O caminho até Ayuttaya

Ayuttaya, antiga capital do império de Sião, foi o nosso último destino na Tailândia. Depois de visitar Bangkok e passar incríveis e inesquecíveis dias nas praias mais ao sul, tiramos um dia para visitar a cidade antes de ir para o Vietnã. Entretanto, o que mais nos chamaria a atenção durante o dia todo seria a nossa ida em si até a cidade.

Chegamos bem cedo à estação de trens de Bangkok (Hua Lamphong). Compramos os ingressos para a classe mais econômica possível. Antes de embarcar, porém, vimos todos pararem repentinamente. O hino da Tailândia começou a tocar os auto-falantes da estação. Todos estavam de pé, virados em direção ao retrato em tamanho real do monarca tailandês. Não sabíamos o que fazer exatamente e para não gerar nenhum inconveniente cultural, ficamos quietos até a música terminar. Foi interessante viver aquele momento. 

A música acabou e todos voltaram as suas vidas normais. Entramos na área de embarque (onde os trens se perfilam a espera dos passageiros) e lá, tivemos uma outra surpresa. Um filme estava sendo filmado. A estrutura das câmeras, luzes, cabos, atores estava montada bem na nossa frente. Lembrou bastante os filmes de Bollywood. Lembro até hoje dos tons e cores provocados pela iluminação intensa no terminal de trens.

O deslumbre com o set de filmagem foi rapidamente interrompido pela partida do nosso trem. Entramos rapidamente em um dos vagões destinados a classe econômica e nos sentamos. Ficamos com uma sessão e assentos só para nós.

A classe econômica era toda pintada em um beije claro, gasto pelo tempo e pelo uso, com o chão em uma cor azul, beirando o marrom. As poltronas eram compartilhadas, com estofado azul escuro, e também gastos, com ranhuras, mas ainda em perfeito estado de utilização. As janelas estavam todas emperradas. Tivemos dificuldade em abrir a nossa, mas deu tudo certo.

Em um dado momento, um senhor de uns 65 anos de idade, com sinais de embriagues leve, se sentou do lado de Gabriela. Tímido, ele ficou nos olhando atentivamente por alguns minutos. Foi então que ele começou a conversar com a gente em um inglês compreensível e sem muitos erros, raro para os padrões locais. Gabriela respondia a maioria das questões. Eu ficava de olho, observando os seus movimentos, esperando por algo inusitado, alguma reação desproporcional…

— “De onde vocês são?”, perguntou o senhor.

— “Somos do Brasil e o senhor?”, respondeu Gabriela com curiosidade para saber mais sobre ele.

— “Sou do Vietnã. Mas moro na Tailândia há muito tempo…”, respondeu o senho com um olhar vago, como se estivesse lembrando de alguma coisa. Continuou sua resposta dizendo que não havia pagado a passagem e que sairia dali em alguns minutos, no momento da conferência dos bilhetes.

Sem dúvidas, não era a primeira vez que ele fazia aquele percusso, ou sentava naquela poltrona ou tentava escapar do checagem de bilhetes. Não éramos também os primeiros turistas que ele havia encontrado pelo caminho e iniciado uma conversa. O que me deixava mais embasbacado, entretanto, era o seu nível de inglês. Me questionava sobre o seu passado, sua história, como ele tinha parado ali, etc.

E lá vinha o guarda conferindo os bilhetes. O senhor se levantou rapidamente, se despediu, e se foi, assim como chegou, de repente, rumo ao outro vagão. Com ele, todas as respostas aos meus questionamentos. Foi uma bela experiencia, e nem havíamos chegado em Ayuttaya. Quase havia esquecido do nosso destino final…

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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