A gente não tinha planejado nada. Pra falar a verdade, Chamonix só estava no roteiro como ponto de passagem até Genebra. Mas alguns dias antes, resolvemos mudar o itinerário da Walker’s Haute Route e deixar um dia pelo menos pra conhecer a famosa Aiguille du Midi. No final, tivemos quase dois dias e foi suficiente pra aproveitar tudo que Chamonix tem pra oferecer. E qual seria a melhor e a principal atração de Chamonix?


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Se você falou o Mont Blanc, está parcialmente certo. Na verdade, o que atrai a maioria das pessoas pra Chamonix é de fato o Mont Blanc, mas que tal subir até 3843 metros de altura e ficar mais perto do que qualquer um (tirando os alpinistas que estão fazendo escalada) da montanha mais icônica e famosa da Europa?

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Isso só é possível graças a Aiguille du Midi (site oficial), uma espécie de refúgio/centro de atividades de montanha/mirante que fica coladinho ao Mont Blanc. O lugar é usado por todos os tipos de pessoas, desde alpinistas em dia de ataque ao cume, até famílias que querem somente apreciar a vista das montanhas ao redor de Chamonix. Pra gente, tinha algo ainda mais especial. Seria um reencontro com a altitude. Ver novamente de perto o cume de um gigante. Sonhar em quem sabe escalar mais uma montanha. Sonhar não custa nada, não é? Foi por isso que a gente fez questão de colocar um dia em Chamonix e conhecer a Aiguille du Midi.

Chegando à Aiguille du Midi

Entrada do teleférico até a Aiguille du Midi. À direita, a bilheteria e mais ao centro a área de acesso aos teleféricos. Dá pra ver também o letreiro digital mostrando o número do grupo que estava subindo no momento.

Chegamos bem cedo à entrada do teleférico que leva até os 3842 metros. Era algo em torno de 8h da manhã e mesmo assim, a fila já estava grande. Ficamos uns 40 minutos esperando pra poder comprar os ingressos. Como era nossa primeira vez e não tivemos muito tempo pra pesquisar como funcionava a subida, pedimos mais informações para a vendedora dos tickets. Descobrimos que você pode subir até a Aiguille du Midi, pegar outro teleférico que te leva até a Itália e de lá, voltar de ônibus até Chamonix. Essa opção era muito complicada. Compramos a ida e a volta até Chamonix e foi isso.

Não pudemos embarcar imediatamente. Pra controlar o número de pessoas lá em cima, eles controlam direitinho quantas pessoas descem e quantas pessoas sobem. A gente ainda tinha uns 50 minutos. Foi tempo suficiente pra voltar no hotel pre pegar os óculos escuros (importantíssimos) e voltar pra pegar o nosso teleférico.

Já dentro do teleférico, centenas de pessoas se amontoavam. Quase não tinha espaço pra respirar. O teleférico começou a subir e aumentar de velocidade gradativamente, até chegar a uma velocidade que ninguém acreditava que era possível. Quando passava por uma daquelas torres, ele balançava como um pêndulo. Azar de quem não estava se apoiando.

Tivemos que sair no meio do caminho para trocar de teleférico. A adrenalina era a mesma, só que agora, o teleférico passava por uma parte mais perigosa, com um precipício enorme. Dava um pouco de medo, confesso. Já perto da estação final, ele ia se aproximando das rochas, bem lentamente, até chegar de fato na estação. Ao sair, fazia bastante frio e com o ganho rápido de altitude, ficamos meio lentos, com uma sensação estranha na cabeça. Por mais que a gente tivesse bem aclimatado por causa do trekking dos dias anteriores, o ganho repentino de altura abalou com força a gente.

Aiguille du Midi

Glaciar des Bossons.
Não foram os únicos alpinistas que vimos se aventurando pelas montanhas. Deu vontade de estar lá…
Área dos elevadores até a Aiguille du Midi.

Mas tirando esse mal estar, tudo que eu pensava era – “Como eles construíram isso aqui?” – Era difícil de acreditar. Primeiro, subimos em um dos espaços panorâmicos, que dava vista principalmente para Chamonix, mas também para o Mont Blanc. A Aiguille propriamente dita ficava vários metros acima, acessível somente por um elevador. Depois de tirar várias fotos nesse espaço panorâmico, entramos na fila do elevador e esperamos por uns 20 minutos.

Atenção: Antes de entrar propriamente dito nas atrações do lugar, você é informado o horário que o seu teleférico vai descer. Isso é feito pra impedir que a galera fique mais tempo lá em cima e não tenha teleférico suficiente pra todo mundo na hora de descer. A dica então é planejar bem o que você vai fazer e não perder muito tempo em filas desnecessárias.

Mont Blanc (4810 m). Olhando esse mar branco, a gente até perde a noção de proporção. Uma pessoa seria somente um pontinho imperceptível.
E olhando assim?
Famoso Pas dans le Vide, uma caixa de acrílico construída em um vão de 1000 metros de altura. Você se arriscaria?

A nossa vez chegou e depois de sair do elevador, aí sim, o Mont Blanc parecia mais perto. Esse era o ponto mais alto da atração, onde existem um terraço panorâmico pro Mont Blanc e o famoso Pas dans le vide, que é uma caixa de acrílico construída do lado de fora da montanha. A impressão que dá é que você está flutuando a mais de 1000 metros de altura. Coisa de louco!

Hora de descer…

Vai deixar saudades!

A gente ficou ali por uns 20 minutos. A fila do Pas dans le Vide estava tão grande que a gente não conseguiu visitar a atração. Tirei somente uma foto de um estranho pra guardar de lembrança. Por fim, visitamos o museu que conta a história das primeiras escaladas do Mont Blanc até os dias de hoje. Tinha muita informação sobre equipamentos, curiosidades, rotas até o cume, etc. Muito interessante.

Descida programada. Entramos no teleférico, que começou a descer devagar e logo aumentou a velocidade. Chegamos na estação mais abaixo, onde teríamos que trocar de teleférico. Aproveitamos para ficar por lá, onde existe um restaurante, e de onde partem várias trilhas até Chamonix. Foi a despedida desse lugar mágico chamado Alpes. De lá, a gente podia ver o Col de Balme, nosso ponto de chegada da Walker’s Haute Route. Ia ficar só a saudade!

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