Trem S03 de Hanói para Ho Chi Minh. Saída planejada para as 19:30. Cabine confortável, mas um pouco apertada. A nossa viagem seria mais curta do que para os demais passageiros que compartilhavam a cabine com a gente. Nossa parada? Ninh Binh, o último destino da nossa viagem pelo Vietnã.

Ninh Binh foi uma escolha controversa desde o início. Foi colocada no roteiro devido as formações rochosas, cavernas, canais e plantações de arroz. Substituiria a famosa Halong Bay (razões que posso discutir em um outro texto, ou talvez em um bar). Sei o que você está pensando… Você é louco? Halong Bay é imperdível e blá blá blá. Pois é, esse era o sentimento. Ninh Binh tinha que valer a pena…

O transfer já estava nos esperando na estação. Era um mini carro com ar condicionado no máximo, simulando países nórdicos de tão frio. Alguns minutos após, estávamos em uma pequena estrada de terra, iluminada somente pelos faróis do carro e pela lua, parcialmente cheia naquele dia.

Dava pra ver o reflexo das luzes nas plantações de arroz. Eram incontáveis espelhos retangulares, imensos, onde não se via mais quase nenhum pé de arroz. Eles haviam sido colhidos à pouco tempo. 

Ao nosso lado, uma enorme montanha se erguia solitária no meio das plantações. Era imensa, mas não muito larga. O suficiente para cortar por alguns instantes a luz da lua e criar um vulto negro com as estrelas de plano de fundo. Foi uma amostra grátis do que veríamos nos dias seguintes.

A recepção no hotel não poderia ser melhor. Tony, o gerente do local, era só sorrisos. O fato de ser brasileiro rendeu ainda uma boa conversa. 

— “Vocês são os primeiros brasileiros a se hospedarem aqui…”, dizia Tony, com um sorriso no rosto após exaltar nossa seleção e dizer que estava torcendo para o Brasil naquela copa do mundo.

Como se não bastasse a calorosa recepção, lá vinha Tony com bacias repletas de pétalas de flor de lótus mergulhadas em água quente. Era para os nossos pés.

— “Vocês estão cansados. Oferecemos esse banho para todos os hospedes no final do dia…”.

—  “Não precisava”, pensei, mas teria sido somente um impulso de educação que todo brasileiro tem, não é? Dizer, não precisava… mas nesse dia, precisávamos sim…

Olhando para Gabriela ao meu lado, dormindo com os pés na água quente e todo o cansaço da viagem, acho que foi realmente merecido. Tinha certeza que Ninh Binh tinha sido uma boa escolha, seria de fato inesquecível.

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