. A gente fez piada com a goleada passada da Alemanha e todo mundo riu muito. Depois fizemos piada com as quedas do Neymar, todo mundo riu de novo – a gente sabe mesmo ver os obstáculos de um jeito divertido, ta no sangue. Era como se a gente tivesse um passaporte de gente boa. Só de ser brasileiro, as pessoas pré-jugavam a gente como sendo gente boa.

A aula foi uma delícia, em todos os sentidos. O professor explicava os ingredientes e as etapas de preparação e logo em seguida a gente corria pra fazer os passos – tinha que ser rápido se não a gente esquecia tudo. Todo mundo se sentiu no Masterchef Brasil. E vou te falar, não eram ingredientes muito diferentes do que a gente está acostumado – salada, arroz, molho, frango – mas eram temperos e formas de cozinhar tão diferentes que pareciam alimentos de outro planeta. Os meus preferidos foram a flor da bananeira na salada e o pãozinho de arroz, que delicia!

Depois da aula, fomos levados para o restaurante da escola. Era um restaurante bem chique, com mesas viradas pra um jardim grande, o piso era um mármore escuro que trazia um pouco de frescor pro calor que fazia naquele dia. Sentamos na mesa com outro casal e começamos a jogar papo fora. Eles eram mais velhos e estavam encucados em como a gente foi parar ali, dois brasileiros que foram pra uma aula de culinária vietnamita com varias pessoas da Nova Zelândia.

Explicamos que eramos brasileiros, mas que morávamos em Montreal, Canada.

— “Por que vocês moram fora do Brasil?”,  vinha de novo a pergunta que mais nos fazem desde que deixamos a terrinha.

Expliquei o programa de imigração no Canadá e como já estávamos integrados a nossa rotina canadense – sentíamos muita falta dos familiares e amigos, mas a nossa rotina era muito melhor no novo pais escolhido pra morar.

E nisso a senhora começou a contar que ela era filha de imigrantes, e que ela também teve que deixar o pais de origem para viver uma vida mais confortável na Nova Zelândia. Ela contou que quando ela criança, ela se sentiu muito julgada por causa do seu sotaque. Começamos a conversar sobre imigração, sobre como para alguns povos, ela pode ser a ultima chance de sobrevivência pra muitas famílias. De uma forma ou de outra a empatia com aqueles que deixaram a terra que nasceu estava no ar.

Na volta cada pessoa dirigiu um pouquinho o barco e aproveitou o ventinho fresco do céu delicado do Vietnã. O dia mal tinha chegado na metade e já estávamos com a sensação de que aqueles momentos tinham valido a pena.

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Oi, me chamo Gabriela Mesquita

Adoro viajar. Sair da vida cotidiana e me jogar em lugares diferentes e viver experiências singulares. Tento mostrar aquilo que senti e vivi nas fotos que tiro e nos textos que escrevo. Enfim, quero que você viaje também, mesmo que dentro da sua cabeça.

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