Era nossa primeira vez na Polônia. O voo era de Bruxelas, na Bélgica, para Cracóvia, cidade ao sul do país, próximo à fronteira com a República Checa. Estávamos viajando, eu (Fernando), Érica, minha mãe e minha irmã, nessa época ainda não tínhamos as crianças. Iríamos ficar hospedados em um hostel, toscamente chamado de Tutti Frutti.

Era nossa primeira experiência hospedados em um hostel e com passagens compradas em uma daquelas empresas “low cost” europeias, mais especificamente a Ryanair. Estávamos na metade do roteiro de uma viagem muito bem aproveitada e, portanto, todos extremamente cansados. Havíamos comprado uma câmera fotográfica semi profissional e estávamos concentrando lá todos os registros da nossa viagem.

Na confusão habitual de check-in e embarque, numa mistura de correria e cansaço, colocamos a máquina na mochila e a deixamos entreaberta, no chão, entre as pernas… Após as duas horas de voo, entre um cochilo e outro, ao desembarcar, pegamos a mochila e nos dirigimos à área de desembarque do aeroporto de Cracóvia.

Na hora do desembarque do avião, saímos do avião andando direto pro terminal de embarque (não teve “finger” e nem ônibus). Simplesmente descemos a escada e caminhamos até o portão de entrada de passageiros do aeroporto. Acontece que, quando estávamos entrando no aeroporto, num ápice de lucidez, percebemos que estávamos sem a nossa câmera. 

Sem pestanejar, olhei para trás, vi o avião ainda perto de onde estávamos e corri em direção à aeronave para conferir se a câmera havia caído da mochila. No entanto, minha corrida foi acompanhada de gritos e apitos que eu tinha certeza que não eram motivacionais ou encorajadores. Muito pelo contrário, estavam notoriamente reprovando a minha atitude. 

Eu não queria ficar sem a câmera, mas o pior era perder todos os registros até então feitos da viagem! No dilema entre tentar reaver nossa câmera ou ser preso ou até mesmo levar um tiro nas costas, numa fração de segundos, resolvi parar de correr.

Foi quando um guarda, digamos bem fora de forma, bufando e revoltado me abordou em um polonês furioso, sem me dar chance de me justificar. Eu tentava explicar a situação em inglês, pedindo ingenuamente para que ele entrasse no avião comigo. Não adiantou, ele tava estressado. Ele acabou me levando na direção oposta ao avião, para uma salinha dentro do aeroporto. Nessa hora eu fiquei bem apreensivo, porque além do guarda que me abordou, chegaram mais dois e eles não se comunicavam comigo em inglês. Falavam sempre em polonês entre eles e comigo. 

Uns vinte minutos depois, chegou um superior que me deu um sermão explicando que aquela era área de segurança e que eu jamais poderia ter corrido ali, pediu meu passaporte, tirou cópia e perguntou onde eu iria me hospedar… Que constrangedor! Foi aí que, bem sem graça porque o nome do hostel é, digamos, no mínimo incomum, falei baixinho: Tutti Frutti… Com um sorrisinho disfarçado no canto da boca, ele pediu para que eu repetisse pelo menos mais duas vezes o famigerado nome do hostel! Já falei que foi constrangedor?

Ao final, ele me falou que eu levaria somente uma advertência e que eu tomasse cuidado durante nossa estada no país, pois estaria sendo observado. Quanto à câmera? Infelizmente, até hoje não sabemos o seu paradeiro! A lição? Jamais praticar cooper em área de segurança e, ao escolher onde se hospedar, levar em conta, além do preço e da localização, o nome do estabelecimento!

Essa era a máquina! Ironia, hoje só em foto!

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