Salar de Uyuni: A importância de não planejar


Detesto as situações onde tudo foge do controle. Talvez você que esteja lendo não concorde muito comigo, pode acontecer, mas eu prefiro não ser pego de surpresa. Entretanto, em determinados momentos (cansaço, raiva, frustração, ou qualquer outro sentimento que mistura um dos três), realmente não ligo muito. Eu taco o famoso foda-se. Foi o que aconteceu no Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo.

Chegamos em Uyuni eram 7 da manhã. Estávamos cansados, com fome, com tudo o que tem direito. Tínhamos que reservar o passeio pelo Salar. Eu tinha preparado uma lista de agências bem reputadas para procurar logo quando chegássemos. O cansaço era grande. Ao descer do ônibus, tivemos uma calorosa recepção. Uma multidão nos aguardava na esperança de vender os passeios ao Salar de Uyuni. Sabe vendedor de banca de queijo na feira? Pois foi a mesma coisa.

Cidade de Uyuni, ponto de partida para o Salar.

Acabamos indo conhecer a agência de uma dessas pessoas. Acompanhamos o rapaz pela cidade pacata até o seu escritório, que ficava um pouquinho longe do terminal rodoviário da cidade. O escritório era muito apertado e improvisado, o que deixou a gente com um pé atrás.

Depois da apresentação do roteiro do passeio, iniciou-se a negociação. Demos o primeiro lance. É claro, extremamente vantajoso para nós, turistas de primeira viagem. O rapaz não queria fazer de maneira nenhuma, dizendo que a segurança era importante, que o carro era novo (ano 96!). Era direito dele negar. Decidimos então tentar a sorte em outras agências.

Quando estávamos na metade do caminho de volta ao terminal de ônibus, uma voz nos chamou pedindo para voltar. O poder da negociação estava surtindo efeito. Fomos novamente ao escritório e conseguimos fechar o pacote como queríamos, uma pechincha na época.

Afinal, tacar o foda-se tinha funcionado! Como assim? Mas seria uma cilada Bino? Um pouco depois de ter fechado o pacote, percebemos que havíamos esquecido de um detalhe importante: olhar o carro na oficina. Essa é a primeira regra antes de fechar um pacote desses. Você está indo para o meio do nada e se o carro quebrar, estaríamos em apuros. Perguntamos se poderíamos ver os carros, mas o rapaz desconversou. Pronto, acho que nem carro nós iríamos ter.

Esperando o carro para ir ao Salar de Uyuni.
A espera do carango na frente da agência.

A hora havia chegado e nada do rapaz aparecer. Já estava pensando que tínhamos caído em algum golpe ou coisa do tipo. A negociação tinha sido muito vantajosa e por isso tudo fazia sentido, era um golpe! Foi então que um outro rapaz veio nos chamar dizendo que o carro já estava partindo. Andamos por uns 100 metros e lá estava ele, o carro, que de ano 96 não tinha nada.

Moral da história: tivemos os 3 dias mais inesquecíveis de nossas vidas. Visitamos locais inimagináveis (quem visitou sabe do que estou falando) e estou escrevendo essa crônica pois sobrevivi, e ainda levei de brinde, uma baita de uma experiência. Zeca pagodinho tinha razão, às vezes é preciso deixar a vida nos levar. Deixar um pouco o planejamento e curtir os imprevistos e o que eles têm a nos dar. Fica a dica!

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Oi, me chamo Marcos Amaral

Viajar pra mim sempre foi mais do que somente ir para outro lugar, tirar fotos ou contar o número de países que já visitei. Pra mim, viajar é viver experiências, sentir sensações únicas. Adoro escrever sobre elas. Mais do que um relato, tento traduzir o que vivi pra fazer você viajar comigo. Sou casado com a Gabriela e hoje, viajamos pelo mundo em busca de experiências únicas.

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