Salar de Uyuni, o relato completo


Destino? Conhecer o famoso Salar de Uyuni. Saímos de La Paz com destino à cidade de Uyuni por volta das oito e meia da noite esperando encontrar quilômetros e quilômetros de estradas em péssimas condições. A viagem duraria cerca de 11 horas. De La Paz à Oruro, a estrada estava muito boa e deu para dormir um pouco. Dali em diante, tudo virou um pesadelo. O ônibus balançava com muita força devido às péssimas condições do trajeto e como se não bastasse a tampa da entrada de ar do teto quebrou e começou a bater, bater e bater.


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Enfim, havíamos chegado à Uyuni

Às sete horas da manhã, ao descer do ônibus após horas de balanço e barulho, tivemos uma calorosa recepção. Uma multidão nos aguardava na esperança de vender os passeios pelo Salar de Uyuni. Sabe vendedor de queijo na feira? Pois foi a mesma coisa!

Esperando o carro para ir ao Salar de Uyuni.
A espera do carango na frente da agência.

Tínhamos uma ideia de quais agências procurar, mas acabamos indo conhecer a agência de uma das pessoas da multidão. Você pode ler o relato completo da negociação aqui. Tour reservado, o embarque estava marcado para às 10h30. Esperamos por umas duas horas, tempo suficiente para conhecer um pouco da cidade e comprar algumas coisas para sobreviver no deserto, como água, biscoitos, alfajores e papel higiênico. Sim, alfajores são items básicos de sobrevivência!

Rumo ao Salar de Uyuni

A hora havia chegado. Entramos e demos de cara com três pessoinhas, que achávamos que eram britânicos, mas descobrimos posteriormente que eram alemães. O nosso grupo era formado por dois carros. Lá estavam dois japoneses, dois sul-africanos, um americano, uma inglesa, uma indiana, três alemães e três canarinhos amarelos (nós).

Cemitério de trens

O carro deu a partida e fomos em direção ao deserto de sal. Paramos na casa de um dos motoristas para pegar os mantimentos e os sacos de dormir. Rumo ao deserto, a primeira parada foi no cemitério de trens. A história do cemitério contada pelo nosso guia foi que aqueles trens eram usados para transporte de mercadorias entre o Chile e a Bolívia. Após a guerra entre os dois países em 1879, a ferrovia e os trens foram abandonados. Apesar de ser uma historia triste, hoje uma paisagem muito bonita e diferente.

O deserto de sal

Saindo do cemitério, fizemos uma rápida parada em um museu com várias esculturas de sal. Bem sem graça viu? O melhor estava lá fora, queria ir logo conhecer o maior deserto de sal do mundo. Logo depois, fizemos a primeira parada dentro do deserto propriamente dito. Conheceríamos as famosas pilhas de sal, que são nada mais nada menos do que sal extraído do solo para comercialização.

Salar de Uyuni.

É importante lembrar que a paisagem do deserto nem sempre é essa da imagem. Na época das chuvas, o deserto fica com uma fina camada de água que reflete tudo, construindo uma paisagem muito bonita. Fomos na época de seca, mas mesmo assim, a paisagem não deixou a desejar em nada, muito pelo contrário, foi incrível.

O carro prosseguiu e nos levou a uma casa feita de sal onde fizemos a nossa primeira refeição. Esqueci de comentar que nesse caminho todo até o almoço, fomos batendo papo com os alemães que falavam alemão (óbvio), inglês e espanhol. Eu não tinha um vocabulário muito grande em inglês, então quando ia puxar assunto, acabava iniciando em inglês, trocando pro espanhol e por fim falando em português (como assim?). Quem salvava no inglês era a Gabriela.

Expectativa x Realidade

Comemos a famosa carne de alpaca. Tinha gosto de carne de porco. Terminamos o almoço e começamos a tirar as fotos mais famosas do deserto. Aquelas clichê de rede social, sabe? Tiramos algumas, mas devido a falta de perícia dos fotógrafos, as fotos que eu pretendia ter não ficaram muito boas.

Isla Incahuasi, a ilha dos cactos gigantes

Saindo de onde estávamos, fomos em direção à Isla Incahuasi, que é uma “ilha” que brota do nada no meio do deserto e é repleta de cactos gigantes. Cada centímetro de comprimento significa um ano de crescimento, então façam as contas.

A entrada não estava inclusa no valor do passeio (Bs. 20 em 2010). O objetivo era subir ao topo da ilha para ver a paisagem. Fácil né? Até seria se os ventos (gelados) não nos empurrasse para os cactos e para o abismo (isso eu não falei para minha mãe, quando contei a história e mostrei as fotos).

Salar de Uyuni, Bolívia.
Fala aí se não parece que estou acima das nuvens?

A visão lá de cima era incrível. A única coisa que você vê é branco. O vento lá em cima já não importava, porque estávamos sentados observando o local de boca aberta. Valeu a pena pagar Bs. 20. Encontramos vários brasileiros nessa ilha, uns eram de Brasília também.

Nossa última parada antes de ir para o hotel seria na planície de sal para tirar algumas fotos. Tiramos várias fotos com o nosso grupo e fomos em direção à nossa primeira parada para dormir.

Hotel de Sal

Nosso último destino seria o hotel de sal. A viagem até lá durou cerca de uma hora. Na chegada constatamos que o hotel era realmente feito de sal! Mesas, cadeiras, paredes, camas, etc. O banheiro era convencional, mas seria pedir muito. Chegamos ansiosos por um banho. Faziam quase dois dias que estávamos sem tomar um. Os quartos no hotel de sal eram privados (quartos com duas camas ou com 4 camas), então dormimos todos no mesmo quarto e com um pouco de privacidade.

Interior do hotel de sal.
Área onde servirão as refeições no hotel de sal.

Quando entramos no hotel, o guia disse que só haveria água quente das 19h às 21h por causa do gerador e custaria Bs. 10. Sei que o valor era pequeno, mas não queríamos gastar nada além do necessário, pois no deserto não haviam casas de câmbio. Então decidimos tomar o banho sem aquecimento. Não foi uma das melhores ideias. Fazia muito frio e a água estava congelante. Cada um que entrava naquela água fria saia com o espírito revigorado (congelado, em outras palavras), você provavelmente sabe do que eu estou falando.

A imensidão do maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni.

Depois do banho, jantamos uma comida típica da Bolívia. Uma mistura de linguiça, batata frita, cebola super saborosa. Ela veio acompanhada de um café bem quentinho. Ficamos todos conversando (nós e o pessoal dos outros carros) na mesa até as luzes se apagarem e ser a hora de deitar. No dia seguinte, visitaríamos a laguna colorada, a árvore de pedra e várias outras paisagens sem dúvida impressionantes.

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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