As ruínas da cidade antiga de Tiwanaku


Acordamos bem cedo, tomamos café, fechamos a diária e deixamos nossas mochilas em um quartinho no próprio hostal em La Paz. Nosso destino seria visitar as misteriosas ruínas de Tiwanaku, uma civilização perdida que deixou muitas perguntas em aberto. 

Mais sobre Tiwanaku

A civilização Tiwanaku não é muito conhecida mesmo nos dias atuais, devido à falta de registros escritos. O que se acredita é que Tiwanaku (ou Tiahuanaco) foi a cultura precursora da civilização Inca. Acredita-se que durante seu apogeu, por volta de 300 DC, sua influência política e cultural se estendia por vários países atuais, dentre eles, Bolívia, Chile e Peru. Esse “quê” de desconhecido sobre Tiwanaku fez o nosso tour ser ainda mais interessante. Nada melhor do que visitar um local histórico cheio de perguntas e mistérios. 


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Fomos da maneira mais em econômica possível. Em primeiro lugar, pegamos uma vanzinha perto do hostel em direção ao cemitério da cidade. Em seguida pegamos uma outra van que ia direto para Tiwanaku. Não tinha erro. Entramos na van primeira van que iria para Tiwanaku e esperamos por 30 minutos antes de partir.

Durante a espera, vimos uma Tchola sentada em um botijão de gás, como se esperasse alguma coisa (Tcholas são mulheres vestidas de trajes típicos bolivianos). Entretanto, não foi a forma característica na qual se vestia que despertou nossa atenção, mas o que ela fez em frente aos nossos olhos. O caminhão do gás apareceu e lá estava ela, descarregando 2 botijões imensos como se fossem cestas de algodão doce 🤪.

Já em direção às ruínas, paramos diversas vezes pelo caminho. Pessoas entravam e saiam sem parar. Em uma dessas paradas, alguns policiais entraram e pediram nossas identidades. Checagem de rotina, eu acho. Tirando isso, a viagem foi bem rápida e 30 minutos depois, estávamos em Tiwanaku, cidade de mesmo nome.

A primeira coisa que fizemos foi comprar os ingressos. Na porta da bilheteria, algumas pessoas oferecem serviços de guia turístico cobrando em torno de Bs. 60 (em 2010). Não contratamos o guia para economizar (sabe como é mochileiro de primeira viagem, não é?). Após comprar o bilhete, visitamos um museu bem na entrada com os artefatos escavados no local e que contava um pouco da cultura Tiwanaku.

Pirâmide de Akapana 

Pirâmide de Akapana, Tiwanaku.
Mais não podia fotografar? Fui ler a placar quase 8 anos depois de tirar a foto…

Depois de visitar rapidamente o museu (não tinha nada muito interessante por lá, pra falar a verdade), fomos para as ruínas propriamente ditas. A primeira coisa que vimos foi a pirâmide de Akapana. Tinha que forçar um pouco a barra para ver uma pirâmide. Entretanto, algumas placas mostravam como deveria ser o formato original.

A pirâmide estava muito deteriorada devido a ação do tempo e a falta de cuidados (isso em 2010). Notamos que haviam trabalhos de restauração em andamento e após algumas pesquisas para escrever esse artigo, descobri que as restaurações não estavam sendo feitas conforme as construções originais (vale para todo o sítio arqueológico de Tiwanaku).

De um lado posso entender a dificuldade de montar um quebra-cabeças sem o manual. Por outro, fica a tristeza em saber que muita informação foi perdida e que talvez nunca possa ser recontada como deveria.

O Templete

Templete, Tiwanaku.

Saindo da pirâmide, fomos em direção ao que os habitantes locais chamam de Templete. O Templete é um conjunto de ruínas sob o nível do solo. Para mim são umas das mais belas de Tiwanaku. Bem no meio, vimos três pedras alinhadas. Como não tínhamos guia, começamos a imaginar para o que serviam. Várias teorias foram levantadas, mas nenhuma muito plausível. Outra coisa que chamou a nossa atenção foram as faces esculpidas nos muros que cercavam o local. Mistério!… uuuuuuu…

O Templo de Kalasasaya

Porta de entrada principal à Kalasasaya.

Logo depois, deixando o Templete, fomos em direção ao Templo de Kalasasaya, onde se localizam os monólitos e as famosas Puerta del Sol e Puerta de la Luna. O local é acessado por uma escadaria lateral. Embora exista um portal principal, que fica de frente para o Templete, ele não pode ser utilizado (por motivos de conservação).

Vista da Pirâmide de Akapana.
Monólitos característicos da cultura Tiwanaku.

Puerta del Sol, um portal para outro mundo?

Puerta del Sol, Tiwanaku.
Diz aí o que você acha? A figura no alto da ruína é ou não é um alienígena?

Em seguida, fomos conhecer finalmente a Puerta del Sol. Essa estrutura fazia parte das antigas construções de Tiwanaku e foi redescoberta parcialmente destruída no final do século XIX por historiadores europeus. Pra quem assistia os documentários sobre alienígenas no History Channel, ela aparece bastante por lá. Isso é porque na parte superior do monumento se encontra o que se parece com um ser de outro planeta 😯 Além disso, todos os solstícios de verão são celebrados rituais onde o Sol passa exatamente na abertura da porta e conta com a presença de várias pessoas importantes, incluindo o presidente do país.

Tiwanaku, terminando nossa visita

Saímos do sítio principal e fomos em direção à um outro museu. Sinceramente, o museu estava caindo aos pedaços. Algumas salas estavam fechadas para reforma, sobretudo o teto de uma das salas que estava visivelmente desgastado. Chegamos a ver uma sala igualmente em reformas com várias estátuas e artefatos sem nenhuma proteção. Lamentável!

A única coisa que conseguimos ver e que foi muito interessante foi a estátua gigante, semelhante à um dos monólitos encontrado em frente a entrada principal de Kalasasaya. A diferença era que esse tinha uns 3 metros de altura.

Faltava somente uma localidade para se visitar e essa não estava muito próxima ao sítio principal. Saindo do museu, virando à direita, caminhamos pela estrada por 1 km até chegar na última ruína do sítio, Puma Punku. Esse último se encontravam várias peças espalhadas, como se alguém quisesse montá-las, mas sem nenhum sucesso. A vista de lá era o que mais impressionava! Aproveitamos os últimos momentos do dia ali, sentados, vendo a hora passar, e sentindo a energia de um lugar esquecido no tempo e ainda repleto de mistérios.

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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