Histórias de metrô todo mundo tem. Tem até uma bem interessante que aconteceu comigo e com a Gabriela na Cidade do México, mas essa vai ficar para a próxima. Hoje estou sozinho no metrô de Montreal, voltando pra casa depois de um dia longo de trabalho. A história tem haver com isso.

Costumo pensar em vários “problemas” da vida enquanto estou no metrô. É o caso de hoje por exemplo. Contas, datas, próximo dia de trabalho, etc. “Prochaine station, Lionel-Groux“, dizia a voz do metrô, em francês. Foi então, que uma família com duas crianças entrou no vagão. Cedi o meu assento como todo bom cidadão deve fazer, e o agradecimento por parte do pai foi um bom “C’est très gentil” (é muito gentil). Até ai tudo bem… Segundos depois, as crianças começaram a falar com os pais fluentemente em espanhol. Achei aquilo interessante, por mais que já conviva com essa mistura de línguas frenética todos os dias.

Foi aí que parei e comecei a observar as pessoas a minha volta. No mesmo vagão, pessoas se comunicando em inglês, francês, espanhol… E eu, é claro, escrevendo esse texto em português, ou quase… O legal disso tudo, entretanto, era que ninguém ligava muito para o que estava acontecendo. Era quase natural. O que tem de estranho em um ser humano falando? Expressando suas ideias com sons? Eu esperava uma reação de repulsa. Já vivi isso na França e nos Estados Unidos. Mas hoje foi totalmente diferente.

Já ouvi dizer que a língua e a cultura definem uma sociedade, um povo. É aquilo que traz o sentimento de pertencimento e de igualdade. E em Montreal? Como isso funciona? “Station Mont-Royal“. Era hora de sair. Não tive tempo para pensar nisso. Estava eu agora preocupado com outros “problemas” da vida, como de costume.

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