Um presente perfeito e inesperado em Nova York


Depois de um tempo dormindo, ouço a voz do piloto saindo dos alto-falantes do avião. Sabe aquela voz aveludada, característica dessa classe de trabalhadores? Ela informava que o aeroporto de Nova York estava fechado e estávamos aguardando autorização para o pouso. Estávamos a mais de 20 horas viajando: Bangkok – Tokyo – Nova York. O cansaço era grande que resolvi dormir novamente acordando somente quando o avião tocou o chão.

Ao toque brusco da aeronave na pista, olhei para o relógio e sim, estava quase na hora da nossa conexão para Montreal. Saímos do avião correndo, na esperança de conseguir chegar a tempo no portão de embarque. A imigração seguiu os protocolos, pegamos as malas, as despachamos novamente, corremos para o terminal correto, passamos pelos detectores de metais e pelos olhares indiscretos e enfim, lá estávamos em frente ao portão.

Chegamos muito depois do horário programado para a partida do voo. Esperávamos que com o aeroporto fechado, todos os voos estivessem atrasados, incluindo o nosso. Ao olhar para a televisão que mostrava os horários dos voos, vimos vários cancelados. Agora as preces eram para que o nosso não estivesse entre eles, que tudo estivesse em ordem e estaríamos em casa naquela noite, para descansar finalmente.

Nossas preces não foram atendidas. Sim, o nosso voo de redenção, de fuga, que nos traria descanso e tranquilidade estava cancelado. Um vermelho intenso ao lado da sigla do voo mostrava, atestava, o inevitável. No portão onde seria o embarque, uma equipe da companhia aérea montou uma “operação de guerra” para remarcar as pessoas para outros voos.

Chegou nossa vez. Em direção o guichê, o pensamento ainda era positivo. Haveria um outro voo mais tarde para nos acomodar. Na pior das hipóteses, a companhia nos proporcionaria vouchers para dormi e esperar o voo no próximo dia. Estava tudo praticamente resolvido, não é?

Entregamos nossos passaportes e a simpática atendente começou a procurar voos alternativos para nós. Depois de checar várias opções passando por diferentes aeroportos, nenhuma alternativa era mais viável do que esperar pelo voo do próximo dia. Foi então que perguntamos sobre os vouchers e a resposta não foi o que esperávamos:

— “Senhor, em caso de atrasos ou cancelamentos por condições climáticas, a companhia aérea não se responsabiliza pelas despesas com hotel ou comida…”. A resposta não poderia ser pior. Estávamos exaustos, sem energia para brigar, para reclamar, pra colocar a culpa em quem quer que fosse.

Foi então que Gabriela, em uma última tentativa, disse:

— “Hoje é o meu aniversário. Nós estamos extremamente cansados. Estamos viajando a mais de 20 horas. Você poderia ver se existe alguma possibilidade da companhia disponibilizar um hotel. Por favor?”.

A atendente pareceu simpatizar com a nossa causa, pediu um instante e começou a digitar freneticamente, analisando informações em um daqueles sistemas antigos, de linha de comando. Passados alguns minutos, ela começou a imprimir alguma coisa e fez uma pergunta inesperada:

— “Qual de vocês é brasileiro?”.

Gabriela olhou pra minha cara sem entender muito o que estava acontecendo e respondemos os dois ao mesmo tempo:

— “Nós dois somos, porque?”.

De repente, a atendente começa a falar português. Ela era brasileira!

— “A companhia vai abrir uma exceção pra vocês. Aqui estão os vouchers para o hotel e café da manhã. Vocês vão pegar uma van do próprio hotel fora do terminal e amanhã o voo de vocês é no mesmo horário.”.

Foi um momento de silêncio. Eu olhando para Gabriela e ela me olhando. A gente não sabia muito como reagir ao que tinha acabado de acontecer. A emoção era tanta que abraçamos a atendente como se fosse uma amiga que acabou de fazer algo incrível. Nunca vamos nos esquecer.

Depois de tanto estresse e cansaço, finalmente tivemos um momento de alegria, de calma. Fomos para o hotel e nos preparamos para dormi, pensando em tudo que tinha acontecido. No dia seguinte ainda teríamos algumas horas para aproveitar Nova York. Seria o presente de aniversário da Gabriela. Um presente perfeito e inesperado.

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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