Então, o que fazer em um vulcão super perigoso como esse? Desce-lo com uma prancha de madeira o mais rápido possível! Foi isso que fizemos no Vulcão Cerro Negro, pertinho de León na Nicarágua. Segundo a CNN, essa atividade turística está entre as mais perigosas do mundo. Ela é chamada localmente de Vulcano Boarding. Eu, entretanto, chamei de Skybunda (salve Natal-RN).


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O nome do vulcão Cerro Negro é auto-explicativo. Uma montanha negra contornada por outros vulcões e vegetação. O guia disse que ele era do mesmo tipo que dizimou a cidade de Pompeia, na Itália. Tentei enganar minha mente para não pensar no nível de perigo no qual estava me metendo.

Pessoal gente fina se preparando para a subida ao vulcão Cerro Negro.
Pessoal gente fina se preparando para a subida ao vulcão Cerro Negro.
A subida foi relativamente tranquila. O problema é carregar todo o equipamento que não é muito leve.
A subida foi relativamente tranquila. O problema é carregar todo o equipamento que não é muito leve.

A expectativa aumentava a cada passo rumo ao cume do vulcão Cerro Negro. Perigo, erupção inesperada, possibilidade de evacuação imediata. Me perguntava constantemente o que estava fazendo ali. Sabe, de alguma forma tentando validar a minha sanidade mental. Afinal, nunca imaginaria estar subindo um vulcão super ativo e descê-lo da forma mais maluca e inusitada possível. Era tanta preocupação que nem o peso do equipamento fazia diferença naquele momento

Preparação para a descida. Posso dizer que todo o equipamento é extremamente necessário. Macacão para proteger o rosto, os óculos para proteger os olhos e a bandana para evitar engolir poeira e pedras.
Preparação para a descida. Posso dizer que todo o equipamento é extremamente necessário. Macacão para proteger o rosto, os óculos para proteger os olhos e a bandana para evitar engolir poeira e pedras.

Chegando ao cume, o frio na barriga aumentou ainda mais. Antes de descer efetivamente, fomos em direção á cratera principal do vulcão. O cheiro de enxofre ficou muito mais forte. Ao tocar no solo, dava pra sentir um calor intenso. O guia falou que dava para cozinhar batatas sem nenhum problema. Era o que ele costumava fazer até alguém passar mal depois de comê-las e ele resolver parar de uma vez por todas de assar batatas no vulcão.

O momento de descer havia chegado. Vesti o macacão amarelo, as luvas, os óculos protetores e bandana (pra proteger a boca) enquanto ouvia atentamente as instruções do guia sobre como usar a prancha. A prancha parecia bastante um carrinho de rolimã com algumas alterações. Eu só tinha experiência com o skibunda nas dunas de Natal e com pedaço de papelão nas colinas da esplanada dos ministérios em Brasília. Aquilo era completamente novo pra mim.

No final, como última dica, o guia disse que quem quisesse mais adrenalina deveriam ir para um local mais alto que ele apontava. A minha cabeça interpretou as palavras do guia como “os que querem sobreviver, não usem o local mais alto”. Foi o que fiz.

Não sei se exagerei no perigo e prestei atenção demais na reportagem da CNN (talvez os dois), mas a descida não foi nem tão rápida e nem tão perigosa como eu esperava. Depois de chegar vivo na base do vulcão, tirar o equipamento e ver os demais do grupo descerem, conseguir entender melhor o que tinha acabado de acontecer. Mesmo se a descida não tenha sido como esperava (mortal), foi a experiência como um todo que valeu a pena. Afinal, não é todos os dias que subimos vulcões, não é mesmo?

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