Um relato sobre o Dia D: Pointe du Hoc


Conhecer os locais do Dia D é o tipo de turismo que nos tira da nossa zona de conforto e nos mostra um mundo não tão estável e agradável como estamos acostumados. É, na verdade, um turismo real, intenso. Foi exatamente isso que vimos e sentimos na Normandia e na nossa parada em Pointe du Hoc.


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Escolhemos visitar Pointe du Hoc por seu papel estratégico no Dia D. Foi bombardeada por horas com o objetivo de neutralizar a resistência alemã e possibilitar uma tomada por terra mais rápida. Estávamos empolgados com a escolha, mas não tínhamos ideia do quão impactante seria conhecer o local.

Já na entrada, bem na entrada mesmo, toda nossa empolgação foi colocada de lado e caiu a fixa que nada seria de brincadeira. Imensos blocos de concreto traziam esculpidos em letras maiúsculas e bem formais, frases que me deixaram um pouco abalado.

“(…) Eles lutam não pela luxúria da conquista. Eles lutam pelo término da conquista. Eles lutam para libertar… Eles anseiam, principalmente pelo fim da batalha, pelo retorno ao refúgio de suas casas.”

Franklin D. Roosevelt

“(…) Nossa dívida para com esses homens heróicos e mulheres valentes em serviço de nosso país nunca poderá ser retribuída. Eles conquistaram nosso gratidão imortal. A América nunca se esquecerá de seus sacrifícios..”

Harry S. Truman

Como se não bastasse, uma placa avisava mais pra frente que ainda poderiam haver bombas não detonadas e que estávamos por nossa própria conta e risco. Entendemos rapidamente o porquê da mensagem ao ver os primeiros buracos causados por elas, que iam se multiplicando, e no final, estavam por toda a parte, como um verdadeiro queijo suíço.

Pointe du Hoc, uma experiência surreal

Um relato sobre o Dia D: Pointe du Hoc

Minha cabeça dava nós. Era surreal ver tudo aquilo e imaginar, como em um filme, o que tinha acontecido ali. Mesmo décadas depois, os sinais ainda eram evidentes. Como uma cicatriz a céu aberto que fazia lembrar à todos, os horrores de uma guerra.

Seguimos por entre as crateras em direção aos bunckers, ou o que restava deles. Salas parcialmente queimadas. As marcas de bala ainda eram visíveis nas paredes. Imagino que nenhum trabalho de revitalizarão havia sido feito, justamente para passar uma mensagem de respeito à história. Continuo me arrepiando só de pensar.

Em um dos bunkers mais preservados, era onde também estava localizado o monumento em homenagem aos soldados de elite norte-americanos.

“Aos Rangers do 116° batalhão de infantaria que retomaram Pointe du Hoc nos dias 6, 7 e 8 de junho de 1944 sobre o comando do Coronel James E. Rudder da 1ª divisão americana.”

Olhamos para o horizonte e vimos o canal da mancha. Por alguns instantes, pensei que poderia esquecer o passado sangrento de Pointe du Hoc e se perder na beleza da paisagem e da praia. Mera ilusão. Muita coisa passava pela minha cabeça naquele momento. Havíamos acabado o tour por Pointe du Hoc em silêncio, pensativos, acho que em respeito à tudo que esse lugar representou e ainda representa para a história da humanidade.

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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