Último dia de viagem e a gente já tava contando as horas pra chegar em casa. Lyon era a última parada. Estávamos tão cansados que a gente não esperava muita coisa da cidade. A gente vinha de um trekking de 10 dias, mais de 140 quilômetros de trilhas, e o que a gente mais queria era chegar em casa. O que a gente não esperava era que Lyon seria um dos melhores lugares que visitamos em toda a viagem e logo mais você vai descobrir o porquê.

Cedo pela manhã, saímos do hostel pra bater perna pela cidade. Achávamos que Lyon era uma mega metrópole. Algo comparado com Paris só que no meio da França. Mas fomos descobrindo que não era bem assim. A cidade era charmosa como Paris, mas em uma versão menor, mais acolhedora, e de quebra, as pessoas eram mais simpáticas. Acho que o bom tempo cooperou pro bom humor das pessoas.

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Até aí tudo bem, nada muito diferente de quando visitamos qualquer outra cidade. Foi quando decidimos visitar a Basílica de Lyon, que fica no alto de um morro. Pra isso, a gente tinha que sair da Presqu’île, atravessar o rio Saône e subir uma escadaria interminável. Bom, esse era o plano. Fomos em direção ao rio e quando entramos no Quai Saint-Antoine, demos de cara com uma feira de produtos locais. Era imensa, cobrindo mais de dois quarteirões.

Feira na Quai Saint-Antoine, Lyon.

Somos apaixonados por feiras, pois são uma amostra da cultura e da culinária local, e o mais importante, do cotidiano das pessoas que vivem por ali. Não tem sensação melhor do que se perder lá dentro e se sentir parte de um todo, peça da engrenagem da cidade. É onde a gente se sente menos turista e mais local, sabe? Por isso, mudamos rapidamente de planos. A basílica podia esperar. Paramos de barraca em barraca, provando amostras grátis de frutas, queijos, salames, etc, a maioria produzidos na região de Lyon. Só de lembrar me da água na boca.

A cereja do bolo foi uma barraquinha de comida portuguesa, tocada por uma senhora super simpática e trabalhadeira. Paramos em frente à barraca com o objetivo de comprar um pastelzinho de nata. Mas tinha algo mais especial e que tinha acabado de sair da panela. Sim, eram bolinhos de bacalhau recém preparados. Dava pra sentir o cheiro e imaginar o gosto. Agora queríamos ambos, os bolinhos e o pastel.

— “Bom dia!”, ela disse. O plano era pedir dois bolinhos de bacalhau e um pastel de nata. Bem sensato não? Gabriela respondeu rapidamente:

— “Bom dia! A gente queria 10 bolinhos de bacalhau dos que acabaram de sair da panela e um pastel de nata”. Olhei pra cara da Gabriela questionando com os olhos a quantidade de bolinhos. 10?

— “Deveria cobrar mais por esses que acabaram de serem feitos, não?”, disse ela em um português debochado. A gente deu risada. Claro que era uma piada. Ela continuou:

— “E quantos pasteis?”. Queria somente um, mas queria o melhor, o mais lindo, maior e fresco de todos. Perguntei se existia algum mais gostoso do que o outro e a resposta foi novamente inusitada:

— “Ora pois, todos são deliciosos. Tem uns mais queimadinhos, outros menos”. Pedi um meio termo, não muito queimado, não muito “desqueimado”, se é que essa palavra existe.

Fomos em direção à catedral comendo os bolinhos e deixando o pastel para o final. Depois de dar a primeira mordida, entendi o porquê de Gabriela ter pedido tantos. A casquinha de fora era fina, crocante e estava bem quentinha. O recheio estava leve, soltando aquela fumacinha aromática e dava pra sentir o gosto do bacalhau e de todo o tempero usado na preparação. Gabriela dizia que estava tão bom, mas tão bom, que lembravam os bolinhos que ela comia quando era criança. Dali pra frente você já deve imaginar o que aconteceu. Foi um bolinho atrás do outro. A nossa primeira verdadeira experiência gastronômica em Lyon.

Boulangerie du Palais (8 Rue du Palais de Justice)

Visitamos tudo que ainda faltava na parte mais alta da cidade: a Basílica e as ruínas galo-romanas. Descendo, já na hora do almoço, passamos por vários restaurantes na área mais antiga de Lyon. Um em particular nos chamou a atenção. Uma fila imensa se formava do lado de fora. A gente é daqueles que acredita que a fila em um restaurante é sinônimo de boa comida. O lugar se chamava Boulangerie du Palais. Na vitrine, inúmeras opções de pizzas caseiras e do famoso doce praliné, bem tradicional de Lyon. Pedimos uma pizza de tomate com queijo de cabra e orégano e um praliné imenso. A pizza era bruta, rústica, enorme, massuda, mas era deliciosa. O doce? De outro mundo. Pra quem não sabe, o praliné é um doce feito a base de caramelo e amêndoas. Era super pesado, mas doce é doce né pai! Essa seria a nossa segunda grande experiência gastronômica em Lyon.

L’Épicerie (2 Rue de la Monnaie)
Cara de quem não sabe por onde começar…

Seguindo em frente, já não havia muita coisa pra visitar. Voltamos para o hostel e tiramos um cochilo. Acho que foi até necessário depois da bomba de glúten e açúcar do almoço. Já acordados, resolvemos bater perna novamente e conhecer um dos restaurantes mais recomendado de Lyon. O nome do restaurante era L’Épicerie. O lugar é famoso pelas opções de defumados e queijos. Não pensamos duas vezes, pedimos um prato de defumados (charcuterie), outro de queijos e uma cerveja de fabricação local. Terceira experiência gastronômica deliciosa em Lyon.

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Nossa quarta experiência gastronômica foi meio que por acaso. No caminho de volta do restaurante L’Épicerie, a gente passou na frente de uma dessas lojas que vende produtos a base de pato. O nome da loja era Tout le Canard. O sonho da Gabriela era provar o pâté en croûte, um pão de massa folhada recheado com presunto, foie gras e castanhas. Na verdade, o recheio pode variar bastante, mas a essência do prato é essa. Pedimos um pedaço pra experimentar pelo simples prazer da degustação, mesmo já tendo comido horrores mais cedo.

Glacier Terre Adélice (1 Place de la Baleine)

Pra fechar o dia (não acredito que ainda tem mais, você deve estar se perguntando…), queríamos algo que desse um ponto final na gula e na balburdia da comelância. Algo que fosse delicioso pra fechar com chave de ouro. Se você pensou em sorvete, sim, você acertou. Procuramos qual seria o melhor sorvete de Lyon e a resposta foi o Glacier Terre Adélice. Eles serviam algo melhor do que sorvete! Acredita? Sorvete orgânico. Eu pedi uma bola de limão e outra de morango e Gabriela pediu uma bola de pistache. Confesso que fiquei com inveja. O meu até que estava bom, mas o de pistache estava delicioso! Essa seria a nossa quinta e última experiência gastronômica em Lyon.

Não estávamos esperando que Lyon fosse nos dar esse presente. Último dia de viagem, cansados, expectativa lá embaixo, já se preparando pra voltar. Encontramos energia pra bater perna e comer o melhor que uma cidade pode oferecer. Essa foi a nossa experiência gastronômica por acaso em Lyon, que começou em uma feirinha local e terminou com saudades!

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